Globo sente a pressão do Twitter

O #calabocagalvao e o #DiaSemGlobo, duas campanhas lançadas pelo Twitter tendo a Rede Globo como alvo, entram para a história como um momento marcante da comunicação brasileira. Na prática pode não ter feito grande diferença na correlação de forças entre as emissoras, mas representa a força da mobilização popular. Um pouco mais que cosquinha é possível fazer.

Em SP, a audiência da TV Globo durante o jogo entre Brasil e Portugal, sexta-feira de manhã, caiu, acentuando a tendência que já se notava na diferença entre o primeiro e o segundo jogos, que tiveram, respectivamente, 75% e 72%. O terceiro ficou em 67%, uma queda mais brusca. Os números são do Vi o mundo. Não é nada absurdamente significativo em termos de números, mas a diferença já é notada.

Além da capacidade de mobilização, esses resultados demonstram que as pessoas estão incomodadas com a Rede Globo, que já não aceitam tudo que ela diz, não gostam de toda a sua programação e querem diversidade. E estão prontas para buscar alternativas caso elas apareçam. O problema é que as alternativas ainda não encontram espaço para se estabelecer.

O “Cala boca Galvão” gerou no mínimo um mal-estar entre os globais. Para além da internet, uma faixa colocada no estádio e flagrada pela transmissão oficial não teve como ser ocultada. Galvão teve que se explicar e mostrou levar na brincadeira. A reação da Globo foi esperta, minimizando o caso, não levando a sério a situação. Se partisse para a briga, ampliaria a repercussão e sairia mais queimada.

De qualquer forma, essas iniciativas são um começo. Antes um protesto do que ações de resultados imediatos. Mal comparando, é como sair às ruas em tempos de ditadura. O regime não muda, mas fica a marca, o registro da insatisfação. Em tempos de ditadura da mídia, a comunicação dá conta do protesto, de fazer sentir a não-aceitação do que aí está. Pode não ter resultados imediatos, mas tem resultados simbólicos.

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O próximo passo é todos os dias sem Globo, depois sem TV. Quem sabe mexe um pouco com a cabeça das pessoas e faz surgir pelo menos emissoras diferentes, com conteúdo qualificado? Daí então poderemos voltar a ligar a telinha. Enquanto isso, vai ler um livro.

Globo sente a pressão do Twitter

4 comentários sobre “Globo sente a pressão do Twitter

  1. Não houve estratégia visando a derrocada da Globo.O movimento #DiaSemGlobo surgiu naturalmente a partir da contrariedade de um grupo do twitter em relação às taggs que começavam lançadas pelo pessoal da Globo, visando o escárnio e a desestabilização do técnico da seleção.A reação foi imediata e o twitter gritou contra essa “armação” do pessoal da Globo.Afinal de contas, o jornalista tem o dever de fazer notícia, não ser notícia,como ocorreu no episódio que envolveu o Dunga com o Alex Escobar e o Tadeu Smith.A questão de bastidores foi outra, como vimos posteriormente. ” O uso do cachimbo faz a boca torta”, já diz o ditado.O vício da TV Globo em manipular a notícia entortou-lhe a boca. E vimos o movimento crescer em desfavor da Globo.Que sirva de alerta.Estamos de olho.

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    1. Tatiana Maciel disse:

      Assino embaixo!
      Esse foi um movimento de pessoas indignadas, cansadas de tantas manipulações, dessa ditadura de “idéias” pensadas por outras! O “editorial” dito por Tadeu, desmoralizando o Dunga por ele ter se manifestado contra o Escobar, que no silência da coletiva falava ao celular indignado por perder as exclusivas, levou ao auge a indignação! E assim nasceu e se fortaleceu esse movimento, que nunca teve por pretensão “fechar” a Globo ou “destruir” a Globo, apenas mostrar que a escolha é nossa! Somos o alvo da progrmação e não ao contrário! Oque queremos é uma TV de qualidade que não manipule (pelo menos não muito rsrsrs) as informações e que não falte com a verdade de forma tão ridiculamente explícito que chega a ser falta de respeito à nossa inteligência! Queremos uma mídia menos medícore! http://www.twitter.com/Lady_Heavenhell

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  2. E é justamente essa motivação que faz tudo ser ainda mais interessante, porque deixa ainda mais claro que o que gerou toda a mobilização foi a insatisfação mesmo. Que não foi nada armado, mas espontâneo, natural, porque está difícil de engolir a programação.

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  3. olá cris
    meu nome é nathália, e eu sou integrante da revista o viés (www.revistaovies.com)
    há tempos que leio o jornalismo B, gosto muito dos teus textos que apareciam por lá.

    bom, gostei de conhecer o teu blog. aliás, escrevi recentemente uma crônica para o Viés sobre esse assunto. tenho minha opinião sobre tudo o que está acontecendo ao redor dessa febre no twitter. assim como citaram acima, eu concordo que, em partes, faz parte de uma indignação e de um repúdio coletivo. mas ao mesmo tempo, apesar das manifestações de repúdio (que pode significar que as pessoas cansaram de engolir sapo da globo), ainda há um longo caminho a se percorrer a caminho da democratização da informação e da instrução das pessoas. alguns ainda estão indo pelo simples e puro escracho, e nem todos refletem mesmo o real significado de se ter uma voz que vai de encontro ao que a globo e ao que os globais dizem e afirmam como verdade…
    se tu quiseres ler meu texto, esse é o link http://oviesrevista.wordpress.com/2010/06/26/xingue-muito-no-twitter/

    parabéns pelos textos!
    abraços

    nathália costa

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