A loucura de produzir conteúdo para várias mídias ao mesmo tempo

Já faz uma semana que terminou o 5º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo organizado pela Abraji em São Paulo (de 29 a 31 de julho). Por falta de tempo e de internet, não consegui escrever antes, mas, como as discussões não foram temporais, é possível aproveitá-las ainda. Lá havia jornalistas de vários campos ideológicos, mas aparentemente todos estavam dispostos a fazer um trabalho sério. Jornalistas de esquerda ou de direita invocavam a necessidade de fidelidade aos fatos e, a partir disso, a execução de um jornalismo mais interpretativo, mais analítico – o que é diferente de opinativo – e menos raso. Se eles colocam em prática ou não são outros quinhentos, mas vale a reflexão em cima do que disseram.

A ideia aqui é fazer um pequeno resumo de cada uma das palestras que assisti e que acho que valeram a pena, que rendem uma conversa de bar. Coloco uma de cada vez pra não sobrecarregar, com o nome do palestrante e o título da palestra.

Bruno Garcez (@brunogarcez) – “Correspondente multimídia”

Bruno cobriu EUA para a BBC Brasil, produzindo conteúdo multimídia sozinho para a internet e para a TV – tinha parceria com a Band, que veiculava muito de seu material. Foi também ao Haiti (antes do terremeto), entre outros lugares. Circulava de um lado para o outro com câmera, tripé, máquina fotográfica, bloquinho, caneta, em alguns lugares colete à prova de balas e o escambau.

Acostumou-se a montar a câmera no tripé, virar o visor para conseguir enxergar o que gravava e seguir para o outro lado para gravar passagem. Ou segurava a câmera com uma mão e o microfone com a outra ao entrevistar pessoas. E assim ia, enlouquecendo, trabalhando por três e ganhando por um.

Sobre a mistura entre jornalismo e entretenimento nas redes sociais, disse que é “confusa, mas inevitável”. O importante é sabermos aproveitar o que esse limite entre os dois pode oferecer. Por exemplo, uma frase espirituosa do Lula pode não caber na cobertura hard, mas cai como uma luva no Twitter, no Facebook.

Falou um pouco sobre a cobertura internacional feita pela brasileira. Acha que melhorou, por causa do protagonismo do Brasil. Eu diria que tem muito de o Brasil se sentir mais inserido, se sentir parte do mundo, não mais um mero coadjuvante. É ator principal agora, então tem que falar de tudo o que o circunda, não apenas assistir a atuação dos outros. O mundo passa a ser interessante para a imprensa porque a cobertura de mundo completa a de Brasil. Bruno disse que a cobertura de toda a América Latina melhorou, porque ela também é mais protagonista: “independente de gostar ou não das figuras, é impossível ignorar Chávez, Evo, Cristina, Uribe, Ingrid Bentancourt…”.

A loucura de produzir conteúdo para várias mídias ao mesmo tempo

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