Jean-Michel Cousteau: uma declaração de amor à natureza

“Para se lutar de verdade por uma causa, é preciso ter um vínculo de amor com ela.” A introdução de Lara Lutzemberger descreve à perfeição a palestra de Jean-Michel Cousteau no Fronteiras do Pensamento, há poucas horas. Se os dados não abundaram em sua fala, tampouco uma reflexão profunda sobre a importância da preservação, é porque sobrou amor.

A fala do filho do mestre Jacques Cousteau foi isso: uma demonstração de amor à natureza. Primeiro, comentou um pouco sobre a Amazônia, região em que passou diversos meses viajando em um barco quando criança e cuja experiência repetiu há uns quatro ou cinco anos. Falou com carinho, alertando para as dificuldades que a floresta, onde está um quinto da água doce no planeta, enfrenta. Nesse 1/5, há mais espécies de peixes do que em todo o Oceano Atlântico, segundo Cousteau, o filho.

O caos

O crescimento da população assusta: “à medida que acrescentamos 100 milhões de pessoas ao planeta a cada ano, nós temos que nos tornar gestores cada vez melhores dos recursos”. O aquecimento global, mais corretamente tratado por mudanças climáticas (já que alguns lugares esquentam enquanto outros esfriam), já aconteceu no passado, mas ao longo de milhões de anos, não de décadas. Ou seja, o que estamos fazendo é acelerar o processo natural, que vai ter um impacto sobre centenas de milhões de pessoas.

A poluição, os estragos que causamos, afetam não só os animais e as plantas, mas as pessoas, que são também parte disso que chamamos natureza. O vídeo de um índio nitidamente triste, desconsolado, passava uma sensação de impotência que doía. Afetado pela poluição causada por empresas americanas que foram extrair petróleo na Amazônia, ele bradava: “Estou todo inchado, doente. Meus avós não passaram por isso. Quando eu era criança não era assim. Por causa dessa empresa, dessa doença, dessa falta de cura, eu vou morrer”. Uma pausa verdadeiramente dramática separava a última oração. Era como uma sentença doída, já decretada: ele sabia que a poluição o levaria à morte.

A cura

Mas antes de mostrar-se deprimido e pessimista diante desse cenário, Jean-Michel busca soluções, acha possível encontrá-las. É um otimista. A revolução da comunicação é, para ele, o caminho. É ela que aproxima as pessoas, que permite trocas e acelera a busca por alternativas. E com todo o amor que dedica à água e aos seres que habitam o nosso planeta, não poderia ser diferente. Um coração feliz, sempre de bem com a vida. Jean-Michel demonstrou esse sentimento ao descrever animais, encantar-se com seus recursos de proteção, de propagação da espécie, de busca de comida. Os vídeos que apresentou eram quase singelos, puros. De um contato profundo com a natureza. Tudo tem solução, porque há quem lute por ela.

O índio? Melhorou muito, graças à equipe de Jean-Michel Cousteau.

Muito mais do que uma obstinada e raivosa defesa do meio ambiente, Jean-Michel fez, entre sorrisos, uma leve e profunda declaração de amor.

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Imagem puxada do Facebook do Fronteiras do Pensamento.

Jean-Michel Cousteau: uma declaração de amor à natureza

3 comentários sobre “Jean-Michel Cousteau: uma declaração de amor à natureza

  1. joão disse:

    Eu acho engraçado Jean Mchel cousteau ser tratado como uma divindade. As pessoas não sabem que ele demitiu toda a sua equipe do programa embaixadores do meio ambiente sem dar nenhuma satisfação a nenhum deles. Ele simplesmente acabou com o programa, nós brasileiros temos a mania de achar que os estrangeiros são melhores do que os brasileiros, mas existem pessoas que fazem tanto quanto ele por aqui, a diferença é que ele nasceu em berço de ouro.

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  2. anônimo disse:

    é uma pena que pessoas como o joão não tenham muita noção de propaganda – não confundir com publicidade. Feliz ou infelizmente, da alemanha nazista a che guevara, todas as ideologias precisaram de grandes nomes para se difundir. O triste não é tratar como divindade alguém como o cousteau, mas sim um público que sequer leria este texto se fosse sobre a própria lara lutzenberger. Assim o é há décadas e cabe às mentes pensantes por trás das ideologias saber usar as táticas do sistema para divulgar ideias que estão além dele, mas dentro do mesmo jogo.
    A quantidade de pessoas que reclamaram que a lara falou demais e que devia ter dado espaço ao cousteau foi grande. Mas, por causa da vinda de cousteau, muitos contatarão lara para colaborar nos projetos.
    Saber jogar com as ferramentas do sistema contra ele. Nada mais, nada menos.

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