A fajuta democracia americana

Não, não acho certo que oposição tenha mais votos e situação fique com mais vagas, como aconteceu na Venezuela. Mas isso me lembra outro caso bem pior, que não foi tratado com tanto assombro por aqui. Mas antes de chegar lá, quero comentar algo que li na Zero Hora semana passada. Não encontro o link agora, mas era uma nota pequena, nem lembro ao certo a notícia, mas o repórter dizia alguma coisa como “parece estranho alguém dizer que a democracia brasileira é mais perfeita que a americana, reconhecida sempre como um exemplo”. As palavras eram outras, mas o conteúdo ia no sentido de dizer que a democracia dos ianques era tida como a ideal.

Pois é essa democracia que permite, por exemplo, que um presidente seja mais votado e outro, um Bush, assuma o posto. E, em se tratando de presidente da República, a coisa é bem mais grave. Até porque a Venezuela adota um sistema de representação distrital, escolhe parlamentares para representarem regiões. O presidente não representa regiões, mas o conjunto do povo. Ou seja, devia ser aprovado pela maioria absoluta.

Como no Brasil, aliás. Nesse Brasil que a imprensa vem acusando de pouco democrático. Que tem o sistema eleitoral mais avançado do mundo, que quase elimina fraudes. Que tem problemas, sim, e muitos. Que poderia contar com formas mais diretas de democracia, como a participativa, que tem no Orçamento Participativo criado pelo PT na Prefeitura de Porto Alegre seu exemplo máximo. Mas, considerando democracias representativas, é um exemplo para os americanos.

Estados Unidos, sistema político baseado no bipartidarismo. No Brasil, reclamam que o PT vai para o terceiro mandato, que vai chegar a 12 anos de poder. Nos Estados Unidos, foram séculos de alternância entre dois grupos políticos hegemônicos. E que continuam tendo o mesmo poder que sempre tiveram. Um um pouco mais conservador que o outro, mas nenhum efetivamente progressista (no sentido original da palavra, não o surrupiado pelo PP). Naquele 2000 em que Bush foi alçado ao cargo máximo do poder americano, o governo da Flórida estava nas mãos de seu irmão. Por coincidência, as regras das eleições foram alteradas pouco antes do pleito, as cédulas lá foram “mal planejadas” e dificultaram as eleições, atrasando a contagem dos votos e oportunizando fraudes. E, mesmo depois da eleição de Bush, continua sendo tratado como exemplo de democracia. Não é.

Tida como exemplo, torna-se ainda mais fajuta que as outras.

Ou seja, se vamos falar de democracia, se vamos questionar Venezuela, até mesmo Irã – não defendo o sistema político iraniano, por favor -, vamos questionar Estados Unidos. Vamos chamar na chincha a “democracia perfeita”.

Com telhado de vidro, não se atira pedra nos outros.

A fajuta democracia americana

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