Preconceito contra nordestinos, preconceito contra pobres, criminalização verbal de mulheres que fazem aborto, homofobia. Nenhum desses exemplos trata de casos isolados, mas de situações recorrentes que vêm acontecendo no Brasil. Elegemos um governo à esquerda, mas vivemos em uma sociedade que ainda tem arraigados profundos valores conservadores.

Não sei até que ponto esse preconceito – de gerar uma opinião sem refletir, de agredir o outro sem motivo – é restrito a uma minoria. Vejo ainda em muita gente essa visão deturpada do ser humano. Ela é passada de geração a geração, em comentários, atitudes, piadas, imagens, símbolos. Alguns tentam esconder, pelo menos se esforçam para não exercerem sua discriminação. Já é um começo quando o sujeito reconhece o preconceito herdado e tenta lutar contra ele.

Mas outros escancaram ou simplesmente não disfarçam. Os mais ousados xingam, humilham, batem. Os mais tímidos fazem cara feia, atravessam a rua, reclamam baixinho. Mensagens ofendem nordestinos nas redes sociais. Jovens de classe média agridem gays em São Paulo. Um repórter de uma rede de televisão que exerce o monopólio da comunicação na região Sul acusa os pobres de responsáveis pelos acidentes de trânsito, exalando preconceito e defendendo que os direitos continuem restritos a uma minoria. Qual o critério para definir quem é privilegiado? Talvez a sorte de nascer em uma família endinheirada os faça superiores.

Qualquer desses modelos de preconceito é preocupante. Ainda mais preocupante porque são quase todos jovens com esse pensamento conservador. Significa que alguma coisa estamos fazendo de errado para essa geração andar para trás.

Questiono: por que o cidadão médio acha normal um beijo na rua entre um rapaz e uma moça e se ofende com o mesmo beijo quando há dos dois lados pessoas do mesmo gênero? Em que esse ato atinge sua vida? De que forma ele é ameaçado?

Uma vez li uma piada que dizia mais ou menos isso: “Meu colega de trabalho era contra o casamento gay e o aborto, até que ele descobriu que não seria obrigado a fazê-los”.

Trata-se de respeito e de humildade. Quando agrido o outro por algo que não concordo, parto do pressuposto de que eu tenho razão e ele está errado. Por quê? Quem me deu esse direito? Além de falta de respeito à diversidade, é prepotência.

Em que sou melhor que um nordestino? Pelo fato de minha região historicamente ter mais dinheiro? Pois se isso devia me despertar algum sentimento é o de revolta contra a injustiça de eu ter e ele não. Se minha cidade sempre foi privilegiada em relação às cidades nordestinas, devo lutar para que essa situação deixe de existir.

Aliás, vejo dentro de minha cidade a mesma desigualdade que noto entre regiões do país. Mas o mesmo que ofende nordestinos é o que xinga morador de rua por ele existir, que o criminaliza por tentar matar a fome.

Por todos os caminhos percorridos para procurar uma explicação, ela vem igual: prepotência aliada a ignorância e maldade.

Como resolver?

As medidas devem ser múltiplas e combinadas. É como no combate à miséria: é preciso dar comida ao mesmo tempo em que capacita para o mercado e oferece oportunidades, promovendo a justiça social. No caso do preconceito, deve-se aplicar a punição, criando leis onde não há. O racismo, por exemplo, dá cadeia, mas a homofobia ainda não. Há um projeto de lei tramitando para que a agressão por preconceito contra homossexuais seja punida. Cabe a nós, sociedade civil, pressionar para que seja aprovado. Na mesma linha vai a descriminalização do aborto, essa ainda mais atrasada.

Mas só punir não resolve. Se fosse um caso isolado, seria uma discrepância e a punição seria suficiente, porque atingiria um único indivíduo que, por algum motivo específico, pensa diferente do resto da sociedade. Mas quando o movimento é constante e talvez até crescente, é preciso muito mais. Campanhas educativas nas ruas, outdoors, propaganda de TV, palestras, seminários, discussão na mídia – aliás, para esse tipo de coisa seria fundamental termos uma TV pública de qualidade e consolidada, que atendesse os interesses da sociedade e não do mercado, do que vende mais.

Duas medidas são essenciais para que obtenhamos sucesso a longo prazo: exposição do tema na mídia, com ampla discussão e esclarecimento, e educação desde a primeira infância. As escolas têm que assumir a dianteira do processo. Isso, claro, com o governo garantindo escola para todas as crianças e condições para uma educação de qualidade. Ou seja, o processo de derrubada de um preconceito é profundo e complexo, mas merece muito empenho e todo o esforço para que funcione. Não é de um dia para outro, mas um dia é preciso começar.

