Mais de dez anos depois, Ford vai ter que indenizar o RS

A inversão de prioridades era evidente desde o início das negociações, ainda no governo Antônio Britto (àquela época ainda no PMDB), com grandes montadoras de veículos para que se instalassem no Rio Grande do Sul. Era o auge do neoliberalismo, Fernando Henrique era presidente e Britto seguia a linha de sua política.

Implantou a General Motors e tentou trazer a Ford, com amplo, imenso, irrestrito apoio da mídia. Quero enfatizar bem esse ponto. Não conheço exemplo mais claro da capacidade da mídia – especialmente a televisão, mas amparada em um sistema multimídia de uma empresa que detém o monopólio da comunicação – de dirigir a opinião pública para certas simpatias ou antipatias. O anti-petismo gaúcho teve um ponto forte de sustentação na campanha contra a atitude do governo Olívio Dutra (do PT, que assumiu em 1999) de “mandar a Ford embora”.

Era assim que eles falavam. O PT estava mandando para a Bahia, onde a empresa foi bem recebida, diversos empregos, desenvolvimento, o crescimento do estado. Parecia que sem ela haveria estagnação, nada mais poderia acontecer de bom.

O detalhe é a contrapartida que o governo teria que dar para garantir a permanência da multinacional no RS. Os 419 milhões de reais, divididos em obras de infra-estrutura e financiamento de capital de giro e concessão de créditos de ICMS (segundo matéria publicada na Revista Fórum em 2008), trariam muito mais benefícios se aplicados em programas de apoio a micro e pequenos empresários, à agricultura familiar, a uma economia solidária e sustentável.

Mas não, aquilo parecia o fim dos tempos. A crise de 2008, dez anos depois, prova que o governo Olívio tinha razão. Que a saída não é incentivar grandes empresas multinacionais, que solapam as pequenas, o tal do capitalismo selvagem. Que a saída está na solidariedade, no incentivo aos pequenos, o que possibilita o acesso a bens e serviços, a uma vida digna, a uma parcela mais ampla da população.

E agora a Justiça, uma ferramenta incontestável para aqueles que antes criticavam a ida da Ford para a Bahia, comprova que foi a própria Ford a responsável pela rescisão do contrato, assinado com o governo do RS em março de 1998, ao decidir mudar-se para a Bahia. O governo, “amparado nas diposições contratuais”, negara-se a pagar a segunda parcela de um financiamento absurdo de 210 milhões de reais pelo Banrisul acertado pelo governo Britto. Ainda cabe recurso da decisão.

Resta saber… Quem vai indenizar o estado pela eleição de Rigotto e Yeda depois da campanha endemonizante baseada na ida da Ford embora?

Mais informações no Sul 21, que teve acesso ao documento judicial e a quem parabenizo pelo trabalho de investigação e pelo furo jornalístico.

Mais de dez anos depois, Ford vai ter que indenizar o RS

5 comentários sobre “Mais de dez anos depois, Ford vai ter que indenizar o RS

    1. Ele era do PMDB, daí foi pro PPS junto com Busatto e toda a turma, mas isso foi depois, quando concorreu de novo e perdeu o posto no segundo turno pro Rigotto. No fim, junto com Fogaça e cia, voltou para o PMDB.

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  1. […] Em seu post sobre o assunto no Somos andando, a Cris pergunta se alguém indenizará o Estado pelas eleições de Rigotto e Yeda que se deram graças ao anti-petismo baseado no “argumento” de que “o Olívio mandou a Ford embora”. Quem deveria fazer isso (pois sabemos que não acontecerá) é uma resposta pra lá de barbada… […]

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