ZH adora “templos do consumo”

A contracapa da Zero Hora de domingo fala em “novos templos para o consumo”. A matéria vem no caderno “Dinheiro”, sobre o crescimento dos shoppings em Porto Alegre, assinada por Flávio Ilha. Na prática é isso mesmo: o consumismo virou religião, ir às compras é um ritual como ir à missa, uma necessidade que vem cada vez mais substituindo a da religião. E cujo terço a Zero Hora reza direitinho.

A matéria não é nem só uma ode ao consumismo. Ela é simplesmente ruim. Bom, apresenta dados, isso é verdade. Número de shoppings sendo construídos, tamanho dos estacionamentos, metros quadrados, quantidade de lojas… Mas não dá outras informações básicas. Todo jornalista aprende que quando se vai escrever um lide (o primeiro parágrafo padrão de uma matéria qualquer), sabe que ele deve responder às perguntas “o quê?”, “quando?”, “quem?”, “onde?”. Indo mais além, o texto deve dar conta do “como?” e do “por quê?”.

Pois então, como os shoppings conseguiram liberação para se expandir dessa forma? A única resposta que encontrei a essa pergunta foi uma reclamação por a prefeitura dificultar a tal liberação, exigindo respeito a áreas de preservação ambiental, burocratizando o processo. Aliás, a matéria trata o meio ambiente exatamente dessa forma, como um entrave burocrático, presente apenas para atrapalhar o progresso.

Progresso… Por que esse crescimento? E pior, a que custos? Não se fala em aumento da renda e do consumo, que teria que dar o crédito ao presidente Lula.

E evidentemente passa longe de uma discussão sobre o aproveitamento de áreas urbanas para superconstruções que não valorizam a convivência coletiva, a socialização, o desenvolvimento sustentável. Os custos disso, os incentivos fiscais que normalmente esses empreendimentos recebem, o impacto (seja positivo ou negativo) na economia e na sociedade. Consequências, nem pensar. Seria pedir demais.

ZH adora “templos do consumo”

3 comentários sobre “ZH adora “templos do consumo”

  1. Claudio F. disse:

    É extremamente patético ver a província crescer a qualquer custo. Gostaria de saber:
    Afinal de contas: O que quer virar Porto Alegre? Uma micro São Paulo ultraconservadora e provinciana ao extremo?
    Uma Rio de Janeiro gélida e frígida, onde as pessoas ao invés de frequentar Copacabana vão para o Gasômetro e ao invés de ir para as praias da Barra da Tijuca e do Recreio vão para “Ipanema” ficar olhando o Guaíba? Ou pior ainda: Uma cidadezinha latino-americana acreditando ser inglesa onde as pessoas tomam o exótico chimarrão?
    Eu sinceramente ainda não sei qual das três opções é a mais patética. Sem esquecer a quarta opção, que é ler a Zero Hora e assistir o Jornal do Almoço.

    Há diferenças entre a família Sirotsky e a família Sarney? Segundo trecho do livro de Palmério Dória: “A melhor coisa do mundo é pertencer a família Sarney”. Quem sou eu, reles mortal, para dizer o contrário?

    Sintetizando o que é Porto Alegre:
    Uma classe média majoritariamente (95%) assalariada, numa cidade com perspectivas extremamente limitadas, querendo construir um shopping em cada esquina.
    Prá empregar quem? -> Gente que divide JK na Cidade Baixa?
    Prá mostrar prá quem? -> Fantasmas que de vez em quando visitam a cidade?
    Prá quem consumir? -> A assalariada classe média?

    Nos anos 80 só havia o Iguatemi. E quer saber minha opinião: TAVA ÓTIMO! O Barra já é exagero. Nem supermercado 24h, que até o Rio de Janeiro, com toda violência consegue segurar, POA não segura. Porque é provinciano demais, pequeno demais, ultraconservador demais, Margaret Tatcher (na pele da Yeda) demais!

    Porto Alegre: Desenvolva-se. Tendo sempre em mente que serás para todo o sempre uma cidadezinha do interior gaúcho bem conservadora que cresceu.

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  2. Do jeito que vai, Porto Alegre vai virar a cidade com mais “shoppings per capita” do mundo. E, claro que isso será destaque na ZH, afinal, “gaúcho é melhor em tudo, tão melhor, que lê inclusive o melhor jornal do mundo”! 😛

    Ironias à parte, ao menos a ZH disse abertamente que o consumismo é uma religião, e está sendo honesta, dizendo ao leitor de que lado está…

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  3. Fiz uma postagem no meu blog falando exatamente sobre isso, porém com uma linguagem um pouco mais sarcástica. Realmente a ZH tratou da natureza e do meio ambiente como se fosse um abismo para chegar ao grande objetivo: “mais templos de consumo”.

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