Por que o PSOL serve mais à direita do que à esquerda

Não é de propósito. É preciso deixar bem claro logo de início que eu tenho plena convicção que as intenções são boas. Mas a visão é torta e as estratégias são erradas. O PSOL, com sua agressividade dirigida principalmente ao PT, se tivesse muita influência, ela seria a favor de Serra.

Não é preciso ir longe. Em sabatina ao portal R7, ontem (27) à tarde, o candidato à Presidência Plínio de Arruda Sampaio disse várias coisas, algumas bastante interessantes, como sua visão sobre a imprensa e a necessidade de um controle para termos uma comunicação mais democrática. Mas, lá nos detalhes, daqueles que às vezes passam despercebidos, comentou que, entre Serra e Dilma, escolheria o tucano para dividir a mesa de um café. A frase não vai mudar o voto de ninguém, mas é sintomática. Diz Plínio: “Eu não conheço essa moça [Dilma], a moça não era do meu partido”, referindo-se ao PT, de onde saiu alguns anos depois do ingresso de Dilma.

Insisto no significado dessa frase porque ele vai além das consequências atuais do comentário de Plínio. A frase remonta ao ponto fraco da esquerda, não só a brasileira: a incapacidade de se unir em torno de um projeto. A criação do PSOL, o afastamento do PT, tudo isso é compreensível, dadas as circunstâncias. Mas isso, e principalmente a agressividade desferida contra o ex-partido, não ajudam em nada no fortalecimento da esquerda. Muito pelo contrário.

Um caso emblemático é o DCE gaúcho, que contou com três chapas de esquerda, sendo duas do PSOL e acabou entregando o ouro para a direita, que chegou unida e venceu por pouco. O PP agora é dono da cadeira e responde por corrupção dentro do Diretório Central dos Estudantes. A falta de junção de forças da esquerda nos deixa sujeitos a essas situações.

Quando Plínio critica Dilma, ele não está abocanhando seus votos. Ele está direcionando-os, em quase todos os casos, ao principal adversário da petista, José Serra com seu PSDB. Quando a discussão se dá em torno de ideias e não de interesses, é muito mais fácil discordar. Resta à esquerda aprender a passar por cima das diferenças entre os pensamentos de seus quadros e adotar como discurso e como política as suas semelhanças. Isso se quiser chegar em algum lugar.

Por que o PSOL serve mais à direita do que à esquerda

18 comentários sobre “Por que o PSOL serve mais à direita do que à esquerda

  1. Discordo de alguns pontos. A começar, o Plínio logo depois de dizer que convidaria o Serra para sua casa falou que jamais votaria ou votou nele, seria um erro. Deixou claro. Seu objetivo foi atacar um fato que, para muitos, é notável: Dilma nunca foi do PT. Não fundou, é nova no partido se considerar a história do mesmo.

    Concordo que a crítica era evitável, mas discordo de sua interpretação.

    Tampouco acredito que esta frase isolada valha um post com este título.

    Quanto ao DCE, não é típico do PSOL, o próprio PT e suas tendências raramente saem unidas. NEste ponto os problemas são semelhantes e, finalmente, não acredito que o eleitorado do PSOL chegue perto do do Serra e que o Plínio influencie o eleitorado desta forma. Discurso desnecessário, concordo, mas não vejo esta força toda.

    Concordo que os discursos anti-PT do PSOL são burros, mas no parlamento vemos que a atuação dos membros do partido é mais que digna, cito apenas dois: Ivan Valente e Marcelo Freixo.

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    1. Edu disse:

      Concordo com a ponderação do Tsavkko. O comentário sobre o cafezinho está fora do contexto da entrevista. Na política, disse o Plínio, não concordo com nenhum dos dois [Serra ou Dilma]. Mas na minha casa, receberia o Serra, com quem tem relações antigas, e não a Dilma: “não a conheço…”.

