A mídia e o pensamento classe média – assunto: impostos

A forma como a imprensa trata a questão dos impostos, não é de hoje, é irresponsável. Não há palavra que se ajuste melhor que irresponsabilidade. Tudo bem, não se pode tirar do brasileiro dinheiro excessivo, que ele não tenha condições para pagar, que vá prejudicar sua vida, o sustento da família.

Para cobrar os devidos impostos, é preciso dar salários dignos, empregos para todos, formação. É preciso também fornecer serviços públicos de qualidade, como saúde, educação, lazer, infraestrutura de transporte e energia, grauitamente, para diminuir os gastos mensais do cidadão.

Mas como esperar que o governo banque todas essas coisas sem cobrar impostos? É importante notar que a cobrança de impostos e o fornecimento de serviços públicos de qualidade são coisas complementares, uma não faz sentido, não existe sem a outra. Só há bons serviços se há impostos para bancá-los, e só pode haver cobrança de impostos se os serviços forem de qualidade.

Não defendo supertaxação, mas é preciso que a discussão seja feita abrangendo todas as suas nuances, com profundidade e de forma completa, explicando de onde vêm e para onde vão os recursos. É preciso discutir, por exemplo, por que pedagiar rodovias quando o brasileiro já paga pela sua manutenção.

Vale questionar de que forma a cobrança é feita, se não se está cobrando demais de quem pode menos e tirando pouco de quem ganha muito. Mas quando se fala em taxar grandes fortunas a imprensa chia. Então, que tipo de questionamento é feito?

Os verdadeiros interesses

Decerto o que a nossa mídia deseja é a política neoliberal que se tentou implementar no Brasil e já se viu que não dá certo. Querem eliminar da responsabilidade do Estado a execução de serviços públicos, passando a cobrar diretamente da população por eles.

A discussão vem torta. Numa página, criticam-se os impostos de um modo geral, quaisquer que sejam, generalizando-os. Vira-se a página e vê-se a notícia sobre a BR-386 e a BR-116. Refiro-me à Zero Hora de hoje, que mancheteou a carga tributária brasileira e depois quer-nos fazer engolir como mágica a duplicação das rodovias, como se acontecessem por obra divina.

É louvável quando a imprensa se coloca no papel de discutir a eficácia da execução da política, dos governos. E questionar a forma como a cobrança de impostos é feita é parte do processo. Mas questionar a existência de impostos pura e simplesmente é como dizer que todo político é corrupto e é preciso eliminá-los todos. Discurso de e para a classe média, que despolitiza a discussão e passa bem longe de resolver o problema.

A mídia e o pensamento classe média – assunto: impostos

Um comentário sobre “A mídia e o pensamento classe média – assunto: impostos

  1. Cleberson Silva disse:

    O grande problema desse tipo de discussão é que ela costuma ser realizada por pessoas que não possuem conhecimentos técnicos de economia, como jornalistas, historiadores e cientistas políticos, por exemplo, que desconhecem o efeito terrível que uma elevada carga tributária tem sobre a atividade econômica de um país, e o debate acaba restringindo-se à dicotomia “estado inchado” x “estado mínimo”, puramente ideológica, como pode ser visto no primeiro parágrafo da 2a parte do texto.

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