Atrasada, Zero Hora defende as grandes fortunas

Estranhei quando vi na Zero Hora de domingo uma nota, na página 9, sobre a aprovação pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara da proposta de criar um imposto sobre grande fortunas. Essa votação aconteceu no dia 9 de junho, por isso o estranhamento.

A abordagem extemporânea é um tanto incompreensível. Por um lado, entende-se que não haja matéria durante a apreciação do projeto, para não valorizá-lo. Afinal, além de atingir os interesses dos grupos que sustentam o jornal, é uma proposta da deputada Luciana Genro. E bom, a RBS já deixou bem claro que o PSOL não é exatamente seu partido preferido.

Por outro lado, por que tratar do tema, então? Já tendo passado tanto tempo da notícia, por que lembrar dela, se não vai de encontro aos interesses da Zero Hora? Não entendi.

Aliás, que não condiz com a posição editorial não é um chute meu. No dia 21 de junho – portanto já fora do tempo – o jornal publicou um editorial bem identificado com os setores da elite, criticando o imposto com o argumento de que impostos, de um modo geral, são ruins. Aquele velho discurso decorado, contra o aumento da carga tributária, que confunde o leitor ao fazê-lo entender que taxar grandes fortunas equivale aos impostos que pagamos no dia-a-dia. Como se o cidadão comum fosse sentir no bolso mais um peso, o que não é verdade.

O projeto de lei propõe taxar patrimônio acima de 2 milhões de reais, de que apenas uma minoria da população dispõe. A parcela é realmente ínfima. Emir Sader costuma dizer que a pobreza só existe pela contraposição à riqueza, que uma depende da outra. Ou seja, a existência de grandes fortunas é responsável pela existência de grandes misérias. As primeiras não se sustentam sem as segundas.

Dessa forma, a Zero Hora, com sua postura, repito, elitista, contribui para formar opinião no sentido de incentivar a desigualdade no Brasil. Mostra seu lado.

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Vale a leitura do artigo da deputada federal Luciana Genro, publicado no jornal no mesmo dia.

Atrasada, Zero Hora defende as grandes fortunas

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