Os espaços de resistência de Boaventura

Espaços de resistência e de esperanças eram o subtema da abertura, ontem (25), do XVI Encontro Nacional dos Geógrafos. Boaventura de Sousa Santos partiu deles para contrapô-los aos espaços de sofrimento. Espaços de morte.

Uma reflexão profunda. Existe uma linha abissal, na concepção de Boaventura (com um nome desses, não posso referi-lo pelo sobrenome!), que ainda separa metrópole de colônia. Uma linha ignorada por muitos, especialmente pelos que estão do lado de lá. Uma linha que não é física, não é geográfica, mas é real e muito forte. Que pode estar, por exemplo, dentro da cabeça de uma pessoa: o mesmo policial que ajuda a criança a atravessar a rua massacra o jovem negro.

Nós somos produtos da linha abissal que divide colônia e metrópole, vivemos ainda, por incrível que pareça, em sociedades coloniais. E precisamos, enfatiza Boaventura, partir da linha abissal para construir um pensamento pós-abissal. Construir a resistência a essa linha que divide colônia e metrópole, porque temos diferenças culturais, mas somos todos humanos.

Vivemos em espaços de resistência, mas vivemos também em espaços de sofrimento, de morte. São lixões, aterros, minas, onde pessoas constroem seus lares. Pessoas que vivem hoje, mas que amanhã podem estar mortas, sabe-se lá de que forma, pela violência…

Mas temos espaços resistência. Temos espaços de liberdade. Vivemos em espaços-tempo. Um conceito um pouco complexo do sociólogo português, mas que faz todo o sentido depois de compreendido (espero tê-lo conseguido). O tempo transforma o espaço, não podemos conceber um sem o outro. O espaço transforma o tempo. Boaventura propõe o exercício: pega um mapa de uma cidade hoje: ele é espaço. Pega o mesmo mapa daqui a 10, 20 anos: ele é tempo, ou melhor, ele é o retrato da transformação do espaço pelo tempo, porque aquela cidade como ela era não existe mais. Aquele espaço foi transformado.

Não temos mais de um lado o espaço de resistência e de outro o espaço de sacrifício. Vivemos o choque entre eles, um “fascismo social”, de acordo com Boaventura. O policial citado anteriormente é um exemplo. Os espaços-muro são exemplos. Muros no sul dos EUA, muros na Palestina, muros nos condomínios.

Precisamos fortalecer, então, nossos espaços de resistência, de liberdade, para que não mais existam espaços de sofrimento. Para que não mais existam espaços de morte.

Os espaços de resistência de Boaventura

Um comentário sobre “Os espaços de resistência de Boaventura

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s