Parece sutil, difícil de notar na leitura rápida, mas o discurso de Rosane Oliveira no julgamento do mensalão, ainda antes de ele começar, já carrega em si o julgamento da jornalista.

“Ao final, os ministros vão dizer ao país se é legal o partido que está no poder distribuir dinheiro a seus aliados, pagar prestadores de serviço no Exterior, com dinheiro de origem escusa, financiar a boa vida dos membros do próprio partido com recursos supostamente emprestados por bancos cujos administradores também estão no banco dos réus.”

Presta atenção, caro(a) leitor(a)! A construção da frase da jornalista, editora de política de Zero Hora, deixa em aberto apenas a dúvida sobre a legalidade dos atos, mas já fechou questão sobre se eles foram ou não realizados.

Toda a defesa dos réus é baseada na ideia de falta de provas dos supostos crimes, ou seja, de que eles podem não ter acontecido (pelo menos não todos e não do jeito que a imprensa pintou), mas, aparentemente, Rosane não precisa delas. A jornalista já decidiu que houve tudo aquilo que ela cita ali. E isso antes de o julgamento começar. E mesmo a tese do pagamento mensal em troca de votos já ter ido por água abaixo, já ter sido escancarado que isso foi uma invenção da imprensa.

Nem os ministros do STF, que já leram o gigantesco processo, devem chegar ao começo do julgamento com decisão tomada. Jornalista pode? E pode passar isso para o leitor como informação?

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Infelizmente, hoje não deu tempo de ler com atenção a pré-cobertura de outros veículos sobre o julgamento do mensalão. Só na Zero Hora tinha muito mais detalhes (daqueles que são pequenos, mas fazem toda a diferença) pra apontar, mas decidi não incomodar tanto o leitor e mostrar apenas aquilo que escancara a postura do jornal, de posição já tomada, a ser defendida com unhas e dentes ao longo de todo o processo. Vale acompanhar com os dois pés atrás.

6 Comentários

  1. Olha, sou leigo, sem partido político, mas em partes vou concordar com ela: tudo isto existiu. A gora a justiça, vai a moda dela dizer se foi legal ou não. Ou tu acha que nada disso aconteceu?

  2. José Ramos disse:

    Lá vem teoria da conspiração… Querer fechar os olhos para a existência do mensalão só porque os réus são os “cupanhero” de esquerda é muito mau-caratismo. Se os réus fossem do PSDB, aposto que não veríamos esse discursinho falacioso de “tão condenando sem provas”, hahahaha.

  3. Ismael disse:

    ‘Querer fechar os olhos para a existência do mensalão só porque os réus são os “cupanhero” ‘

    Tipo a imprensa está fazendo para tudo que é revelado na CPI do Cachoeira.

    Envolvimento do diretor da Veja que era praticamente pau mandado do mafioso.

    É José, de fechar os olhos quando a acusação não te interessa, tu entende bem pelo jeito. O estilo de “imparciais” que tem tanto por aí.

  4. Crime existiu, até o Lula admitiu isso quando presidente a versão é de que se tratava de crime eleitoral, o famoso caixa 2 dinheiro do fundo partidário; o mesmo que o PT-RS acusou Yeda em relação a compra da casa, mas a diferença é que os valores da ex governadora eram infinitamente inferiores aos do caso do PT.

    O STF vai decidir se houve crime eleitoral ou se houve mesmo mensalão.

  5. Ricardo disse:

    Insistir em dizer que o PT é esquerda é mesma coisa que dizer que tudo o que acontece no congresso é legal…

  6. Ricardo disse:

    Pode até estar dentro da “legalidade” deles, mas com certeza longe de qualquer moral e sem fundamentos éticos.

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