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  2. Queres dizer que o PSOL serve mais ao PSDB do que ao PT, né? Porque há muito tempo que não considero o PT esquerda. É um partido de centro e que quase sempre titubeia caindo mais para a direita. Igualzinho ao PSDB. Aliás, não fossem os sindicatos hoje aparelhados pelo PT (e é aparelhado mesmo, no exato sentido que essa expressão tem para a esquerda – a real, e não a fictícia), as ONGs que trabalham para o governo Lula e o MST pesando no lado da balança do PT e a truculência com os movimentos sociais e a aliança com o DEM(O) pelo lado do PSDB, programaticamente os dois estão em pé de igualdade. Iguais até demais, eu diria.
    Quanto ao DCE da UFRGS, não conheço a conjuntura atual do ME. Mas se for parecida com a época em que militava, independente de quem seja culpado de fato pela vitória inédita da direita, os culpados sempre serão os “troskos”. Sempre foi assim.
    Não voto no Plínio e nem sou do PSOL. Mas defendo o direito dele e do partido de dizerem o que bem quiserem e defenderem a política que consideram mais justa. É assim pra todos. Divido com ele o direito de criticar o governo Lula e sua candidata, independente se alguém acha que isso favorece Serra e o PSDB. Liberdade de expressão ampla, geral e irrestrita!

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  3. Primeiramente. A esquerda não se une porque alianças na esquerda são construídas por ideologias (motivos que impediram aliança PSOL, PCB e PSTU) enquanto os partidos da direita e centro se aliam por interesses (como o PT com o PMDB nacionalmente e o PT com o ruralista Osmar Dias do PDT no Paraná) A situação é simples. PT não é mais de esquerda, já foi, mas não é mas!
    Sendo assim, pouco importa Serra ou Dilma, serão gestores de um mesmo programa com nuances diferentes!
    Não creio que seja o momento, e talvez nem o ano de apostarmos no menos pior!
    Era filiado ao PT até pouco tempo, sai quando começaram as disputas dentro do partido para definir coligações.
    Sinto muito, mais pelo Brasil do que pelo PT, mas hoje o PT se desinteressou pela população e se interessa única e exclusivamente em se eleger.

    Com imenso pesar.

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  4. Iuriatan Felipe Muniz disse:

    Cristina, eu vejo na sua crítica uma ideia de fundo de que o PT é um partido de esquerda. E gostaria de tentar falar sobre por quê é mais importante desmascarar o PT que insistir em criticar o PSDB.

    O PSOL é um produto da degeneração do PT enquanto partido que lutava pelo interesse dos trabalhadores e se propõe a dar fôlego na construção de um novo projeto de mudança. O PT de hoje é o principal articulador dos interesses do capital no país, e Lula é o pivô da maior confusão que o movimento social deste país já viveu. Basta ver que depois que Lula assumiu o poder a capacidade de luta independente (pessoas nas ruas) dos trabalhadores tomou um banho de água fria. Até hoje estamos engolindo o desmonte da universidade pública, da previdência pública, da saúde pública, dos direitos trabalhistas, etc, e o povo não sabe dizer se a vida está ruim ou está melhorando! Justamente pelo fato de lula não ser “tão malvado” quanto Serra, é que ele tem mais condições de implementar a agenda do capital sem despertar a resistência do movimento social. O PSDB e Serra, por outro lado, ainda não são especializados neste tipo de construção política.

    Vamos acordar! PT, PSDB, PV, PMDB, DEM, PSB, PC do B, e seus amigos estão todos no mesmo balaio. O balaio dos capitalistas. É preciso construir junto aos trabalhadores uma clareza do papel que estes partidos e seus quadros jogam no cenário brasileiro. Enquanto não houver amplas lutas sociais, os direitos dos trabalhadores vão continuar sendo minguados a cada dia. É este o desafio da esquerda de verdade.

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  5. Uma vez eu li em algum lugar (acho que foi no Twitter mesmo): os petistas são de esquerda, mas o PT não.