O caso da diferença de gênero é um exemplo contundente. Demorou décadas, quiçá séculos para que as mulheres atingissem o nível que têm hoje na sociedade. Ainda recebem menos que os homens, têm menos oportunidades e sofrem com diversos tipos de problemas no trabalho, como assédio moral. Estão aprendendo ainda a conciliar a vida profissional com a pessoal sem perder a femilidade. Tarefa difícil, que não terminou, mas considerando que em 1900 mulher não votava em praticamente nenhum lugar do mundo e hoje temos uma mulher presidente do Brasil, uma mulher mandando na Alemanha e já tivemos mulheres à frente de nações como Chile, Índia, Israel…

Ou seja, demora, mas o fundamental é que caminhemos para frente. No preconceito contra nordestinos, contra pobres, contra homossexuais e na criminalização do aborto estamos andando para trás.

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Aproveito para socializar um vídeo que descobri ontem. Não é exatamente na mesma linha do que comento no post, mas complementa. Na verdade, seria um bom instrumento no processo de educação.


48 Comentários

  1. Claudia disse:

    Sempre que vejo essas atitudes homofóbicas pergunto aos “agraciados(as)” se é possível se escolher nascer homem ou mulher. Que eu saiba não.
    Uma pergunta tão simples que pode mudar todo um modo de pensar a questão do gênero.
    Por mais que tenha lido ou escute comentários não acredito nisso que chamam de opção sexual, as pessoas são o que são, é tudo construção, pouco voluntária.
    Porque nasci mulher não chegou um dia que eu resolvi, bem chegou a hora, vou gostar dos rapazes porque me parece melhor.
    Que loucura é essa.

  2. Anna Anjos disse:

    Ótimo post!
    Estamos vivendo uma inversão de valores e o mais preocupante disso é que os jovens estão abraçando essa “nova forma” de viver sem parar pra pensar nas implicações que esses radicalismos podem levar. Irônico é que foram estes mesmos radicalismos vividos por seus pais e avós e que são condenados pelos jovens. Mundo estranho, esse…

  3. Felipe Nunes disse:

    clap, clap, clap… parabéns pelo lindo texto. e quem dera se ao menos parte, mesmo que mínima, pensasse assim. temos muito o que caminhar ainda.

  4. Anna Anjos disse:

    Porém, preciso ressaltar aqui: não concordo com a opinião intolerante de Luis Carlos Prates, quando este afirma que o resultado de um governo “qualquer miserável tem um carro” ignorando, por exemplo, a crescente economia que a gestão do governo Lula proporciou. Os atuais miseráveis brasileiros não são os que vivem na carência financeira (que “não leram um livro mas possuem um carro”), mas sim os que vivem
    segundo a ótica rançosa tucanista de Prates…

  5. Marco Nascimento disse:

    Muito bom, muito bom. Mas e “excrepância”, é uma mistura de excrescência com discrepância?

  6. Felipe Nunes disse:

    isso é o resultado de um país sem leis “rigídas” ou pelo menos concreta em relação ao jornalismo do seu país. quando maioria começar a perceber que a comunicação é fundamental para o andamento de qualquer “nação” no caso do Brasil, talvez vejamos mudanças.

  7. Anna Anjos disse:

    Quando a mídia estiver nas mãos apenas de profissionais e não de medíocres, aí então podemos pensar em um projeto de “nação” para o Brasil. Infelizmente, Felipe, no Brasil, amigo é ideologia…

  8. Cris disse:

    É, talvez =P
    Corrigido, obrigada pela observação.

