A última cartada

Hoje a Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia teve quórum. Vai ver foi o sol que saiu de casa e decidiu mostrar que existe em Porto Alegre. Ou talvez tenha sido pressão do governo mesmo. O fato é que a última alternativa de que o movimento que questiona o projeto dispunha para prorrogar a votação foi utilizada hoje. O deputado petista Elvino Bohn Gass pediu vista ao PL 388, que visa conseguir autorização para “permutar ou alienar” o terreno da Fase, e adiou a decisão por mais uma semana.

Mas Bohn Gass quer ir além e apresentar uma lista de dúvidas que o governo teima em não esclarecer em relatório a ser encaminhado na próxima semana à CCJ. O argumento do deputado é de que precisamos ter a segurança por parte do governo “não só de que vai mesmo concretizar o projeto social – afinal, sobre isto, que é o mais importante, o projeto não oferece mais do que duas linhas genéricas – mas também de que o Estado não está entregando à especulação imobiliária uma área nobre a preço de banana.”

As perguntas de Bohn Gass e o resto do texto publicado em seu site:

Quanto vale, afinal, a área da FASE que o governo Yeda quer vender? E quanto custará o processo de descentralização das unidades de atendimento dos menores infratores? Onde serão construídas estas unidades? O governo garante que as novas instalações contarão com pessoal qualificado para atender os internos? O que será feito com as milhares de pessoas que moram na área onde hoje está situada a FASE? Haverá regularização? Como será feito o cadastramento? Estas pessoas vão ser transferidas para outro local? Que outro local? E as áreas de proteção ambiental, como ficam? Quem garante a preservação?

(…)

Bohn Gass cita dois fatos que, segundo ele, justificam todo o cuidado que os deputados de oposição vem tendo com o projeto “O governo só enviou no dia 18 de março deste ano, uma avaliação da área feita em 27 de dezembro do ano passado, 13 dias depois de o projeto ter sido protocolado. Estranho, não é mesmo?”

“Além do mais”, diz o líder petista, “o terreno de 73,3 hectares da FASE, que o governo pretende passar adiante e avalia em R$ 79,3 milhões, ou seja, R$ 1,082 milhão por hectare é uma pechincha se levarmos em conta que, próximo ao local, o Estádio dos Eucaliptos, com dois hectares, foi colocado à venda por R$ 20 milhões.”

Por fim, Bohn Gass menciona a manifestação do Sindicato dos Engenheiros (Senge) que, em nota pública, afirmou que o projeto contém ´flagrantes imprecisões técnicas`. “Sem que tudo isto seja esclarecido, votar este projeto é uma temeridade”, conclui o líder do PT.

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Leia mais:

Do Somos andando:

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Terreno da Fase é patrimônio ambiental e deve ser preservado
A polêmica do terreno da Fase
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Do Jornalismo B:

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A última cartada

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