O tal do fazer diferente: Pela primeira vez um site ganha o Prêmio Pulitzer

O jornalismo está mesmo mudando. Pela primeira vez, um site ganhou o Prêmio Pulitzer, a principal premiação do jornalismo norte-americano. O motivo foi uma reportagem investigativa sobre supostos casos de eutanásia em Nova Orleans depois da passagem do furacão Katrina.

Já comentei em algumas ocasiões sobre o ProPublica, site autor da matéria, por ter como principal fonte de financiamento uma instituição filantrópica dos EUA. Ou seja, um exemplo de experiência independente de jornalismo na rede que cresceu e deu certo.

A questão é que o jornal impresso não é mais a única referência em jornalismo de qualidade. Ainda é o principal, acredito, o que consolida determinadas visões. Talvez não o que pauta a discussão, papel muito forte da TV, que atinge maior público, mas aquele que diz “é isso” e deu. É o que consolida mesmo. Mas a internet vai aparecendo como alternativa.

Por um lado, os grandes portais na internet continuam pertecendo a grandes grupos empresariais, o que faz com que a visão de mundo, de jornalismo, continue sendo predominantemente a mesma dos grandes veículos tradicionais. Mas é um espaço que permite outras iniciativas. É muito difícil consolidá-las, fazê-las terem destaque, mas o espaço está lá. A credibilidade vem com a qualidade. E com muito trabalho, no início de graça, que depende de muito suor. Mas começam a aparecer casos que dão frutos, possibilidades de se manter de um trabalho digno, honesto, na rede.

E mesmo que não dê retorno, também não tem custo. Ou melhor, pode não ter custo. Os blogs, por exemplo, são gratuitos. Mantê-los exige dedicação, que o jornalista se desdobre no seu tempo livre, depois do trabalho formal, mas aí é uma questão de escolha.

De qualquer forma, a relação com o público se transforma, o trabalho do jornalista ganha outra dimensão, há muito maior interatividade e possibilidade de fazer diferente. E é preciso estarmos atentos, porque a tendência, se ficarmos ligados, é ganharmos espaço e qualidade.

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Um trechinho do que diz à Folha o editor do site, Paul Steiger: “Não acredito que nada do que fazemos seja impossível para a mídia tradicional. O problema é que eles estão fazendo cada vez menos o tipo de jornalismo em que nós nos especializamos”.

É o tal do fazer diferente.

O tal do fazer diferente: Pela primeira vez um site ganha o Prêmio Pulitzer

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