Sobre a corrupção

Coisa das mais irritantes é entrar numa loja e o vendedor, sem falar nada, grudar em ti. Ele se para a uns dois metros de distância e fica te cuidando, analisando todos os teus movimentos. Tu dás aquela olhadinha de canto de olho pra ver o que ele vai fazer e caminha uns passos. Ele vai atrás. Um inferno.

Se bem que não falta razão, pensando bem. Nunca se sabe quem é um possível ladrão. Outro dia, por exemplo, eu olhava malas em uma loja de um dos shoppings mais grã-finos de Porto Alegre. Nada de ninharia. Pois não é que ouço um cliente perguntando em (bem) alto e bom som ao vendedor por quanto sairia a mala sem a emissão de nota fiscal, ou seja, sem o pagamento dos devidos impostos? Parece bizarro, coisa de outro mundo, quer dizer, de Brasília, mas é roubo, sim. É corrupção.

O vendedor, coitado, não sabia onde se enfiar. Dizia que não estava entendendo o que o cliente queria dizer. Entendia, sim, mas não se deixava corromper. Às vezes não é fácil. Sempre tem um chato cri-cri que complica. Ainda assim o homem – o típico pequeno-burguês (porque esse não era dos grandões, não): branco, sem barba, cabelo bem cortado, razoavelmente bem vestido, gorducho, se acha o dono do mundo – insistia. Queria porque queria ganhar uns trocados na compra da mala.

Pra onde será que ele viajaria com a depravada bagagem? Eu apostaria meus dinheiros no Planalto Central…

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