Falta democracia no primeiro mundo

O sistema político inglês só sabe lidar com o bipartidarismo. Quando mais forças passam a fazer parte do jogo, ele desanda, se perde, não sabe mais como agir. É o cúmulo da falta de democracia. A população não poder votar diretamente no nome ou no partido para decidir quem vai ser o primeiro-ministro é absurdo. Terminar as eleições majoritárias e ainda depender de uma negociação entre os parlamentares para saber o nome do cara que vai governar o teu país é uma afronta aos preceitos democráticos.

Aliás, tudo no processo eleitoral britânico denota falta de democracia. O simples fato de ter dado confusão porque não se previa tanto comparecimento às urnas demonstra que o povo não está acostumado a dar sua opinião. Uma minoria decide. E decide apenas quem vai ser a outra minoria, ainda muito menor, que de fato vai tomar as rédeas e definir o resultado do jogo.

O povo escolhe parlamentares, e só esses é que decidem o nome do chefão. Isso sem contar que quando há mais de um partido fica tudo confuso e a palavra final pode cair nas mãos da rainha, que não foi eleita por ninguém e tem o direito de convocar novas eleições caso não haja um acordo entre os partidos.

O bipartidarismo significa que ou gosta de azul ou se gosta de vermelho. Se tua preferência é o verde, azar o teu. Roxo, então, nem pensar. Os nanicos brasileiros esbravejam, mas no avançado primeiro mundo britânico é muito pior. Aqui ainda há a possibilidade de dar uma zebra e se eleger um Collor (bem, nem sempre a zebra representa coisas bacanas). Lá não. Se dá uma zebra, os caras se juntam, negociam, argumentam. O eleitor até tem vez, mas não tem voz, não tem poder de decisão.

E o fato de tudo ter transcorrido dentro da santa paz do bipartidarismo desde 1974 (e antes disso só na Segunda Guerra) e a situação atual ser uma exceção à constante maioria que algum partido sempre consegue no Parlamento (ultimamente o Trabalhista) só reafirma a aceitação da população ao sistema antidemocrático que possuem. Tomara seja essa uma eleição simbólica de um começo de transformação nesse sistema.

Para saber mais:

Por dentro das eleições britânicas (infográfico do Estadão)
Com Parlamento sem maioria, partidos britânicos agora negociam coalizão (Folha)
Entenda o impasse eleitoral britânico (Folha – da BBC Brasil)
Entenda as eleições no Reino Unido (bom infográfico do R7)

Um comentário em “Falta democracia no primeiro mundo

  1. Em compensação, por conta do voto distrital há uma maior possibilidade de fiscalização do eleitor sobre o parlamentar, afinal, os eleitores de um distrito precisam se preocupar apenas com a atuação de uma pessoa.

    Já no Brasil, cada deputado representa um estado inteiro, o que impede (ou dificulta muito) que haja uma possibilidade efetiva de controle sobre sua atuação. Afinal, na eleição seguinte ninguém cobra se o deputado fulano votou contra ou a favor da CPMF, dos royalties ou da reforma da previdência, por exemplo, já que a disputa envolve centenas de candidatos, nenhum disputando diretamente os votos dos demais.

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