  9. A Lesma Lerda disse:

    O pequeno burguês brasileiro,
    o típico classe média (que é muito mais um estado de espírito – de porco, do mais das vezes – que um extrato social) é um individuo que:
    - não quer direito, quer privilégio.
    - não quer ser cidadão, quer ser consumidor.
    - não quer liberdade, quer segurança (mas não luta por ela, espera que outros o façam).
    - da escola só quer diplomas e títulos, não quer aprender.
    - se colocado à escolha entre ser rico e seu vizinho ainda mais rico ou pobre e seu vizinho ainda mais pobre, sempre escolherá a segunda.
    - acredita mais no que vê na televisão, ou no que lhe dizem, do que no vê com seus próprios olhos.
    - seu preconceito é tanto que se manifesta até na dificuldade em admitir a existência do preconceito.
    - é conservador até quando nada tem para conservar (nesse caso ele defende os privilégios… dos outros)
    - é capaz de pagar – e efetivamente paga – os preços mais absurdos do mundo inteiro, por medo que pensem que é pobre, e assim permanece pobre de fato, independentemente do quanto ganhe.
    - é absolutamente cruel e implacável com o mais fraco do mesmo modo como é submisso e subserviente com o mais forte.
    - sua consciência é pré-democrática, pré-republicana, pré-revolução francesa, pré-iluminismo, pré-humanista e pré-reforma protestante, tudo que representa modernidade e progresso social.
    - se o país se desconectasse por completo do mundo moderno em seis meses voltava ao sistema escravocrata puro (hoje é híbrido) e em um ano voltava à idade média.
    Em resumo: Se filho da puta voasse, ia ser muito difícil ver o belo céu brasileiro.
    PS.: Aí alguém pode perguntar se não vejo nada de bom no país e tenho de negar veementemente: acho maravilhosa a paisagem natural – um paraíso na terra em muitas partes – e a extensão territorial porque permite fugir dos brasileiros sem ter de sair do país…

    http://diariodebordodanaudosinsensatos.blogspot.com/?zx=8232644be95b0a05

  10. Ismael disse:

    “Há um projeto de lei tramitando para que a agressão por preconceito contra homossexuais seja punida. Cabe a nós, sociedade civil, pressionar para que seja aprovado.”

    Embora eu simpatize muito mais com a esquerda, e por isso costume votar nela, nesse ponto, eu tenho uma preocupação semelhante a da direita, quando se referem como “lei da mordaça”. Embora no caso da direita eu desconfio da sinceridade da preocupação.

    O caso é o seguinte, eu sou a favor da união civil homossexual. Isso é básico, existe necessidade legal.

    Mas quanto a essa lei, quando há debate sobre o tema, eu vejo os ativistas gays confirmarem as preocupações que se tem.

    Na letra da lei, ela é perfeita, punir agressões. Excelente. Mas, quando os ativistas a defendem, vão muito além das agressões, sejam físicas ou morais. Não, eles querem mudar o *sentimento* das pessoas a respeito.

    Eu sinto nojo de ver dois homens se beijando ou mesmo fazendo carinho. Pode ser algo cultural da minha parte, não sei, mas sei que sinto isso.

    Não considero que eu ou qualquer outro que se sinta assim, tem o direito de agredir de qualquer forma um homossexual. De jeito algum.

    Mas… eu sei o que sinto, e não há decreto que me faça mudar. Nem se eu quisesse, afinal é o que sinto.

    Não me sinto ameaçado, nem aquele argumento raso de que então sou enrustido.

    É simples: não gosto.

    Eu creio que os grupos homossexuais perdem pelo exagero. Não se pode tratar igual alguém que simplesmente não gosta com um skinhead que espanca alguém em sp.

    Igualdade vale para todos. Mas o que mais vejo é alguns berrando “direitos iguais”, mas no discurso, sem precisar interpretar muito se conclui que se quer é privilégio.

    Eu acho que aí mora outro perigo. Não se pode dividir o mundo de forma tão simplista: Ou concorda plenamente comigo ou é inimigo.

    Se for assim, se atrai animosidade. Quando se obriga a pessoa a tomar um lado, de maneira tão maniqueísta, pode-se descambar para o tribalismo. Pessoas que nem sabem de verdade pelo que lutam, simplesmente dividem o mundo em “nós e eles”.

    Ou seja, moderação também ao se defender as causas.

    Causas que não são passíveis de discussão, se assemelham muito aos dogmas religiosos.

  11. Cleberson Silva disse:

    Peraí, vamos com calma no patrulhamento.
    Até onde sei, todos temos o direito de gostar ou não de brancos, negros, amarelos, cristãos, judeus, ateus, muçulmanos, heterossexuais, gays, tucanos, petistas, gremistas, colorados, corinthianos, esquerdistas, direitistas, nordestinos, gaúchos, paulistas, loiras, morenas, ruivas, ricos, pobres, pequenos-burgueses, o que for.

    Qual o problema de gostar ou não de alguma coisa, concordar ou não com ela, e manifestar uma opinião? Essa é uma das essências das democracias modernas, o direito de opinar, de escolher o que gostar e o que não gostar, e de expressar essa opinião.

    Tentar criminalizar uma simples opinião de alguém que (pegando os casos em evidência recentemente) não gosta de gays ou de nordestinos é um atentado contra a liberdade de expressão e, por tabela, à democracia.

