Estadão faz fraca homenagem a Saramago

O Estado de S. Paulo fez um caderno inteiro dedicado a Saramago no dia seguinte ao de sua morte. Não podia fazer menos, pegava mal. No entanto, escolheu para a redação da matéria principal um jornalista sem atributos especiais aparentes, Antonio Gonçalves Filho. Um texto quadrado e óbvio fez a biografia daquele que talvez tenha sido o homem que melhor usou as letras na Língua Portuguesa.

José Saramago merecia mais. Merecia um texto escrito por alguém que entendesse a sua importância, por um apaixonado, por que não?, que transmitisse sentimento, profundidade. Talvez não a dor, mas a nostalgia por essa perda tinha que estar no texto. Que podia ser otimista, esperançoso, não precisava ser negativo e triste, mas que fosse intenso, sincero.

Em vez disso, o Estadão optou por uma despedida burocrática. Não quero crer que seja pela posição política de Saramago, um comunista, ainda por cima ateu. De fato, não acredito que seja isso. Uma figura como ele transcende essas questões na hora da morte. Ainda que não se concorde com suas opiniões, há que se respeitá-las e reconhecer sua relevância. Acho que o Estadão sabe disso. Prefiro acreditar, o que não absolve o jornal, que essa despedida tenha sido tão fraca por falta de tempo, por falta de visão ou por outro motivo qualquer.

O fato é que, diante da morte de Saramago, fez pouco o Estadão. Foi medíocre. Pena.

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A imagem foi retirada do site do próprio Estadão.

Estadão faz fraca homenagem a Saramago

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