    Claro que não acho PT e PSDB iguais – até porque considero que o governo do PT é muito melhor que o do PSDB (que foi péssimo). Uma série de motivos (http://caouivador.wordpress.com/2010/05/05/por-que-nao-votarei-em-dilma-no-1-turno/) me levam a votar no Plínio, e não na Dilma, no 1º turno: no 2º, aí voto nela para impedir a volta dos tucanos ao governo. Pois essa eleição é diferente da para o DCE, que só tem um turno – nela, a divisão da esquerda (que naquele caso deveria ter se unido contra o adversário maior) favoreceu a direita, que concorreu unida.

    Mas concordo (assim como o Tsavkko) que os discursos anti-PT que o PSOL muitas vezes apresenta são burros: lembro que na eleição de 2008 aqui em Porto Alegre, a Luciana Genro atacava um monte a Maria do Rosário, e só “discutia propostas” com o Onyx, do DEM. Ou seja, estava mais empenhada em bater no PT do que na direita.

    Quanto ao Plínio convidar o Serra para um café em sua casa, lembro dele ter dito certa vez que Serra é seu amigo, o que não necessariamente quer dizer que eles tenham de concordar politicamente. Eu também tenho amigos que na política discordam totalmente de mim, mas que nem por isso deixam de ser meus amigos.

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    1. Essa frase circula muito pelo Twitter, eu mesmo a disse uma vez ou outra e é fato. A direção do partido está longe de ser de esquerda, mas boa parte da militância ainda o é. Maranhão é emblemático. Dá pra dizer que apoiar Roseana é atitude de esquerda?

      O PT abandonou o projeto de governo pelo de poder, infelizmente. Mas é aquilo, não é igual ao PSDB porque nada pode ser tão ruim quanto o PSDB.

      Ambos se parecem, é fato, mas a criminalização de movimentos sociais arrefeceu. O processo de diálogo com os movimentos e com a base foi maior – ainda que isto não necessariamente signifique implementação de nada, vide PNDH-3.

      Como você, voto em Plínio. Segundo turno é Dilma, não se escapa. Mas eu gostaria de ver o Plínio debatendo mais com propostas e menos com ataques como vem fazendo. Acaba sendo contraproducente pois, mesmo não estando errado no teor, está no tom. E isso afasta um eleitorado que está desiludido ou revoltado com o PT – Maranhão, Minas, Rio, etc -, mas que não está disposto em votar na oposição, e sim na alternativa.

      O PSOL falhou em se colocar como alternativa e virou oposição. Precisa rever alguns conceitos.

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      1. Acho mais justo a frase assim, mesmo que longa demais para o Twitter:

        Os petistas e o PT são de esquerda, mas a direção de um partido que está no poder precisa mediar esse partido de esquerda e um governo que não tem maioria de esquerda para governar.

        Nas minhas críticas aos partidos que nasceram de costelas do PT relaciono a dificuldade destes de conviver com a democracia representativa (ou burguesa). Essa é a limitação do PT no governo.

        O fato concreto é que sem o PMDB e suas mazelas, não haveria mais governo Lula e seus avanços. E se alguém acha que o PT e os petistas estão conformados com isso, se enganam.

        Mas nos falta muitos, muitos votos.

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  6. O que acontece é que, na prática, a esquerda mais radical é sim igual a direita. Porque não leva em consideração a questão maior que é a democracia. Quando a direita está no governo, não leva em consideração a vontade do povo. E se a esquerda tomasse conta, não levaria em consideração o povo também, já que para aceitar qualquer um do seus tópicos, sempre um grupo muito grande de pessoas ficariam infelizes. O caminho correto é o caminho do meio. Avançar o Brasil para todos, seja rico, seja pobre. E é isso o que o Lula faz. Eu não acredito em nenhum político da esquerda radical pois eles não conhecem a vontade do povo, só a vontade de ideologias velhas e mal concebidas.

    Unidade. Precisamos de Unidade. Não existem mudanças curtas e sem trabalho. Tudo é preciso calma e paciência. Se continuarmos a apoiar o Lula e o PT chegaremos lá. E é nisso que o PT se difere do PSDB. Ou alguém acha que se o Serra for presidente as coisas não vão voltar como era antes? E o que vai restar para o pessoal da ala radical da esquerda e muito menos do que eles tem hoje, pois agora o Serra é mais conservador do que nunca e não vai dar moleza para os movimentos sociais e de esquerda desse país.

