Do denuncismo sujo de Veja

Homicida?

Duas coisas são particularmente bem graves no denuncismo da Veja desta semana, fora as acusações infundadas e as conclusões levianas. Uma está lá pelo meio do texto, quando Diego Escosteguy e Otávio Cabral dizem: “Com medo de retaliações por parte do governo, (o empresário Fábio Baracat) refugiou-se no interior de São Paulo”. Um pouco mais adiante, cita o próprio Baracat: “Temo pela minha vida. Vou passar um tempo fora do país”. Ou seja, a reportagem sugere que o PT é capaz de matar para esconder falcatruas políticas. Com base em quê chegaram a essa conclusão, não se diz.

Veja tenta boicotar o PNBL

O outro ponto preocupante está na última parte daquilo que eles chamam de reportagem. Ao se referir ao Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), o texto diz que se trata de “uma invenção que vai consumir 14 bilhões de reais para universalizar o acesso a internet no Brasil”. Digamos que haja equívocos na forma como a execução do PNBL esteja se dando. Digamos que haja superfaturamento, tráfico de influência, que algumas pessoas estejam sendo beneficiadas. Digamos. Nada disso faz do PNBL um programa ruim, uma “invenção” apenas para levar dinheiro público para alguns bolsos privados. Nada disso desmerece o programa, o seu objetivo.

Mas é compreensível. Para o padrão Veja, “gastar dinheiro” para democratizar o que quer que seja é ruim. Mesmo que todos os cidadãos paguem impostos, apenas os leitores de Veja devem ser beneficiados, segundo seus critérios editoriais. Usar o dinheiro público para dar acesso a todos, “universalizar”, como a própria matéria diz, é ruim. Afinal, por que os pobres têm que ter a mesma internet que eu, se eu sou muito mais bonito e rico? Se todos tiverem internet, se todos tiverem as mesmas coisas que eu, eu deixo de ser um ser superior. Bem o perfil da Veja e da maioria de seus leitores, convenhamos.

O problema é o alcance que essas frases podem ter. A nossa sorte é que, como disse o Lula essa semana, a opinião pública hoje somos nós. A opinião pública não depende mais do que a Globo ou a Abril dizem. Nós decidimos o que fazer, o que pensar. O povo decide. Ele sabe.

Por isso, o PNBL não será ameaçado. Afinal, ele é um dos projetos mais inclusivos e importantes a serem postos em prática nos próximos tempos. A inclusão digital é fundamental para uma sociedade mais igual. Sem internet, o cidadão tem oportunidades tolhidas. Ele pode ter o mesmo potencial que um cara da classe média um pouco mais alta, mas não tem a mesma oportunidade. Pode ficar para trás por conta disso. Que o PNBL sobreviva e cresça independente do agouro da Veja.

Do denuncismo sujo de Veja

2 comentários sobre “Do denuncismo sujo de Veja

  1. Taí um programa imprescindível de inclusão, que pode revolucionar a nossa sociedade no médio e longo prazo, e deslocar o poder de influência de maneira irremediável dos meios tradicionais de comunicação.

    E a Dilma sabe muito bem que o projeto político da centro-esquerda no Brasil – sobretudo sem a grande mediação popular que apenas Lula consegue fazer – depende da quebra do monopólio da informação (nem entro na obviedade do avanço social e talz). O PNBL, associado ao marco regulatório das comunicações, será revolucionário.

    E eu adoraria vê-la investindo pesado na educação básica. Tem-se investido em centros técnicos e universidades, mas a base ainda é muito deficiente…

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