Para que serve a política eleitoral?

Em teoria, o sistema eleitoral é uma solução democrática, inteligente. Candidatam-se nomes e a maioria decide quem as representa. Voto direto, simples. Não tem como dar errado.

Mas aí entram o dinheiro e o poder, que muitas teorias esqueceram de incluir na análise. Primeiro que muitos dos candidatos a qualquer cargo – eu diria a maioria – não está interessada simplesmente em fazer o melhor dentro de sua visão política, de sua ideologia. E aí nem entro no mérito de esquerda e direita, do que é melhor de fato para a população. Naquela visão política primitiva, o povo seria capaz de julgar a partir dessas questões, e cada eleitor escolheria um candidato cujas posições convergissem com as suas.

Em uma eleição, o dinheiro se torna muito mais definidor do que propostas ou ideias. Um cara que tem grana para fazer uma boa música, espalhar muitas placas e cartazes, pagar por uma equipe experiente e um bom material de campanha, normalmente se elege. Ganha quem aparece mais. Aparece mais quem tem dinheiro.

Acompanhei uma reunião de campanha de um candidato a deputado estadual sem grana. Havia uma pessoa além dele completamente dedicada a fazê-lo se eleger, que disponibilizaria todas as horas dos seus dias nos próximos meses para isso. Ele seria o coordenador da campanha, o tesoureiro, o mobilizador. O resto do pessoal faria o possível depois do trabalho, nas noites em que não tivesse aula, quando não ficasse preso em alguma reunião, quando não tivesse que cuidar dos filhos. Dedicação mesmo, na garra, no amor. Bonito até. Mas avalio que ele não se elege. Diria que é praticamente impossível.

Esse cara tem sua carreira voltada para os direitos humanos. É uma pessoa boa, séria, verdadeiramente comprometida, com vontade de fazer coisas bacanas no Rio Grande do Sul.

Quantos outros vão se eleger sem esse perfil?

Fico imaginando não só candidatos assim, mas quantas pessoas capazes, sérias, com perfil político ou técnico de qualidade, discutindo por sei lá eu quanto tempo como proceder com o jingle da campanha. Perdendo tempo nisso que ajuda a eleger o candidato, mas que não vai mudar em absolutamente nada a sua atuação. Que importância tem a música, a cor do fundo da foto, o número de placas a serem espalhadas?

Política. Ideias se transformam em negócio.

E aí políticos do mesmo partido, com ideias semelhantes em muitos pontos – e que divergem em outros, como todo o mundo – acabam se afastando, porque a rotina da disputa diária acaba com as relações.

Fico imaginando aquelas equipes que investiram não só muita grana, mas também tempo, dedicação, amor a uma campanha e não veem o nome de seu candidato entre a relação de eleitos. A frustração. A sensação de tempo perdido, de quanto tudo aquilo era inútil. E por quê? Para quê?

Fico com a sensação de que alguma coisa está errada. Ou será que sou eu?

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