Toda vez que acontece um estupro

Toda vez que, por um motivo qualquer, a notícia de um estupro se destaca sobre os diversos que acontecem todos os dias a gente aprende algumas coisas.

Sempre tem um homem (na verdade sempre tem vários) pra nos ensinar o que é de fato um estupro e explicar se aquele em questão pode ser chamado de estupro ou não.

Aí um homem também vem nos provar por a + b que a mulher agiu errado em algum momento (usou a roupa errada, tava no lugar errado, tomou as providências erradas) e, portanto, ela tem responsabilidade sobre o próprio estupro ou por outros a serem cometidos. Mais que o próprio estuprador, muitas vezes.

Um homem também aproveita o momento para nos ensinar quais os procedimentos corretos a serem adotados pela mulher e como ela deve se sentir depois de ser estuprada.

De vez em quando aparece um juiz homem pra nos ensinar o que configura violência ou constrangimento em um estupro. Aparentemente, ejacular em cima de uma mulher num ônibus sem ela querer e sequer conhecer o cidadão é de boa.

Nesses momentos a gente aprende também que todo mundo odeia estuprador. Até que acontece um estupro. Aí veja bem não é bem assim não vai acabar com a vida do cara tem que ver se tem provas pode ser denúncia falsa não dá pra confiar só na palavra da mulher… E quem diz isso são os mesmos que depois acusam a galera “dos direitos humanos” de defender estuprador.

Outra coisa que a gente acaba aprendendo é que sempre tem que apelar pro “imagina se fosse tua mãe/irmã/filha” porque a imensa maioria dos homens não consegue se colocar no lugar de uma mulher simplesmente por ela ser uma pessoa sofrendo uma violência.

Topei com todas essas coisas nesses últimos dias lá no twitter. Um monte de aprendizados.

Esqueci de alguma coisa?

Toda vez que acontece um estupro

meu partido é o rio grande?

“meu partido é o rio grande”, diz sartori.

gente, eu jurava que o partido dele era o pmdb. aliás, o mesmo pmdb do governo britto, partido do qual sartori foi líder na assembleia. governo que negociou as bases da dívida que o rs tem hoje. o monstro que todo mundo discute como resolver. sartori diz que quer acabar com a dívida, mas esquece de dizer que ajudou a criá-la.

ana amélia esquece de dizer que era cc do marido no senado enquanto era diretora da rbs e que não cumpria a carga horária.

como tem gente esquecendo de dizer coisa, né?

meu partido é o rio grande?

Mulheres na Casa Branca e a técnica para serem ouvidas

Mulheres são muito mais interrompidas que homens em reuniões, por ambos os gêneros, isso é fato. Diante disso, segundo texto do site Quartz, mulheres da Casa Branca começaram a usar uma técnica muito simples: quando uma mulher diz alguma coisa interessante ou dá alguma ideia boa, outra repete a ideia, dando o crédito pra original. Genial. O texto completo, em inglês, está aqui.

Mulheres na Casa Branca e a técnica para serem ouvidas

A volta do primeiro-damismo celebrada pela mídia

marcelaé difícil escolher por onde começar aqui, viu. são tantos problemas em um texto só que tá complicado. listo quatro: puxa-saquismo, machismo, futilidade e total desconhecimento (pra não dizer que é o posicionamento da empresa mesmo) em relação às políticas sociais. lá pelas tantas, a matéria diz: “A ocasião pedia um traje mais imponente, mas o novo rosto das causas sociais brasileiras, função intrínseca ao cargo de primeira-dama, preferiu o jogo político da moda.”

pra folha (ou, pelo menos, pro cidadão que assina o texto), política social é função intrínseca ao cargo de primeira dama. voltamos aos tempos em que política social era assistencialismo, caridade. deixemos de lado a política social que emancipa, que transforma. deixemos de lado a “política” do social.

parece pequena essa diferença de abordagem, mas é crucial. muda tudo. é um retrocesso sem tamanho. triste demais.

A volta do primeiro-damismo celebrada pela mídia

Mais investimentos ou Estado mínimo? Qual é, afinal, a linha editorial dos grandes grupos de comunicação?

