Vou passar a entrevista da Dilma ao Jornal Nacional e comentar sobre outra coisa, embora relacionada. Depois do papelão do casal 20 da Globo em rede nacional, o Twitter em peso discutia as perguntas, as agressões, as respostas. Alguns até defendiam William Bonner, por incrível que pareça (na minha humilde opinião, não há argumentos para tal). Diante da dificuldade de responder a tantos questionamentos e do arsenal de comentários que pululavam na rede, o jornalista Luis Nassif decidiu ser prático: abriu a Twitcam e deu seu depoimento ao vivo pela nova ferramenta do Twitter.

No final, quase 600 pessoas (chegou a 595) assistiam a fala de Nassif. Tudo que ele fez foi sentar na frente do computador, ligar a webcam e se pôr a falar. Nada de tecnologia excepcional, sem produção, sem investimento financeiro. Também sem retorno financeiro, mas no pleno exercício de sua faculdade democrática de se pronunciar.

Imagina passar um recado desses, via vídeo, alguns anos atrás. Pareceria impossível, muito caro… como transmitir? Inviável. É por essas e outras que a tecnologia assusta pela sua imprevisibilidade, por não sabermos o que vem por aí, pelo seu excesso, mas que encanta e fascina. Enche de esperança por uma comunicação mais democrática, mais plural. A ponto de o próprio Nassif demonstrar seu deslumbramento.

Por enquanto, esse tipo de voz chega a uma minoria diante do alcance de uma emissora como a Globo. Mas uma das características da tecnologia, repito, é sua imprevisibilidade. Quiçá amanhã tudo pode ser diferente? Quiçá tudo pode ser melhor?

4 Comentários

  1. [...] This post was mentioned on Twitter by Pedro AntônioCândido, Cris Rodrigues. Cris Rodrigues said: Até Nassif se surpreende com as possibilidades da rede: http://wp.me/pFCVn-1bL [...]

  2. Ismael disse:

    A mídia tradicional, principalmente a TV, devem continuar as maiores influências, ainda que com poder diminuindo. Acredito que seu poder vai diminuir e estacionar em um patamar ainda alto se comparado com Internet.

    A questão principal nem é qualidade e sim de quem chegou primeiro.

    Eu tenho uma (besta) teoria a respeito da Sônia Braga. Tentam me vender até hoje que ela é bonita, “lindíssima, uma das mulheres mais bonitas que já existiu”. Eu não só não acho bonita, como acho é feia e sempre achei, mesmo no “auge de sua beleza” nas reprises de novelas cacaueiras.

    A questão é que ela foi uma das primeiras a ficar pelada na tv/cinema. Em tempos de repressão sexual, não só política. Se fixou na mente dos hoje senhores que a defendem como musa.

    O mesmo vale para os veículos que ela usou. Se estabeleceram primeiro, sem concorrência. A internet é o novato que entrou no jogo já com grande concorrência. Sem disputar atenção do expectador.

    Além disso há a questão de ser aberta. O acesso é muito maior.

    Isso tende a mudar aos poucos. Cada geração nova já nasce achando bem natural a internet e não tão deslumbrada com papagaiadas globais. E também nem vão saber quem foi Sônia Braga :D .

    Claro, é necessário ter atenção para não trocar um monopólio antigo de informação por um mais novo, como seria o caso dos portais de internet.

  3. Danilo Bueno disse:

    Considerando as devidas proporções, a internet abre as portas que a TV abriu a partir da metade do século passado, com a esperança de comunicação gratuita e aberta para todos. Apesar de deixar o espectador em uma situação passiva, a TV poderia ter colaborado de forma fundamental para o fim do analfabetismo, como uma ferramenta de apoio à educação, entre inúmeras aplicações sociais para a qual ela poderia ter sido usada se as concessões fossem realmente pensadas como de interesse público. Ao invés disso, ela serviu como ferramenta de manipulação das elites dominantes.
    Acho difícil acontecer com a internet a mesma coisa pq, como vc disse, ela é orgânica, anarquica e imprevisível… espero que continue assim.

  4. Ismael disse:

    Acho que é preciso ter cuidado com essa suposta liberdade e anarquia.

    Por exemplo, estamos escrevendo no espaço cedido pela Automatic, que criou e disponibiliza o WordPress.

    Muita gente clama que o Twitter é revolucionário e irrestrito, que deve substituir o e-mail, e tralalá.

    Pois bem, para email, se pode instalar toda a infra-estrutura necessária até mesmo em sua casa, tendo um mini provedor com endereços no estilo cris@somosandando.com . E o twitter ? Não, controlado por um ou dois proprietários, americanos, com servidores dentro de território americano. E portanto, sujeitos a legislação de lá.

    Infelizmente existe um abismo entre o grande público e pessoal técnico, mas é importante tentar diminuir isso. Senão fica complicado falar em liberdade, organizar eventos quando de repente com um decreto, ou ordem judicial, várias instituições governamentais podem estar xeretando.

    É a velha barganha da conveniência em troca da privacidade / liberdade.

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