O conveniente discurso da falta de ideologia

Faço um desabafo meio rançoso, mas que ainda acho que se aplica de fato. É uma complementação ao post anterior, que discute a política de alianças e a falsa ideia de que, em função de coligações não muito lógicas, coloca todos os partidos e todos os políticos no mesmo balaio.

Pois bem, esse discurso é típico da classe média (e para a classe média), tenho que dizer. Essa classe média do esterótipo, que lê a Veja, acha que entende de política mas não sabe direito o que caracteriza esquerda e direita e esbraveja contra a existência de moradores de rua porque enfeiam a cidade. A tese defendida aqui não é nova, muito pelo contrário, mas tampouco se trata de uma teoria da conspiração.

Acontece que, além de ser feito por e para a classe média, ele é incentivado pela mídia. Não há como negar, é só ler os jornais. É que interessa. Serve perfeitamente aos interesses oportunistas dos sem-projeto e sem-ideologia, que a imprensa dita grande representa.

A lógica é simples: se duas pessoas querem a mesma coisa, mas só uma tem o diferencial que a permite alcançar o objetivo, para a outra é bom que se acredite que todos possuem aquela característica. No lugar de aparecer como inferior, aparece como igual. Não é melhor, mas também não é pior que o outro.

Se o PMDB não tem ideologia, é melhor que ninguém tenha. Assim nenhum diferencial vai orientar a disputa, que fica de igual pra igual. Conveniente.

O conveniente discurso da falta de ideologia

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