    E para tratar dos casos em que se ultrapassa os limites da livre manifestação do pensamento, como nas recentes agressões aos gays em São Paulo, não é necessário criar novas leis, pois os crimes de agressão, injúria etc. já são tipificados, afinal de contas. Basta aplicar as leis atuais.

    Sobre a opinião do cara da RBS de Santa Catarina, fora o jeito troglodita com que ele se expressou, penso que o que ele quis dizer é que atualmente o automóvel é vendido para pessoas que não receberam educação suficiente para dirigir (e que portanto, tendo dinheiro ou não, não deveriam receber uma habilitação para dirigir), e que, apesar de o governo federal ter estimulado a compra de automóveis, através do incentivo ao crédito, ele deixou de fazer a sua parte, ao não investir na melhoria da infra-estrutura rodoviária.

  12. Ninguém é obrigado a gostar de ninguém, fato.

    Mas o fato do fulano não gostar do beltrano NÃO lhe dá o direito de matá-lo ou defender que o matem.

  13. Cleberson Silva disse:

    Deve ser por isso o homicídio está tipificado no nosso Código Penal, não é?
    Qual a novidade, então?

  14. Danilo Bueno disse:

    Valeu! Fiquei até com dor de cabeça depois desse vídeo do Prates… o pior é quando vou falar com amigo meu e o cara concorda…

  15. A novidade (que nem chega a ser novidade), Cleberson, é que os fascistinhas acham que só por não gostarem de certas pessoas, podem sair por aí disseminando o ódio, pregando o homicídio.

  16. Cleberson Silva disse:

    Mas aconteceu algo de concreto que eu não tomei conhecimento? Mataram algum nordestino por causa do que a paulista estudante de direito tuitou?

    Ou é só uma exploração do fato de ela ter atribuído a vitória da Dilma aos nordestinos e ter desabafado no twitter de um jeito pra lá de infeliz (embora esteja no seu direito, afinal, a Constituição garante a livre manifestação do pensamento)?

  17. Frederico disse:

    Eu não gosto de amarelo. Acho (apenas expressando meu livre direito de manifestação do pensamento) que as pessoas que usam amarelo são idiotas. Deviam criar vagões de metrô só pra quem usa amarelo.

  18. Michel disse:

    Cleberson, numa sociedade civilizada não deveria haver motivação para que as pessoas matem umas às outras. Encarcerar homicidas é um ato extremo para punir atos extremos, mas jamais resolverá. O que vc faz é admitir que somos e sempre seremos bárbaros. Precisa é que cada um de nos contribua para que a raça humana seja, entre outras coisas, tolerante com os desiguais. Aliás, o princípio básico é que desiguais a nós continuam sendo nossos semelhantes.
    Saudações

  19. Cris disse:

    Olha, por enquanto não sei de casos de agressão física contra nordestinos. Mas houve agressão contra homossexuais, por exemplo. Mas o fato de não haver agressão física não anula a preocupação, por dois motivos:

    1. Esse tipo de manifestação tende a alimentar o ódio e o preconceito e, se continuar, pode levar, sim, a que essas manifestações se tornem agressões físicas.

    2. A agressão verbal também é grave, mesmo que só verbal. Ela humilha, diminui a auto-estima, divide pessoas por categorias, divisão muitas vezes cruel.

    Esse tipo de comentário perpetua o preconceito que acaba levando a casos de bullying, por exemplo. A gente fala da humilhação de adultos, mas a humilhação entre crianças é reflexo direto disso. Por que uma criança negra pode ser ofendida por uma branca? Por que um adulto negro pode ganhar menos que um branco? Isso também é reflexo do preconceito que temos na sociedade, e que esse tipo de comentário contribui para que continue.

    Eu posso não achar bonito o tipo físico de um japonês, por exemplo. Afinal, são gostos. Mas eu não posso manifestar preconceito por ele ter perfil oriental. Afinal, isso não é uma escolha.

    Aceito perfeitamente que discordem das minhas opiniões políticas. Eu escolhi tê-las, mas não aceito que me ofendam pela cor do meu cabelo, pelo lugar onde nasci ou qualquer coisa do tipo. É falta de respeito. E não consegui ainda encontrar o que faz de uma pessoa melhor que outra. Agir com desrespeito é partir desse pressuposto.

    Com relação ao comentário do Prates, Cleberson, pelo histórico dele, provavelmente ele quis dizer exatamente o que disse. Que pobre não pode ter carro, que pobre é mais ignorante, que pobre não tem direito. Se o cara recebeu habilitação e não sabe dirigir, o problema está no sistema que a concedeu, afinal de contas. Fora que acidentes de trânsito não são novidade dos tempos pós-crédito fácil e desconto no IPI. Os motoristas que mais causam acidentes são homens jovens em carros potentes, que correm muito, aqueles que o pobre não tem dinheiro pra comprar. De qualquer forma, se o comentarista precisa de legenda pra se fazer entender, ele não deveria estar ali.

