A massa crítica pedala

Mais de 50 ciclistas se juntaram sexta-feira passada, dia 28 de maio, à noite, em Porto Alegre para um protesto. Seguiram um trajeto definido, tomando ruas da cidade, às vezes trancando o trânsito, mostrando que existem. Muita gente não gostou porque, do conforto de seus carros, sentiu-se impotente e demorou uns minutos a mais pra chegar em casa.

O movimento se chama Massa Crítica e se define como “a celebração da bicicleta como meio de transporte”. Conheci pelo Twitter e acessei o blog. Não vi nada na Zero Hora, procurei no Google Notícias, não encontrei absolutamente nada. São mais de 50 ciclistas reunidos de noite pelas ruas e ninguém dá nada. O que não interessa, não interessa, oras, é mais fácil ignorar.

Pois a Massa Crítica tem a proposta de fazer essas pedaladas toda última sexta-feira do mês. Fechando ruas, mostram que é chato não ter espaço para passar. Só que eles não podem atropelar um automóvel. E no dia-a-dia? Quando os carros são maioria, quando não se está em quantidade para exigir respeito, quando é o ciclista que se sente impotente.

Mas eu já disse aqui, não ando de bicicleta em Porto Alegre porque tenho medo. Medo dos carros, dos motoristas, da loucura do trânsito. Sei que seria muito melhor para mim e para o mundo. Mas não dá.

Tem uma coisa que eles dizem no blog que ninguém se dá conta: “Vamos exigir espaço e respeito no trânsito, vamos mostrar que não estamos atrapalhando o trânsito, nós somos trânsito”. Quer dizer, o trânsito não é só de carros. A rua não foi feita para automóveis. Por trás de cada volante está uma pessoa. É ela que importa. Somos nós, gente, humanos. A rua é das pessoas, o carro é só um meio de transporte. Como a bicicleta. Com a diferença que a bicicleta é menos poluente, mais saudável, não fica presa no trânsito, não incentiva a competição, uma opção mais inteligente.

Se os motoristas faltam com o respeito, aos governantes faltam iniciativas. Cadê a ciclovia de Porto Alegre?

E aproveita e mostra, com tudo isso, que dá pra começar um movimento só tendo vontade. Juntando gente.

Um pouco mais de lenha na fogueira: Discutindo a Massa Crítica.

A massa crítica pedala

5 comentários sobre “A massa crítica pedala

    1. Pedalar toda última sexta feira é um bom começo, mas não basta. Quanto mais bicicletas nas ruas, mais seguro fica o trânsito para os ciclistas.

      Lembrando que outros dos lemas da Massa Crítica é: “Pedale todos os dias, celebre uma vez por mês!”

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  1. Natália Pianegonda disse:

    É exatamente isso que tu disse! Eu morro de medo de andar de bicicleta em Porto Alegre. Andar na calçada já me assusta. Mas achei isso muito legal! Não conhecia… vou acompanhando…
    pra variar, Cris, o blog tá ótimo
    beijo

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  2. Juliana disse:

    Olha, acho o ciclismo em Porto Alegre um pouco possível. Em alguns locais -e não nas ciclovias intermitentes da zona sul ou nos dias santificados no centro- é possível andar sem ser atropelado. E, felizmente, cada vez mais vejo gente andando de bicicleta como transporte, indo pro trabalho ou voltando à noite. Movimentos como esse corroboram e auxiliam e lembrando que o código de trânsito brasileiro nos ampara. Basta fazer cumprir, encher a cidade de bicicletas e andar pela via no sentido correto, nunca na calçada, please!

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