JN surpreende em matéria sobre Guantánamo

Façamos justiça: a cobertura do Jornal Nacional sobre o primeiro julgamento em Guantánamo desde que Obama tomou posse está de primeira. Acostumada a ver a Globo bater em Cuba sempre que pode, fiquei positivamente surpresa com a reportagem exibida ontem, feita pelos enviados especiais Rodrigo Bocardi e Orlando Moreira. Hoje um desdobramento do caso seguiu na mesma linha, mas quero me ater à primeira matéria.

Já na abertura, William Bonner alfineta o governo americano, lembrando que Obama prometera fechar a prisão. Não é agressivo demais, mas mostra a contradição. A prisão fica dentro da ilha de Cuba, mas é controlada pelos americanos desde 1903, o que é dito bem no início do off. Não há como um desavisado pensar que o gerenciamento do centro de torturas que é Guantánamo fica a cargo do governo de Fidel.

O controle rígido para chegar à prisão, as acusações de maus tratos, de agressão aos direitos humanos, a falta de julgamento dos presos são mostradas empiricamente. Bocardi é quase uma fonte para a própria matéria. Não precisa de entrevista para dizer o que ele vivenciou: descobriu sozinho que é difícil ter acesso à informação, que, se filmasse o que não devia, seria censurado. Isto ele não diz, mas as restrições a imagens e a divulgação se mostram uma contradição dos Estados Unidos, que tanto acusam Cuba por cercear a liberdade de imprensa e, no território que ocupam na ilha, adotam exatamente essa prática.

Os aspectos enfatizados são o absurdo da existência de Guantánamo, da forma como é gerida, da ausência de justiça que impera por lá, da falta de compromisso de Obama ao não fechar a prisão. Não se entra no mérito de o país norte-americano ocupar um território na ilha de Fidel e dos imbróglios EUA-Cuba. Talvez nem coubesse. O importante é que ficou bem demonstrado que as coisas lá não funcionam como deveriam em uma verdadeira democracia.

JN surpreende em matéria sobre Guantánamo

Um comentário sobre “JN surpreende em matéria sobre Guantánamo

  1. Ismael disse:

    O que o americano típico, aquele do meio oeste, do meio do país não entende, é que existem praticamente dois países EUA quando se classifica na sua política.

    O americano é voltado para seu umbigo, ignora informações básicas sobre outros países. Então, como é natural das pessoas, imagina o mundo como somente aquilo que vê.

    As instituições americanas tem um trato interno e outro externo.

    Se internamente defendem ferrenhamente a liberdade. Externamente são capazes de cometer toda e qualquer abuso contra outros povos. Como se o mundo fosse a selva, onde tudo é permitido.

    A sujeira pode ser feita desde que longe do lindo quintal com gramado onde os rosados filhinhos brincam.

    Guantânamo e a invasão do Iraque representam o auge disso.

    Mas é o que bem sabemos por ter sofrido na pele como a CIA influenciando golpes na américa latina, quando lhes convinha.

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