O primeiro discurso de Dilma foi sóbrio, com alguma emoção ao citar o presidente Lula e apontou para algumas tendências de seu jeito de governar.

A imprensa comparava a fala da nova presidente à de Serra, avaliando qual foi melhor (adivinhem!) como se se tratassem de discursos do mesmo nível. O do candidato derrotado era uma forma de sair menos mal da eleição. O de Dilma é de sinalizar caminhos para o exercício do poder. De apontar como o Brasil vai ser governado nos próximos quatro anos. Dilma entra com tudo na cena política, da qual Serra sai.

Dilma acerta ao valorizar os direitos humanos, o papel da mulher, a herança de Lula. Apesar de toda a pressão que sofreu da oposição e da imprensa, a nova presidente valoriza os direitos humanos. Que nele estejam questões polêmicas que no Brasil ainda são um tabu conservador.

Mas o discurso da presidente eleita do Brasil preocupa em alguns momentos. Ela enfatiza de forma muito contundente a questão da liberdade de imprensa, sabendo que no nosso país o termo é interpretado como a autorização para se dizer o que bem entender, desrespeitar a legislação sobre monopólio, impedir a pluralidade. As atitudes recentes do presidente Lula indicavam para um período de discussão sobre qual comunicação queremos, de se avaliar se o povo brasileiro está ou não de acordo com o modelo estabelecido, que não permite que a diversidade brasileira – de regiões, de culturas, de crenças, de ideologias, de gênero, de raça – tenha voz ativa e presente para a maior parte dos brasileiros, submetidos a um discurso único.

Dilma também estendeu a mão à oposição. Um gesto prudente, para não conflagar uma guerra – ou melhor, para não continuar a guerra das eleições – no Brasil. Ela sabe que não vai governar sozinha e que precisa de diálogo com todos os setores. Mas que não se abra demais, mantenha sua postura de esquerda, faça um governo de esquerda. Que aprove uma reforma política para que a necessidade de negociatas percam lugar na política brasileira.

Dilma fez um discurso forjado para acalmar as vozes opositoras. Muito atacada pela imprensa nos últimos meses, seu mandato seria dificultado se a relação com os meios de comunicação batessem constantemente contra. Queria acalmar e acalmou. Agradou até Merval Pereira, Mônica Waldvogel e Cristiana Lobo, nomes em maior ou menor grau raivosamente comprometidos na campanha de crítica à até ontem candidata petista.

Se governar tendo a imprensa contra é difícil, aceitar essa situação e se submeter a ela é nunca mudar e fazer com que todos tenham que constantemente continuar se submetendo. Em algum momento esse enfrentamento se fará necessário. E isso não significa censura, mas restrição para que um ou poucos grupos não dominem a maior parte da imprensa. Isso não é permitido com empresas de qualquer tipo em um sistema financeiro selvagemente capitalista, por que há de ocorrer com os meios de comunicação? Isso não é saudável para a democracia, não satisfaz exatamente a liberdade de expressão, porque aquele que não tem poder para chegar aos grandes veículos fica sem o direito de se manifestar.

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  1. Oliveira disse:

    Olha que videozinho bacana… já estou com saudades do Lula também…

    http://pastorador.blogspot.com/2010/10/valeu-presidente.html

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