Software livre, um elemento libertário

Quem não acompanha a discussão de perto quase não fica sabendo, mas terminou hoje em Porto Alegre o Fórum Internacional do Software Livre. É a 11ª edição do evento, que aborda um tema que ainda patina nas discussões de políticas públicas.

Parece coisa de programador, de gente envolvida com a parte técnica da informática, mas vai muito além. A utilização de software livre possibilitaria uma democratização na comunicação. Até porque integra uma discussão mais ampla de liberdade de acesso aos bens culturais. A discussão no FISL 11 é política, social e técnica.

Softwares livres podem ser usados em iniciativas de cultura, de educação, de inclusão social. Eles permitem o uso pleno dos meios digitais de forma gratuita e legal, tornando universal o acesso. Fazem parte de uma visão mais ampla de sociedade como espaço de integração, em que a busca do lucro constante não pode sobressair frente às possibilidades de fornecer uma vida melhor para uma maior quantidade de gente.

É por essa visão que o software livre está nos planos de governos de esquerda, de candidatos comprometidos com valores sociais e dedicados a melhorar a qualidade de vida, ampliando o acesso a música, informação, oportunidades de emprego, cultura de um modo geral, uma vida de fato em sociedade, que hoje em dia não pode mais ser considerada sem o uso de computadores e internet.

O candidato do PT ao governo do RS, Tarso Genro, visitou o FISL hoje à tarde, garantindo que sua campanha será baseada na utilização de softwares livres e que vai continuar o trabalho iniciado por Olívio Dutra, de incentivo ao software livre, que deixou o Piratini em 2002 e já se preocupava com o tema. Ao portal Terra, Tarso defendeu a liberdade propiciada pelo software livre. “O grande impasse que enfrentamos hoje é a quem pertence o que usamos na internet. A resposta é ao usuário. O software livre é um elemento libertário e não há razão, dentro de uma sociedade democrática, para que não lutemos pela sua existência e propagação”, declarou.

Software livre, um elemento libertário

2 comentários sobre “Software livre, um elemento libertário

  1. Ismael disse:

    Na verdade Software Livre não tem ligação com esquerda ou direita.

    Deveria ser prioridade de qualquer governo que se preocupa em empregar bem o dinheiro.

    E governos que se preocupam com a independência tecnológica do país. Porque a parte mais importante, embora nem sempre compreendida, do software livre não é a gratuidade. É a possibilidade de mudar de fornecedor quando quiser ou precisar. Possibilidade de modificar ou estender como bem entender os sistemas.

    Aqui no Brasil, as empresas pegam carona no monte de gente anti-comunista que tem por aí. Ligam Software Livre a Comunismo para conseguir aliados que nem sabem do que falam.

    Reeditam as falácias muito fortes nos EUA, terra onde comunismo = coisa do demo.

    Claro, quando se questiona como pode algo ser “de comunista” interessar a empresas do porte de IBM, HP, Google e SAP.

    Gosto de perguntar aos opositores se consideram essas empresas como comunistas.

    É uma luta dura, os lobistas são fortes. Depois que o Olívio saiu do governo, rapidinho a Procergs começou a desfazer tudo, os lobistas corriam.

    Não só lá, mesmo empresas privadas, muito gerente de TI descarta uma solução livre porque não vem com a comissão que está acostumado.

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