  20. Marcos disse:

    A sociedade brasileira é preconceituosa sim, é racista sim, é homofóbica sim!
    Não dúvida quanto a isso, então urge a necessidade de leis que amparem essas ‘minorias’, mas o poder das igrejas querem impedir por exemplo a aprovação do PLC 122/2006, tudo isso em nome da liberdade de expresão, então esculhambar os homossexuais e lhe imputar todos os males da terra é liberdade de expressão? Não é homofobia pura e descarada!

  21. Ismael disse:

    “Com relação ao comentário do Prates, Cleberson, pelo histórico dele, provavelmente ele quis dizer exatamente o que disse.”

    Também acho isso. Ele babando de ódio, usando palavras pouco comuns e ainda querem dizer que foi sem querer ?

    Detalhe foi ontem ouvindo o besteirol do Pretinho Básico, que gosto geralmente, embora por vezes eles mostrem o bizonho da jovem “elite”.

    Pois bem, os “garotões” ali, também explicando e defendendo a declaração. Amenizando, tirando o foco da polêmica, que é o ódio de classes.

    Malandrinhos, e claro, tudo com ar de puro acaso. Como se não fossem da mesma empresa.

  22. Diogo Barioni Abdalla disse:

    Ninguém tem nada a ver com meus gostos ou com os seus.

    Mas quando seus gostos lhe inspiram discursos de ódio que são, em essência, anti-democráticos: pregam contra o direito alheio (de serem judeus, nordestinos, gays, o que for).

    Você goste ou não do que quiser, desde que seus gostos não envolvam retirar direitos dos outros, marginalizar grupos inteiros. Você não tem o direito a seus gostos, mas não tem direito de impor esses gostos a ninguém.

    Eu não gosto de mauricinhos em geral, e ninguém tem nada com isso. Mas se eu sair por aí, na vida pública, defendendo como política que os mauricinhos sejam discriminados ou agredidos ou mortos, aí eu estou atentando – ou tentando atentar – contra o estado democrático.

    Resumindo: ninguém tem que ser tolerante com a intolerância dos outros. Você goste ou não do que quiser, mas no estado democrático a intolerância não é direito, pois interfere no direito alheio.

  23. Igor Natusch disse:

    Igualar “preconceito contra” com “não gostar de” é uma confusão (ou, em outros casos, um artifício) desagradavelmente comum entre os que se colocam contra leis anti-discriminação. Eu não gosto de milhares de coisas, mas nem por isso saio por aí xingando quem gosta ou dificultando a vida de quem as aprecia. É uma diferença tão óbvia que dá até desânimo de ficar frisando incontáveis vezes a mesma coisa…

  24. Igor Natusch disse:

    Quanto ao “mal-entendido” do Prates, reproduzo (por preguiça de escrever de novo) comentário que fiz no Facebook:

    “A popularização do carro potencializa os acidentes, mas o que potencializa a popularização do carro? O governo, que o próprio cidadão do vídeo chama de “espúrio”. Temos aí duas questões:

    1) Como meu amansa-burro não se nega a informar, “espúrio” é algo ilegítimo, falsificado, não genuíno, bastardo. Fica a critério de cada um aceitar que alguém (ainda mais esse cidadão, que já defendeu abertamente a ditadura militar em mais de um comentário) tem qualquer tipo de autoridade para chamar o atual governo, reeleito e que elegeu sucessora, de “espúrio”;

    2) O aumento da venda de veículos é consequência clara do aumento (ainda que temporário ou casual ou qualquer outra coisa) do poder aquisitivo da população, de modo geral. Não são os mesmos de sempre comprando carros novos – são novos consumidores, comprando mais automóveis. Pessoalmente, me chateia muito ver que a aquisição de bens de consumo é padrão de qualidade de vida, mas enfim, isso é outra discussão da qual o sr. Prates não deve conhecer nem o enunciado. O problema, para o comentarista, não é que tem carro na mão de gente ignorante – é que tem carro na mão de gente pobre, que na cabeça dele é, automaticamente, ignorante e incapaz não só de ter carro, mas de ter um papel social minimamente destacado. Ele não “diz” isso, mas está claro nas entrelinhas – afinal, são os “miseráveis” e “desgraçados” que cometem a “estultícia” de adquirir carros, graças a esse governo “espúrio” que libera crédito fácil e melhora o poder aquisitivo das camadas mais pobres”.

