Prazer, Cris

Ontem falei um pouco sobre o que vai ser o blog. Agora, apresentar-me-ei.

Para quem ainda não me conhece, prazer, Cris. Na verdade Cristina Pasqualetto Rodrigues, mas esses acessórios todos são pouco usados. Minha história começou há 23 anos, em uma primavera de Brasília, quando meus pais e o acaso fizeram com que eu nascesse longe dos pampas. Mas enfim, essa parte não é tão fundamental agora, certo?

Esses mesmos de quem falei foram responsáveis não só pelo meu nascimento. Junto com mais uma cambada, fundaram, em 1980, um partido. Na época, era praticamente revolucionário, algo inédito na história do Brasil, porque começou por baixo, não pela elite. Era feito por trabalhadores, de onde veio o seu nome. Isso foi alguns anos antes daquele 1986 em que vim ao mundo, mas influenciou decisivamente na minha história. Pelo menos na minha forma de ver as coisas.

Pais de esquerda em famílias conservadoras são um luxo para poucos, e eu fui uma dessas felizardas. Hoje eles continuam bastante petistas. Eu, embora filiada desde os meus 16 anos, já mudei pacas a minha relação com o partido. Não fui para o PSOL nem desisti de acreditar em partido político. Tampouco continuo petista como antes. Digamos que tenho uma série de críticas ao PT e ao governo Lula – muitas mesmo -, mas reconheço que é o melhor governo que o Brasil já teve. E sim, me emociono junto com o Lula, sempre que ele chora. Mas isso talvez seja pelo fato de ser um metalúrgico que chegou lá, ou só porque eu sou uma boba mesmo.

De resto, essa ideologia toda que meus pais me passaram fizeram com que eu visse que o que eu leio nos jornais não é exatamente a verdade que eu vejo nas ruas. Nunca é a minha verdade que está naquelas páginas. É a de alguém, mas nunca a minha. Às vezes, só penso diferente dos que escrevem os textos. Às vezes, vejo que a coisa é feita de propósito mesmo, para manipular. E isso me levou ao jornalismo…

Depois de muito pensar e de um primeiro vestibular feito em quatro universidades para quatro cursos diferentes, entrei no tal do Jornalismo da UFRGS. Cinco anos depois, cá estou eu, recém formada. Digamos que as coisas são um pouco mais difíceis do que eu pensava. Primeiro, o curso, bem meia-boca, mas sobre ele eu falo outro dia. O que interessa nele agora é que ele desilude de tal forma seus alunos que muitos dos revolucionários que entraram pra Fabico saíram dela empregados na RBS. Não culpo ninguém, até porque eu saio desempregada e sem dinheiro no bolso, o que também não é solução, mas quero deixar uma pontinha de revolta para eles. Que, mesmo continuando onde estão, pelo menos enxerguem o que acontece. Que mantenham blogs, que pensem em alternativas.

Não é fácil, eu sei. Eu mesma não enxergo essas alternativas. Ou melhor, sei que elas existem, mantenho, junto com o também jornalista recém-formado Alexandre Haubrich um blog de análise de imprensa, o Jornalismo B, mas não ganho nada com isso. Não me sustento, não consigo me tornar independente com isso. Mas é uma luz.

Gostaria, agora, de sair por aí. Conhecer o mundo. Viver em outros lugares. Nada de dois dias em cada cidade. Uns dois anos em cada uma iam bem. Mas não tem coragem de sair a la loca. Preciso de segurança, de alguma coisa certa. De um emprego, um curso. Fora a falta de grana de ir estudar fora por conta, o medo de ir pra Europa sem emprego garantido. Se alguém souber de alguma coisa… Pode ser na Argentina, na Venezuela, no Paraguai…

E com isso, acho que apresento meu lado profissional e ideológico, meio por cima. Sei que a maioria dos que estão lendo já sabem disso tudo. Mas a prepotência impera, e cá estou eu escrevendo como se tivesse centenas de leitores que não me conhecem. Quem sabe um dia…

Prazer, Cris

10 comentários sobre “Prazer, Cris

  1. Cris, o PT é de 1980… Tanto que daqui a uma semana completará 30 anos. 😉

    Quanto aos desejos, eu também morro de vontade de conhecer outros lugares, viver em outras cidades (ainda mais agora que Porto Alegre é o lugar mais quente do mundo, hehe), outros países. Mas também me falta grana, e não iria pra outro lugar sem nada garantido – tipo Montevidéu, uma cidade que deve ser muito boa de se morar, mas arranjar emprego lá não é coisa fácil…

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  2. Boa sorte, seja bem-vinda à blogosfera, e tente concursos, melhor que ir ao Paraguai, Venezuela, venha ao Rio ou a Brasília, senão no jornalismo faça algum pra nível médio e comece sua vida concursada, mais estável e planejada impossível.

    Espero realmente que traga bons textos e enriqueça nossa blogosfera, sempre sangue novo é muito bom, novas idéias, uma nova mente pensando junto esse nosso Brasil do século XXI, um Brasil pra gente boba como a gente que chora ao sentir cada conquista, a perceber que as coisas estão evoluindo, com tanta luta, e sobrepondo tanta gente que rema contra.

    Busque uma renda firme e use a internet como um hobby que em breve virá a dar frutos, pode ter certeza. Nenhum esforço é em vão! Boa sorte!

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  3. Daniel disse:

    Ah… guria.
    Permaneça sempre à esquerda. Pois é a direção da humanidade pela qual tu demonstras uma tenaz luta…
    Parabéns pelo blog.
    Um grande abraço,
    Daniel.

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