Feira do Livro terá uma cara diferente em 2010

O programa Monumenta é uma iniciativa do Ministério da Cultura que visa recuperar locais históricos brasileiros. Em Porto Alegre, está restaurando a Praça da Alfândega, por exemplo. Quem passa pelo Centro sabe bem disso: tapumes impedem a travessia pelos corredores de um dos lugares mais agradáveis da cidade.

Certamente há quem questione que seja tão aconchegante. Para esses, dou a minha certeza particular de que pelo menos durante duas semanas por ano é o melhor lugar de Porto Alegre. Este ano não sei se será.

A Feira do Livro reúne alguns elementos que a tornam tão especial. Primeiro, livros. O desconto de 20% não me incentiva a comprá-los, encontro preços melhores em grandes lojas ao longo do ano – sei que isso é péssimo para as pequenas livrarias, mas aproveitar os descontos de saraivas e culturas é o único jeito de comprar livros para um bolso furado. Às vezes, na Feira, cato uns achados nos balaios espalhados pela praça. Acabo nunca saindo de mãos vazias.

Mas a Feira é mais. A Feira do Livro é cultura. É lazer, é prazer. É sentar no banco e ler. É encontrar amigos, ver vida cultural de volta a uma cidade que já foi próxima, mas hoje anda tão distante da cultura que não passe pelo circuito comercial dos mais vendidos – seja cinema, teatro, exposições, incentivo à produção local.

A Feira é também primavera. Depois do inverno chuvoso de todos os anos, em que o Sol se esconde por muitos dias e às vezes parece que vamos sair coaxando, a Feira sempre traz aquela alegria de caminhar nas pedrinhas irregulares da praça sob o céu azul. Sempre chove durante a Feira, mas sempre faz Sol também. Não sei todo o mundo, mas eu mudo com o Sol, meu dia se torna muito mais prazeroso quando é amarelo e azul – sem conotações políticas, claro.

Aliás, falando em política, sempre encontro o pessoal de esquerda na Feira. Lá é espaço para discussão sobre as eleições recentes, a cada dois anos, e sobre as eleições futuras, nos que sobram.

Em 2010, a Feira do Livro vai mudar seus limites. Vai ter que dividir espaço com os tapumes do Monumenta. Longe de mim criticar a revitalização da Praça da Alfândega, o resgate histórico. Mas não deixo de ficar um pouquinho chateada, porque a Feira esse ano não vai ser a mesma. Mais ou menos metade da Praça continuará cercada. No lugar de livros, nosso horizonte estará recheado de muro.

Estou sendo pessimista, depreciando um projeto bacana. Desculpem, é um desabafo. Queria poder ter tudo, abraçar a nova Praça da Alfândega repleta de histórias no tempo que eu quero. Não dá. Torço, então, para que a Feira do Livro 2010, de 29 de outubro a 15 de novembro, seja a melhor possível.

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