  25. Cleberson disse:

    Pois é Igor, mas é justamente nessa confusão que reside o problema.

    Vamos supor que nosso eficiente Congresso Nacional tipifique a homofobia como crime, e que, portanto, a partir de uma data, todos brasileiros passem a ser obrigados a achar o homossexualismo algo natural.
    Então, depois disso, um sujeito passa na frente de um local frequentado por homossexuais e, ao vê-los, sente-se enojado e torce a cara.
    Nessa situação, o sujeito correria o risco de ser processado criminalmente, e um magistrado decidiria se ele cometeu ou não o tal crime de homofobia. E a ingerência do Poder Judiciário sobre a vida das pessoas, principalmente quando a questão é quase totalmente subjetiva, é sempre temerária. Basta ver a recente suspensão que o CNJ aplicou a um magistrado por conta da sua rebeldia em aplicar a lei Maria da Penha. Como ele não gostava da lei, não a aplicava.

    Então, é melhor deixar a coisa correr solta, sem interferência estatal desnecessária, aplicando a essas questões polêmicas (homofobia, “nordestinofobia” etc.) as leis que já temos, quando realmente ocorrer um crime (casos de injúria, agressão, homicídio e tal).

  26. GOMES disse:

    Está certo que a eradicação desse tipo de atitude (preconceito, homofobia, xenofobia e outras mazelas sociais ainda existente e resistentes) poderá vir com o tempo, com o amadurecimento sociaisl.
    Mas, antes disso, e para isso, é necessária a presnça do Estado, punindo severamente cada ato, isolado ou não, praticado por esses agressores da dignidade humana.

    A presença do Estado, com uma política que eduque, oriente e puna severamente qualquer tipo de preconceito, junto às atividades sociais militantes e a postura dos formadores de opinião e a educação nos lares do país, serão um bom cinturão de pressão para banir de vea, do nosso vasto, complexo, diverso e belo país, esse tipo de atitude, sempre conenável em qualquer parte do mundo.

  27. Igor Natusch disse:

    Sigo discordando, Cleberson.

    Primeiramente, porque a lei não obriga ninguém a achar o homossexualismo natural – ela determina que homossexuais não podem ser hostilizados ou sofrerem prejuízos por serem homossexuais, o que é bem diferente. Alguém pode não gostar de gays, tanto quanto não gosta de sei lá, japoneses ou operadores de telemarketing. Mas não pode ofendê-los, agredi-los ou impedir que tenham emprego ou acesso a determinados locais por causa disso. É uma diferença muito clara, na minha visão.

    Em segundo lugar, há um exagero (em alguns casos intencional e até malicioso) na abrangência de uma lei contra intolerância, que acaba sendo reproduzido e entrando de modo errado no senso comum. Ninguém vai ser preso por fazer cara de nojo ou atravessar para o outro lado da rua quando um casal gay estiver passando. O crime se caracteriza por uma atitude criminosa, não por uma sensação ou sentimento – basta lembrar que ninguém é preso por ficar com raiva do vizinho ou olhar de forma ostensiva para o decote de uma mulher. O cidadão irá preso se passar da sensação para a ação, dando um murro na cara do vizinho ou tentando agarrar a mulher à força – ou, no caso que nos interessa, gritando insultos ao casal gay ou demitindo-os porque não estão dentro das “normas de conduta” da empresa. Isso de “agora vou ser obrigado a achar que ser gay é lindo” é uma distorção completa da abrangência não só dessa, mas de qualquer lei.

    Concordo contigo que a ingerência sobre a vida das pessoas é algo perigoso e precisa ser visto com muito cuidado. Mas não consigo aceitar, sinceramente, que haja ingerência além da inevitável quando se tenta impedir que um cidadão cause dano físico e/ou moral a outro.

  28. Cleberson Silva disse:

    Igor, mas aí é que tá, já existem leis que punem crimes de agressão, homicídio e injúria. Se você agredir alguém, qualquer que seja a etnia, credo, orientação sexual ou ideológica, sua ou da vítima, você será, em tese, punido. Essa ingerência, felizmente, já ocorre.

    Mas esse é o limite máximo tolerável de ingerência do Estado sobre a liberdade das pessoas. Qualquer coisa além disso (punição a esses crimes que mencionei e outros assemelhados) é um atentado ao livre arbítrio e à livre manifestação do pensamento.

    Afinal, o Estado deve aceitar os costumes de seu povo, ao invés de tentar alterar os costumes do povo para aqueles que alguns burocratas e representantes de minorias organizadas consideram mais convenientes.

  29. Guilherme disse:

    Só não podemos é entender a virulência desses preconcieitos como produto de ignorância, pois não o é. É um processo cultural histórico difuso. A criação deliberada da juventude em estufas (shoppings, condomínios e escolas exclusivistas) é fator preponderante pra isolar a dita elite intelectual e perpetuar a cultura do preconceito. A tarefa mais importante talvez seja evitar que essa cultura seja absorvida pelas classes pobres. Mas isso só será possível com a criação de uma identidade cultural inclusiva da própria das periferias (raça, sexo, etc.), e com a ascenção social delas.
    Parabéns, pelo texto, excelente.

  30. [...] não podemos negar que há uma tendência ao crescimento do percentual de jovens de classe média que não são simplesment…. Que não têm vergonha de expressarem opiniões totalmente preconceituosas (e que eles não acham [...]

  31. Creio ser este apenas fruto de uma sociedade baseada na MANIPULAÇÃO, uma sociedade que tem um conceito de DIGNIDADE HUMANA restrito não agraciando a individualidade e a personalidade racional, fazendo das pessoas apenas massa para atender suas necessidades.

    ótimo post, Luiz Carlos Prestes é um boçal, tipo de gente que fala oque quer e não ouve oque não quer, mas um dia ainda morde a lingua, rs…

    att, Fernando Bueno
    http://www.manipulacao.worpress.com

  32. Igor Natusch disse:

    Toda lei tem agravantes e atenuantes, Cleberson. A manifestação de preconceito está sendo tipificada como um agravante, simples assim. Agredir alguém já é errado, mas agredi-lo enquanto o chama aos gritos de gay é um agravante.

    E o Estado não deve “aceitar os costumes de seu povo”. Não é prerrogativa do Estado aceitar condutas ilegais por serem supostamente parte dos hábitos ou ideias comuns de uma população. Se assim fosse, “costumes” do tipo espancar os filhos, tirar crianças da escola para que possam trabalhar, impedir negros de entrar em alguns CTGs etc teriam que ser aceitos pela lei, o que todos sabemos que não ocorre. O senso comum longe está de ser um retrato do que é correto para uma população – ele reproduz preconceitos, desconhecimentos e violências que, pela repetição, se tornam socialmente tolerados. A lei deve defender TODOS os cidadãos, e não deixar alguns deles sem defesa em nome de um suposto “respeito” a hábitos e costumes.

  33. FELIPE NUNES
    creio que nãos seja o caso de termos um pais sem leis rigidas, o grande problema é que a Midia principalmente televisiva tem um PODER muito grande MANIPULANDO não só as pessoas como o próprio poder Judiciário, hoje em dia é impossivel limitar esse poder.

    att, Fernando Bueno
    http://www.manipulacao.wordpres.com

  34. Meu Caro,
    Se tratando de pessoas nós não temos o direito de gostar ou não daquilo que elas são, nossa liberdade de opinião entra em conflito com a visão de igualdade dos Direitos Fundamentais de Segunda Geração postos principalmente apos os estragos dos governos Nazi/Fascistas do século passado, Deste conflito de Direitos o primeiro sucumbe diante do segundo.

    Agora veja bem, não temos direito de não gostar do que uma pessoa é mas nada nos impede de achar errado alguma de suas atitudes, ou seja uma simples troca de postura trazendo respeitosamente os pontos que vc acha de errado em uma cultura ou em um determinado grupo social seria muito mais enriquecedor.

    att, Fernando Bueno
    http://www.manipulacao.wordpress.com

  35. Concordo em algumas coisas contigo,
    principalmente quando deve se aceitar os contratos de união homoafetiva, agora oque me espanta nas discussões sobre o casamento de pessoas do mesmo sexo é que se os contratos de união homoafetiva já contempla todos os direitos que eles poderiam ter como casados o porque deles quererem a regulamentação do casamento? a unica resposta que me parece ser plausivel é para obrigar principalmente as religios que não aceitam esse tipo de relacionamento a aceitarem, a liberdade religiosa é algo muito preservado em nossa sociedade e não acho certo obrigar um padre ou um pastor a realizar tal serimonia que vai contra suas crenças religiosas, as pessoas tem que se adaptar as religiões mais antigas e não as religiões se adaptar aos anseios das pessoas.

