Jornalismo tem que ser crítico

A versão impressa do Jornalismo B, que ajudei a construir e que vai ser distribuida daqui a uns dias em alguns lugares que não sei exatamente quais, tem textos já publicados em blogs por aí e três inéditos. Um deles é do Helio Paz, sobre mídias sociais. De política, uma espécie de mash-up sobre o terreno da Fase, que fiz meio na correria. De uma forma geral, está quase tudo espalhado em textos do Somos andando, com alguns detalhes diferentes usados para ligar os excertos. O outro é o editorial, também de minha autoria (na versão impressa há algumas poucas modificações), que publico aqui. Publico porque contém um pouco do que penso sobre o jornalismo brasileiro, sobre a função social da profissão e sobre a minha forma de trabalhar:

Nasce um novo espaço voltado para o debate

O Jornalismo B nasceu com um intuito: ampliar a discussão sobre a imprensa brasileira. Quer ser plural, dialógico, amplo, abrangente. Com espaço para opiniões, colaborações, apoios e divergências. Assim nasce também o Jornalismo B Impresso, com exatamente a mesma proposta de um jornalismo B. B porque é extra-oficial. Mais, é contra-oficial, é crítico. Está à margem, questiona o óbvio. É o lado B do jornalismo, o lado independente, errado, muitas vezes esquecido, o lado traseiro, o lado canhoto, o lado esquerdo. O lado de esquerda.

Com colaborações de um pessoal de respeito que alimenta a blogosfera gaúcha, buscamos levar o debate a um público cada vez maior, para que as opiniões sejam muitas, cada vez mais, e mais diversificadas, representando um público amplo, heterogêneo.

Cris Rodrigues e Alexandre Haubrich assinam esse projeto. Dois jornalistas porto-alegrenses, buscamos sempre o contraditório, o contra-hegemônico. Partimos do pressuposto de que a produção e a distribuição de conteúdo não são democráticas no Brasil. O jornalismo que chega à maioria das pessoas é feito por poucos grupos, representando todos os mesmos interesses de uma elite conservadora.

Por isso o debate é fundamental. E ele tem que ser feito em meios que fogem do tradicional, meios alternativos. A internet mostrou-se um espaço prolífico, mas ela tem suas limitações. A desigualdade no Brasil faz com que apenas 36,7 milhões de brasileiros sejam usuários ativos da rede, segundo dados do Ibope referentes a 2009.

Essa foi a nossa motivação para lançar a versão em papel. Queremos dar a oportunidade de mais gente saber que não existe um único pensamento, que é possível discordar, que a verdade não é o que sai no jornal. Muitas são as verdades, e aqui mostramos uma versão delas. Se a nossa versão não é a melhor, talvez nunca saibamos, mas ela é importante porque é diferente.

Ao contrário do nosso espaço na internet, aqui não nos restringimos à análise de mídia. Graças a nossos qualificados colaboradores, abrimos espaço para política, esporte, meio ambiente, novas mídias, cultura, fotografia, charge, justamente porque vemos a necessidade de levar o contraditório que não existe na chamada “grande imprensa” a cada vez mais gente.

Jornalismo tem que ser crítico

Um comentário sobre “Jornalismo tem que ser crítico

  1. O melhor é quando as ideias saem do debate e se transformam, pouco a pouco, em coisas concretas. Algumas iniciativas estão aí. A gente sabe que é difícil ir contra uma mentalidade fixada por anos e anos de que é notícia apenas o que sai de alguns veículos. Que o trabalho continue. E avance para além das discussões.

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