Por vias tortas, coerência está voltando à política gaúcha

Sempre achei esquisita a decisão do PSB de sair sozinho na corrida ao Piratini de 2010, e a posição do PCdoB de apoiá-lo. Não acho errado querer buscar seu espaço, tornar-se mais conhecido, angariar votos. Defendo o direito de partidos pequenos de existirem, de se consolidarem por si mesmos. Assim, afinal, nasceu o PT.

O problema foi a política de alianças que se tentou estabelecer. Se o partido vai correr sozinho em nome de um projeto – e principalmente por não concordar com outro projeto, no caso o do PT -, então que seja coerente do início ao fim. Se acha que o PT caiu pra direita, segue na luta sem o PT, mas não tenta alianças com o PP. Isso maltrata minha inteligência.

É parecido com o que fez o PC do B nas eleições municipais, lançando Manuela D’Ávila como candidata e o asqueroso Berfran Rosado, de um PPS cada vez mais à direita, como vice.

A atitude se mostra claramente uma briga de interesses. O PSB quer mais espaço, simplesmente, e tentou jogar dessa forma para conseguir força, do jeito que fosse. Se não ia se eleger – e no RS tudo é possível, até um fenômeno Yeda, infelizmente -, pelo menos ganhava moedas para trocar na brincadeira das alianças e dos cargos que vêm depois das eleições. Partidos que eu considerava sérios se mostraram interesseiros.

Não coloco todos os partidos no mesmo nível, porque acho que há, sim, graus diferentes de lidar com esses interesses. Alguns não têm escrúpulo nenhum, fazem do jeito que trouxer mais vantagem. Acho que não é o caso do PSB nem do PC do B, mas em grau menor são orientados por uma política suja de interesses, sim.

Outro dia eu disse que aqui que o Beto Albuquerque tinha perdido meu respeito por tentar coligar com o PP. Eu estava chateada de ver um político que eu admirava se rebaixando, fazendo o jogo da vala comum, e meio que desabafei. Não vou tão longe, acho que ele está jogando o jogo com as cartas que estão colocadas. Podia fazer diferente, de um jeito mais digno, mas fez assim, paciência. Ainda acho o Beto um cara de valor, mas com uma certa decepção.

Agora que o PSB desistiu da candidatura de Beto, a tendência é que apoie Tarso (se for para o lado de Fogaça ou do Lara, aí sim, perde meu respeito). O PPS deve sair com Fogaça, o PP com Yeda. As coisas voltam para seus eixos, e alinhavam-se alianças um pouco mais coerentes. De direita ou de esquerda, consolidam-se coligações em que há maior identificação entre as partes. Ainda que seja por falta de entendimento, pelo menos eles ainda não conseguem falar a mesma língua. Resta um pouco de esperança de que os partidos sejam realmente orientados por ideias, pelo menos alguns.

Por vias tortas, coerência está voltando à política gaúcha

4 comentários sobre “Por vias tortas, coerência está voltando à política gaúcha

  1. miguel grazziotin disse:

    Conheci seu site hoje, através de um retweet.
    Muito bom.
    Não concordo muito comvc a respeito do beto. Este já deminstrou que o negocio dele é poder. cargos.Quem oferecer mais leva. Seu copmpromisso nunca foi e nem será com o socialismo. O PSB é o nicho que ele achou par se estabelecer.
    Um abraço
    Te convido a dar uma olhada no meu blog!
    http://www.miguelgrazziotinonline.blogspot.com

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  2. Cris,

    Teu template é hiperlegível e o teu texto está mais sensível. Parabéns! 🙂

    No mais, depois de ter escrito muito sobre política de uma forma um tanto amadora, decidi voltar ao futebol engajado, que é mais o meu chão. Assim como a analogia que fazes em relação ao Cais do Porto de Palomas, Bovinão com o do Puerto Madero, Bs. Aires, tenho observado os processos socioculturais que envolvem a relação das torcidas com os novos estádios de vários clubes e percebo que a Arena do Grêmio pode piorar a relação do futebol como uma atividade lúdica e popular.

    []’s,
    Hélio

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  3. Miguel, obrigada. Pois é, eu ainda guardo uma esperança no Beto. Talvez ainda me decepcione mais, vamos ver…

    Hélio, muito obrigada. Eu andava pensando em mudar o template, mas agora acho que vou reconsiderar. Tua ideia de trabalhar com futebol engajado é super bacana, e é uma coisa que não se vê por aí. O futebol é cultura popular, acho bem importante antropologicamente… =P
    Vou acompanhar.

    Abraços

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