Resposta: a que convém ao momento.

Ok, acho que um dos papéis do jornalismo é apontar os problemas nos diversos serviços públicos (deveria falar mais de empresas privadas também, mas deixemos isso pra um outro momento). Mas quando se fala SÓ dos problemas de uma política que se sabe que teve muitos avanços, o jornalismo já não está mais cumprindo seu papel.

Hoje a rádio de maior audiência do estado entrevistou professores de escolas da rede pública estadual para que falassem de problemas de infraestrutura nas suas unidades. Nenhuma escola que foi reformada foi convidada a participar, pelo menos na parte do programa que eu ouvi. Dessa forma, a rádio instaura um cenário de caos, mas que é um cenário parcial, que não corresponde ao todo da realidade. Cria uma percepção do todo com base na parte e não contribui para a compreensão da situação da educação no Estado. Aí vão alguns poucos dados que mostram alguns dos avanços:

– 63 escolas já têm um computador por aluno

– embora ainda bem longe do ideal, os professores da rede pública estadual receberam 76,68% de aumento e nenhum percebe, na prática, menos que o piso

– 5,5 mil novos professores foram nomeados

– 1.800 escolas foram reformadas ou receberam algum tipo de intervenção, totalizando R$ 300 milhões em investimentos

Crianças do projeto Província de São Pedro usando computadores

Aqui é possível encontrar mais informações sobre o programa Província de São Pedro, que tem como objetivo destinar um computador por aluno da rede estadual.

Educação é um ponto sensível, sim, até porque foi o tema escolhido pela mídia para fazer a oposição mais pesada. Toda a estrutura, desde as instalações até os recursos humanos estavam completamente defasados. Lembram das escolas de lata?

Ainda está longe do ideal? Claro! Os professores seguem ganhando pouco, as escolas ainda não estão adaptadas às necessidades do século XXI – muitas ainda nem às do século XX -, mas na política a gente sempre tem que avaliar em perspectiva, e comparar é fundamental. Quando antes houve avanços tão grandes em tão pouco tempo na educação no Estado?

Pois é.

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Aliás, vale dar uma bisoiada também (quer dizer, não vale muito) na coluna da Maria Isabel Hammes, na editoria de Economia da Zero Hora hoje (6). Ela defende claramente uma política de redução de investimentos, de corte de gastos, para que se consiga diminuir a dívida do Estado. Mais ou menos o que fez o governo Yeda, que parou de investir e estagnou o Estado. Que andou pra trás. Isso no mesmo dia que o seu colega critica repetidamente a situação das escolas.

Mas, peraí, é pra investir ou não? Percebam que a equação do Grupo RBS não funciona. Como melhorar os serviços e aplicar a política do Estado mínimo ao mesmo tempo? Pra andar pra frente, pra funcionar, o Estado precisa de investimentos. A política de incentivo ao desenvolvimento aplicada pelo Governo Tarso se baseia justamente no aumento de investimentos, na recuperação da estrutura do Estado. Mas infelizmente muitos desses investimentos ainda estão recuperando o rombo causado pela inércia dos serviços públicos na gestão anterior. Ainda restam muitos problemas, sem dúvida, mas, repito, é preciso ver em perspectiva. E aí se percebe o tanto que se vem avançando.

O que não dá é pra pedir escolas melhores, salários melhores, estradas melhores, novos hospitais, mais médicos e assim por diante e ao mesmo tempo pedir redução de impostos e corte de gastos. Afinal, é Estado mínimo ou é mais Estado? Podiam pelo menos definir uma linha de raciocínio, pra criticar de um jeito um pouco menos contraditório.

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Foto: Camila Domingues/Palácio Piratini

Mais investimentos ou Estado mínimo? Qual é, afinal, a linha editorial dos grandes grupos de comunicação?

