Aborto de Monica Serra escancara hipocrisia tucana

Pouco me importaria o fato de Monica Serra ter feito aborto. A vida é dela, o corpo é dela, e não me sinto no direito de julgá-la por isso, até porque defendo a descriminalização do aborto.

Não consideraria o fato relevante por ser de caráter pessoal. Talvez nem o mencionasse, por respeito à privacidade de Monica Serra. Pouco me importaria nada disso, se alguns dias atrás a esposa de José Serra não tivesse incitado o terrorismo ao declarar que Dilma Rousseff “mata criancinhas”.

Na sua tentativa de instaurar um macartismo no Brasil a partir dessa declaração, Monica Serra não poderia ter telhado de vidro. O aborto realizado por ela tantos anos atrás – e que já saiu até na Folha – impediria qualquer tentativa do PSDB de usar o aborto na campanha eleitoral como vem usando. Poderia, sim, defender a descriminalização, mas não criticá-la.

O aborto de Monica Serra escancara a hipocrisia do candidato da oposição. Escancara a utilização de mentiras em sua candidatura. Mostra que o jogo é sujo e baixo, não-confiável.

Se Serra criticasse o aborto sem ter protagonizado um caso do tipo, seria apenas uma posição conservadora e uma tentativa de forçar a discussão pelo viés comportamental moralista, nã0-ideológico. Com o caso do aborto de Monica Serra, seu marido mostra-se mentiroso e hipócrita, tentando jogar no colo da adversária a defesa de uma atitude que ele, como pai da criança que Monica tirou, já cometeu. Torna-se baixo e cruel. Pessoa capaz de tal artimanha não mereceria meu respeito em situação nenhuma. Como posso votar nele para presidente do Brasil?

Aborto de Monica Serra escancara hipocrisia tucana

25 comentários sobre “Aborto de Monica Serra escancara hipocrisia tucana

    1. cidinha honesco disse:

      eu ao contrário vejo milhões de motivos para votar na dilma,pois não desejo ver novamente um país humilhado,sem alto estima e com medo de tudo o que acontecia lá fora,não quero milhões de desempregados,desesperados e sem esperança no futuro como viviamos a dez ou oito anos atrás,hoje tenho orgulho de ser brasileira,vejo uma nação forte,hoje o brasil é como se fosse uma poesia,a mesma poesia do nosso lindo hino nacional,viva o lula, a dilma eo pt.

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    2. wilson disse:

      Vamos canonizar a santa do pau oco, Monica Serra, como a padroeira do aborto no Brasil, e sua festa seja dia 31 de outubro, para que sua memória seja lembrada para sempre como exemplo da “verdadeira” democracia, a democracia do PIG: uma estrangeira que está em nosso país falando abobrinha! Volta para o Chile, Mônica! Tenho certeza que a Michelle Bachelet quer levar um papinho contingo, velhinha retrógrada!

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  1. ilton marques disse:

    Estou pasmo!!!! Agora a hipocrisia de Serra foi desmascarada de vez. Como ficam agora os Srs. do obscurantismo, religiosos de todas as matizes que decidiram fazer campanha aberta para Serra, sob o argumento do aborto. COMO FICA AGORA O PASTOR SILAS MALAFAIA? cOMO FICAM OS BISPOS CATