Houve um tempo em que os trabalhadores não podiam lutar em conjunto por melhores condições de trabalho e salários minimamente dignos. Era uma época de jornadas intermináveis e extenuantes. Um período da nossa história em que mulheres não podiam parar para amamentar seus filhos e não se podia faltar ao trabalho para atendimento médico ou em caso de morte de parente.

Tempos difíceis, em que muito poucos ficavam com o lucro do árduo trabalho de muitos (ops, isso continua). Um trabalho muito mais árduo do que o que vemos hoje. E o trabalhador que reclamasse era substituído, sem direitos trabalhistas ou possibilidade de unir forças para reivindicar dignididade.

Os direitos foram sendo incorporados aos poucos, em uma luta que remonta à Revolução Industrial inglesa, mas a transcende. Foi ali que ela começou a se intensificar, até pelo alto nível de exploração de mão-de-obra nas indústrias que surgiam. Ao longo do tempo, foram-se constituindo os sindicatos, uma forma de organizar os socialmente frágeis trabalhadores para torná-los mais fortes frente a um patrão poderoso. Através deles, muitas conquistas foram possíveis. O direito de greve, por exemplo, está intimamente ligado à capacidade de organização, e é um importante instrumento de pressão da classe trabalhadora.

Com a evolução da luta, os sindicatos se tornaram lei em muitos países. Hoje em dia, foram incorporados totalmente à nossa sociedade. No Brasil, especialmente desde o governo de Getúlio Vargas, com seu trabalhismo que legalizou os sindicatos. Eles viraram referência, em diversas nações, para a elaboração de política econômica e ganharam relevância.

Em tempos de neoliberalismo, os sindicatos reduzem juntamente com a importância dos trabalhadores. O livre mercado defende a aniquilação – ou o eufemístico “flexibilização” – das leis trabalhistas. De forma que, de uns tempos pra cá, já vem se fazendo notar a pressão dos setores empresariais por uma revisão nos direitos dos trabalhadores. No fundo, uma volta às leis que regiam os séculos XVIII e XIX, quando a luta de trabalhadores em Chicago (Estados Unidos), duramente reprimida, deu origem ao 1º de maio e fortaleceu o reconhecimento da classe operária.

Nos mesmos Estados Unidos, agora o retrocesso se confirma. Os deputados do estado de Wisconsin aprovaram na última quinta-feira (10) uma lei já votada pelo Senado na véspera para extinguir os sindicatos de representação dos servidores públicos, em uma manobra dos republicanos que reduziu a exigência de quórum. Dessa forma, puderam votar mesmo com a ausência dos democratas, que saíram do estado na expectativa de impedir a aprovação da lei. A previsão é de endurecer ainda mais a relação com os trabalhadores, que já inspiram outros estados, e diminuir o papel do Estado, com cortes sociais.

Resta a esperança de que este não seja um sinal de uma tendência mundial, imitando um relativo pioneirismo norte-americano em diversas causas sociais, inclusive as trabalhistas.

4 Comentários

  1. Não esqueçamos, Cris, que o Brasil também andou ‘flexibilizando’ as regras para a concessão do Seguro Desemprego. A desculpa, quer dizer, a justificativa é o combate às fraudes, mas na prática, todos podemos perceber, trata-se apenas de dificultar o acesso a um direito legítimo do trabalhador.

  2. Ticiano disse:

    Oi Cris,

    Relacionado com isso, dá uma lida nesse texto, quase faz rir, mas depois a gente nota o extremo que se chega:

    http://www.baguete.com.br/blog/quentinhas/14/03/2011/gestao-surrealista

    É sobre o que as empresas de TI fazem para driblar a fiscalização e continuar abusando dos funcionários que precisam se submeter como PJ.

  3. [...] Houve um tempo em que os trabalhadores não podiam lutar em conjunto por melhores condições de trabalho e salários minimamente dignos. Era uma época de jornadas intermináveis e extenuantes. Um período da nossa história em que mulheres não podiam parar para amamentar seus filhos e não se podia faltar ao trabalho para atendimento médico ou em caso de morte de parente. Tempos difíceis, em que muito poucos ficavam com o lucro do árduo trabalho de muit … Read More [...]

  4. José Ernesto M. de Oliveira disse:

    Prezado Alves Rodrigues, não me tornarei prolixo.
    O maior Direito que devemos adquirir, é sempre o Direito de Trabalhar, nos vestirmos, alimentarmos, ir e vir, estudarmos, enfim. Oferecer Cestas básicas sem reintegrar ao Emprego, significa jogar as Pessoas à ESCRAVIDÃO, sem ao menos ter-se a dignidade de uma VIDA PRÓPRIA, de cabeça erguida.
    Abraços Fraternos.
    José Ernesto Mello de Oliveira – São Leopoldo,RS.

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