DEMOCRACIA E PARCERIA, por Luiz Inácio Lula da Silva

São gravíssimos os atos de espionagem praticados pela NSA – a Agência Nacional de Segurança dos EUA – contra os Chefes de Estado do Brasil e do México. Nada, absolutamente nada pode justificar a interceptação de telefonemas e a invasão da correspondência reservada dos Presidentes da República de países amigos, ferindo a sua soberania e desrespeitando os princípios mais elementares da legalidade internacional. E é mais grave ainda que importantes autoridades norte-americanas tenham querido legitimar tal agressão com o argumento de que os EUA estariam “protegendo” os interesses dos nossos países.

À medida que a verdade dos fatos vai sendo revelada, fica evidente que, no caso brasileiro, além da Presidente Dilma Rousseff, a Petrobrás, nossa empresa petrolífera, também foi espionada pela NSA, o que desmente as alegadas – e já por si inaceitáveis – razões de segurança.

A inadmissível ingerência nos assuntos internos do Brasil e as falsas razões alegadas provocaram a indignação da sociedade e do governo brasileiros. A Presidente Dilma Rousseff já questionou diretamente o Presidente Barack Obama sobre o problema e aguarda uma resposta convincente, à altura de sua gravidade.

O governo brasileiro está tratando o caso com a maturidade e o sentido de responsabilidade que caracterizam a Presidente Dilma Rousseff e a nossa diplomacia – mas é impossível subestimar o impacto que ele pode ter, se não for adequadamente resolvido, para as relações Brasil-EUA.

Basta imaginar o escândalo e a comoção que aconteceriam nos Estados Unidos se algum país amigo interceptasse ilegalmente, sob qualquer pretexto, os telefonemas e a correspondência reservada de seu Presidente.

O que leva um país como os EUA, tão justamente ciosos de sua democracia e de sua legalidade internas, a afrontarem a democracia e a legalidade dos outros? O que faz pensar às autoridades norte-americanas que elas podem e principalmente devem agir de modo tão insensato contra um país amigo? O que as faz acreditar que não existe nenhum inconveniente moral ou político em desrespeitar o Chefe de Estado, as instituições e as empresas do Brasil ou de qualquer outro país democrático?

E o mais inexplicável é que essa flagrante ofensa à soberania e à democracia brasileiras acontece num contexto de excelentes relações bilaterais. O Brasil, historicamente, sempre valorizou as suas relações com os Estados Unidos. Nos últimos dez anos, trabalhamos ativamente, e com bons resultados, para ampliar ainda mais a interação econômica e política do Brasil com os EUA.  Mantivemos ótimo diálogo institucional e pessoal com os seus governantes. Apostamos em uma parceria de fato estratégica entre os dois países, baseada em interesses comuns, sem prejuízo do nosso esforço pela integração da América Latina e de um maior intercâmbio com a África, a Europa e a Ásia.

Para isso, não hesitamos em enfrentar a desconfiança e o ceticismo de amplos setores da opinião pública brasileira, ainda traumatizados pela participação direta do governo norte-americano no golpe de Estado de 1964 e o seu permanente apoio à ditadura militar (como, de resto, a outras ditaduras militares do continente). Nunca duvidamos de que aprofundar o diálogo e fortalecer os laços econômicos e diplomáticos com os Estados Unidos fosse a melhor maneira de ajudá-los a superarem aquela página sombria das relações interamericanas, e a sua política de ingerência autoritária e antipopular na região.

No episódio atual, se ambos os países querem preservar o muito que as nossas relações bilaterais avançaram nas décadas recentes, cabe uma explicação crível e o necessário pedido de desculpas dos EUA. Mais do que isso: impõe-se a sua decidida mudança de atitude, pondo fim a tais práticas abusivas.

Os EUA devem compreender que a desejável parceria estratégica entre os dois países não pode assentar-se na atitude conspirativa de uma das partes. Condutas ilegais e desrespeitosas certamente não contribuem para construir uma confiança duradoura entre os nossos povos e os nossos governos.

Um episódio como esse, por outro lado, demonstra o esgotamento da atual governança mundial, cujas instituições, regras e decisões são frequentemente atropeladas por países que muitas vezes confundem seus interesses particulares com os interesses de toda a comunidade internacional. Demonstra que é mais urgente do que nunca superar o unilateralismo, seja ele dos EUA ou de qualquer outro país, e criar verdadeiras instituições multilaterais, capazes de conduzir o planeta com base nos preceitos do Direito Internacional e não na lei dos mais fortes.

