Programa de governo do PT no RS valoriza a participação digital

Faz poucos dias que tive acesso ao programa preliminar da candidatura Tarso Genro ao governo do RS. É dividido em temas e subtemas. O primeiro trata de desenvolvimento com distribuição de renda, que é o foco principal da campanha. O segundo é sobre diálogo e construção coletiva. Por si só, ver tanto destaque nessa abordagem já me deixa bem entusiasmada, mas tem mais. Logo no início dessa parte, tem uma divisão que fala em “Participação Popular e Redes Sociais”, que diz assim:

organizar um sistema de participação popular, considerando a experiência do Orçamento Participativo, para a definição de investimentos estratégicos, regionais e microrregionais, com base na participação presencial direta dos cidadãos no seu município e região, mas também na participação digital, integrando no processo participativo as novas tecnologias para a democracia, colocando as consultas e a própria produção do orçamento na era digital.

Ignorando o gerundismo e a falta de ponto, essa frase é excelente. O item seguinte é “Participação Digital”. Transcrevo:

Possibilitar a participação direta e cidadã através das redes sociais, viabilizando não só a informação, o debate e a votação de propostas e demandas, mas também os elementos necessários para a organização de reuniões, fóruns, conferências, plenárias e muitas outras formas de participação presencial. Inovações tecnológicas são importantes aliadas no fortalecimento da democracia participativa. A formação de redes sociais e espaços virtuais de interação são valiosas ferramentas facilitadoras do processo de comunicação, fiscalização e acompanhamento, assim como da realização de fóruns de debates virtuais e da votação de emendas e propostas no processo de participação popular.

E isso além das ferramentas mais tradicionais de participação, como o Orçamento Participativo, Coredes, conferências, entre outros.

Significa a inteligência de utilizar ferramentas que propiciem uma construção coletiva, democrática, de forma mais eficiente e em todas as possibilidades que elas permitem. É aproveitar a existência dessas formas para construir democracia. Claro, é preciso dar acesso a essas ferramentas à maioria da população, mas isso aparece inclusive nos planos de Dilma presidente.

Um leitor mais cético poderia argumentar que isso é só promessa, que o duro é ver na prática. Mas aí entram outros elementos que me fazem crer que pelo menos tentar fazer funcionar o governo Tarso vai.

A construção do próprio programa de governo foi feita de uma forma que eu nunca tinha visto antes. Seu conteúdo não foi imposto pelo partido ou pelo candidato para os militantes do PT e para a população de um modo geral. Tampouco foi fruto de uma construção partidária interna. Um site (www.ideiasparaorscrescer.com.br) foi colocado no ar onde qualquer cidadão poderia incluir sugestões a serem acrescentadas ao programa de governo. Além disso, Caravanas Pelo Rio Grande, Diálogos RS, Quintas Temáticas, Plenárias Livres e Setoriais contribuíram para a elaboração coletiva, em todo o estado.

O resultado está ali, expresso a cada fim de tópico, quando são relatadas quais plenárias ajudaram a construir aquele ponto. Acompanha ainda o caderno principal um anexo com a síntese das contribuições apresentadas durante as caravanas pelo Rio Grande.

Uma verdadeira demonstração de construção coletiva.

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