Homenagem a Porto Alegre

Deixei passar em branco o aniversário da cidade que tanto admiro. Mas Porto Alegre merece uma homenagem, mesmo que atrasada. Então, nada mais justo do que lembrar o poeta que mais a sentiu, em um texto que marcou minha infância. Meu pai tem um quadro da poesia de Mário Quintana pendurado na parede do seu apartamento. Um apartamento antigo, no Centro da cidade, em uma das avenidas mais significativas de Porto Alegre.

A Borges de Medeiros é não só importante urbanisticamente, por ser a primeira via a expandir a cidade para além da área central, como carrega em si uma beleza sinuosa que vai da vista do alto de seu viaduto de uma escadaria como que desenhada degrau a degrau até os paralelepípedos que se conservam em pleno XXI e enchem de prazer os olhos e os ouvidos de quem por eles circula.

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O MAPA

Olho o mapa da cidade
Como quem examinasse
A anatomia de um corpo…

(É nem que fosse o meu corpo!)

Sinto uma dor infinita
Das ruas de Porto Alegre
Onde jamais passarei…

Há tanta esquina esquisita,
Tanta nuança de paredes,
Há tanta moça bonita
Nas ruas que não andei
(E há uma rua encantada
Que nem em sonhos sonhei…)

Quando eu for, um dia desses,
Poeira ou folha levada
No vento da madrugada,
Serei um pouco do nada
Invisível, delicioso

Que faz com que o teu ar
Pareça mais um olhar,
Suave mistério amoroso,
Cidade de meu andar
(Deste já tão longo andar!)

E talvez de meu repouso…

Homenagem a Porto Alegre

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