O mundo de hoje, como ninguém ignora, é muito diferente daquele que emergiu da 2ª Guerra Mundial. Além da descolonização africana e asiática, diversos países do sul se modernizaram e industrializaram, conquistando importantes progressos sociais, culturais e tecnológicos. Com isso, adquiriam um peso muito superior no cenário mundial. Hoje, os países que não fazem parte do G-8 representam nada menos que 70% da população e 60% da economia do mundo. Mas a ordem política global continua tão monopolizada e restritiva quanto no inicio da guerra fria. A maioria dos países do mundo está excluída dos verdadeiros espaços de decisão. É injustificável, por exemplo, que a África e a América Latina não tenham nenhum membro permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas. Ou que a Índia esteja fora dele. A governança global precisa refletir o mundo contemporâneo. O Conselho de Segurança só será plenamente legítimo e democrático – e acatado por todos – quando as várias regiões do mundo participarem dele, e os seus membros não defenderem apenas os próprios interesses geopolíticos e econômicos, mas representarem efetivamente o anseio de todos os povos pela paz, a democracia e o desenvolvimento.

Esse episódio e outros semelhantes apontam também para uma questão crucial: a necessidade de uma governança democrática para a internet, de modo que ela seja cada vez mais um terreno de liberdade, criatividade e cooperação – e não de espionagem.

* Luiz Inácio Lula da Silva é ex-presidente do Brasil

DEMOCRACIA E PARCERIA, por Luiz Inácio Lula da Silva

Anúncio do pibão evidencia partidarismo da imprensa

Não foi em tom de dúvida. O caderno Dinheiro da Zero Hora de domingo foi uma constatação, uma certeza de que o Rio Grande do Sul não tem chance. Uma frase atrás da outra montando um retrato de caos. As contas do estado não fechariam, o crescimento seria ínfimo, quase sem salvação. Quer dizer, salvação até teria, mas seria preciso “reinventar-se outra vez, encontrar um rumo, tomar as decisões certas”. Ou seja, não com o governo que aí está, esse sem rumo.

Essa é a mensagem, claríssima, de um jornal que assume, neste caderno mais do que nunca, sua posição de oposição ao governo do estado. Vale dizer o que for, mesmo que não seja bem verdade.

Nem me refiro a uma frase específica. Vários problemas de fato existem, mas eles são descontextualizados, parecem fruto exclusivamente da política atual e termina que a narrativa constrói uma história que não corresponde com a realidade. Os números usados são de 2011, mas isso aparece no cantinho do gráfico, escondidinho. Em nenhum momento o texto deixa claro que o caos que eles estão mostrando não é atual, pelo contrário. Mas aí não passou nem uma semana e veio o anúncio de que o PIB gaúcho no 2º trimestre foi de 15%. Quinze por cento! Padrão chinês de crescimento, acima de qualquer indicador nacional. Mas lá na matéria do Itamar Melo e do Nilson Mariano está: “continuaremos a crescer mais devagar do que o Brasil nos anos vindouros”.

E é assim em todos os veículos do grupo. Num dia (terça, 10), a Gaúcha fala em risco de desemprego por retração da indústria no estado. No dia seguinte, a Zero Hora tem que dar o PIB de 15% por causa da "supersafra de grãos e da produção industrial". Não é de hoje que a RBS se comporta como partido. E não é de hoje que repudia qualquer ação desenvolvimentista, mas agora consegue dar uma volta e criticar a política desenvolvimentista do governo Tarso por… falta de desenvolvimento!

Mas não faltam investimentos e o estado cresce, como ficou provado poucos dias depois. O relatório da Fundação de Economia e Estatística (FEE) mostra muito claramente o cenário e evidencia essa postura partidária do grupo de comunicação. Aliás, escancara a manipulação da informação.

E, assim, na boa, comparar crescimento e políticas de 2013 com a República Velha é risível.

Anúncio do pibão evidencia partidarismo da imprensa