    att, Fernando Bueno
    http://www.manipulacao.wordpress.com

  36. Igor,

    Tu esquece que os COSTUMES tambem são uma fonte do direito, isso fato, oque quer dizer se os costumes de um povo é ser conservador e não aceitar uniões homoafetivas o estado seria tirano se fizesse isso.
    é oque acontece no Brasil, se não fosse a apologia feita pelos meios de comunicação em defesa do homosexuallismo estariamos muito longe de qualquer aceitação desta condição.
    mas a midia parte do présuposto de que se ela não pode oferecer a melhor condição ela confunde e tenta convergir todos os gostos, ela faz apologia ao discriminalização de um lado e de outro ela cria polemicas para agradar os conservadores, assim parece que ela esta sendo imparcial, mas na verdade esta manipulando a todos e fazendo oque bem entende,

    att, Fernando Bueno
    http://www.manipulacao.wordpress.com

  37. [...] resposta ao post que escrevi contra o preconceito de um modo geral, mas de modo especial a homofobia, recebi ontem comentários no Twitter que me deixaram, mais uma vez, um tanto chocada. No início [...]

  38. [...] não podemos negar que há uma tendência ao crescimento do percentual de jovens de classe média (que está em expansão) …. Que não têm vergonha de expressarem opiniões totalmente preconceituosas (e que eles não acham [...]

  39. [...] não podemos negar que há uma tendência ao crescimento do percentual de jovens de classe média (que está em expansão) …. Que não têm vergonha de expressarem opiniões totalmente preconceituosas (e que eles não acham [...]

  40. [...] Jovens e conservadores: alguma coisa está fora do lugar Novembro, 2010 41 comentários e 4 “Likes” no WordPress.com, 4 [...]

  41. Débora disse:

    Ano passado, em uma das minhas aulas de sociologia a professora propôs que minha turma fizesse um debate sobre “Sexo e Sexualidade”. Eu fiquei impressionada com o discurso homofóbico que predominava. Eu sempre soube que a homofobia era muito comum, mas quando todas aquelas pessoas que eu cresci com, ótimas pessoas, inteligentes, engraçadas e acolhedoras, todas elas dizendo o quanto era errado, anti-natural, falta de vergonha na cara ou falta de correção dos pais a altura – eu fiquei boquiaberta. Tanto que no dia seguinte me senti moralmente obrigada a escrever um post no meu blog sobre isso. http://youdestroythingsyoulove.wordpress.com/2010/05/04/sexo-e-sexualidade/
    É claro pra mim hoje que algo está muito errado com essa nova geração, irracional, preconceituosa, abertamente intolerante e violenta.

  42. Marcello Caio Ferreira disse:

    queridas criaturas,
    uma vez eu vi uma imagem, vocês devem conhecer: “my mind, my body, my choice”, em alusão à escolha da mulher de abortar ou não. Vou rearranjar um pouquinho isso: “your mind, your body, your MISTAKE. Who shall pay for?” Quem deve pagar pelo SEU erro? Um feto condenado à morte sem qualquer direito de defesa? Gostaria de ter mais tempo a fim de desenvolver o argumento – biológico, diga-se de passagem, nada religioso – de que aquele ser, aquele zigoto é um ser completamente diferente da mulher que o carrega. Não é CORPO DA MULHER, é um OUTRO SER humano (espere, acho que é um símio, na verdade, não um humano… um felino, talvez, um quiróptero… não?!) que vocês querem fazer com que pague pelos erros de vocês.
    Espero ter tempo para comentar posteriormente.

  43. [...] Parece piada, mas não é. Trata-se da “União Conservadora Cristã”, extrema-direita dos estudantes da USP – um legítimo Tea Party universitário no Brasil. Jovens apenas na idade, pois de cabeça são uma das coisas mais velhas que já vi. [...]

  44. [...] texto do blog Somos Andando, entitulado Jovens e Conservadores: Alguma coisa está fora do lugar, mostra que hoje a esquerda não está sendo capaz de entender os novos movimentos da direita. [...]

  45. Vitor Grando disse:

    Lamentável esse post. É um retrato das péssimas condições do jornalismo deste país. É preciso ser muito desonesta para dizer que ser conservador é odiar gays, pobres, nordestismos, etc.

    Essa autora, aliás, todos vocês, deveriam ler Russel Kirk, Edmund Burke, Tocqueville, Oakeshott para, então, saberem exatamente o que é conservadorismo político.

    Esse texto não passa de uma falácia de ataque ao espantalho. Triste.

  46. Vitor Grando disse:

    Vale lembrar que praticamente todos os regimes comunistas foram CONTRA os homossexuais e, esses governos sim, perseguiram e mataram-nos. Por que omitir essa informação?

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