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    1. Esse seu “caminho” me parece ideologicamente vazio. E está longe da esquerda. E esquece uma questão básica: O Capital é inimigo do trabalhador. Ou você privilegia o capital ou privilegia o trabalhador. É possível casar as coisas por um tempo, mas a longo prazo a corda arrebenta e será preciso fazer a escolha. Com PMDB no papel de irmão só tenho a temer.

      Colocar a dicotomia Serra/PT é fácil e não serve. Precisamos olhar para o PT e o que ele propõe. Serra é o atraso, Marina é o atraso (http://tsavkko.blogspot.com/2010/07/marina-silva-so-rindo-ela-representa-o.html) disto sabemos perfeitamente. Precisamos debater é o que o PT fará no futuro, o que representa e o que poderá fazer quando quer apenas o poder à todo custo, ao custo PMDB.

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      1. O PMDB é o atalho necessário para se chegar ao poder; e leva o governo mais à direita (fato). Esse atalho poderia ser o PSOL em outras circunstâncias.

        Mas se a opção é rifar o PMDB e devolver o poder ao PSDB (com o mesmo PMDB), eu fico com ele.

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  7. luizmullerpt disse:

    Tem um processo eleitoral em andamento. Tem dois projetos em disputa.Um que continua defendendo o neo-liberalismo já desgastado no mundo e outro,que defende a regulação do mercado para que a renda seja melhor distribuida e os direitos sejam universais. Lula, no comício de Porto Alegre foi bem claro ao dizer:”foi preciso um presidente socialista chegar ao poder para mostrar aos capitalistas daqui como devem fazer o capitalismo”. Não há meias palavras. É assim mesmo.Podemos continuar insistindo no ridiculo discurso de que todos são iguais, menos o meu, que Plinio começou a expressar depois que saiu do PT, e que era a ladainha proferida diariamente por todo grupo de esquerda que não é do PT. O PT é de esquerda Sim. Por isto 30 milhões de familias sairam da linha de pobreza e 11 milhões de familias acessaram a classe média no governo Lula.Tirar o povo da miséria e fazer a reforma agrária garantindo financiamento não só para o grande produtor mas também para a agricultura familiar, não é nenhuma revolução, mas é Reforma necessária para que um dia possamos falar seriamente em revolução.O periodo eleitoral é só mais uma batalha. E a disputa é entre o Serra e a Dilma, que muito antes do PT existir, e muuuuito antes do PSOL, militava em organizações que se reivindicavam revolucionárias.Cris, estas certa ao levantar o debate.Temos que continuá-lo permanentemente, mas no PT. Por que se não mantivermos no poder este projeto que o governo Lula começou, voltará ao poder o atraso da submissão ao capital internacional, por que Serra será o legitimo representante da “Teoria da Dependência” que FHC tão bem descreveu e depois aplicou em seu governo. Eu sou de Esquerda, quero o PT na esquerda, e sou Dilma por causa disto.

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    1. Dizer que o PT e o governo não são de esquerda é o resumo dessa máxima de que a esquerda em geral destaca as diferenças, mesmo que pontuais, e despreza as semelhanças, mesmo que sejam profundas.

      E não se iludam, um governo, qualquer um, será em grande parte o espelho da correlação de forças do Congresso.

      A derrota do relatório do deputado João Alfredo (PSOL-CE) na CPI da Terra, e a posterior aprovação de um feito pelo PFL, deveria servir de lição a todos.

      http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u74257.shtml

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  8. Rubão disse:

    A prova de que você está certo está no fato de que Plínio tornou-se o queridinho do PIG depois do debate da Band. Agora sua agenda é coberta pela Globo e participou inclusive das entrevistas do JN. Qualquer um que consiga ajudar o Serra a chegar ao segundo turno, vira herói da direita. É o que o Plínio é hoje. Lamentável.

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