Ciência pela humanidade

Confesso que eu não estava lá muito empolgada com a presença de Miguel Nicolelis no Fronteiras do Pensamento. Ciência, tecnologia, medicina, neurociência não são exatamente a minha praia. Mas fui. E me dei conta que qualquer atividade pode ser interessante, atraente, porque pode ser desenvolvida para um interesse social. Basta querer e ter um espírito solidário, generoso, humano. E dificilmente alguma atividade tenha uma função social tão importante quanto a medicina.

Para Miguel Nicolelis, a ciência não tem mais fronteiras, é a primeira grande experiência de globalização, mas uma globalização do bem. Seu trabalho com neuropróteses foi desenvolvido em Natal, no Rio Grande do Norte, como uma forma quase teimosa de provar que a excelência científica pode se desenvolver em qualquer lugar do país. E ele defende vigorosamente que haja incentivos para que isso aconteça. Para que pequenas ideias possam se transformar em grandes projetos.

Para isso, diz que “a possibilidade do novo desafiar o consolidado é fundamental para a ciência evoluir”. A ousadia, para ele, é fundamental. Mas ela precisa de incentivo. Então propõe a criação do que ele chama de “banco do cérebro”, para fornecer micro-crédito para a ciência e transformar a ciência básica em inovação. Ou seja, tirar do papel e fazer coisas concretas a partir de ideias de qualquer pessoa. Temos exemplos de inovação tecnológica no Brasil (Embraer, Petrobras…), mas não temos milhares de exemplos, o que só é possível com a capilarização, com crédito.

O conhecimento não está mais restrito. A universidade como ela era concebida não existe mais, porque o conhecimento não está mais fechado nos mosteiros (precursores das universidades). “Para desespero de quem criou um troço chamado universidade, criou-se um troço chamado internet”, afirma. E só como uma observação rápida, mas que eu não podia deixar de citar: isso vale, Miguel Nicolelis enfatizou, também para a mídia.

Mas é importante que o papel dos membros da universidade (enquanto instituição) de levar o conhecimento para a sociedade esteja casado com uma função social. Lembra que nos Estados Unidos grande parte da pesquisa científica é aplicada para fins militares, e defende que o Brasil “pode ser revolucionário até nisso”. O país, que já é “o grande choque do mundo nesses primeiros dez anos do século” tem que contribuir para criar ciência para as pessoas, tem que mandar gente para fora, mas trazer de volta, investir aqui, porque o modelo americano, na sua opinião, não funciona mais, faliu.

Como se não bastassem as opiniões estimulantes e otimistas de Nicolelis (“não, o homem não vai ser engolido pela máquina, ninguém pode reproduzir a história evolucional do ser humano e criar outro ser humano; é biologicamente impossível”), ele é extremamente simpático. Dá uma esperança no futuro da humanidade, sabe?

Ciência pela humanidade

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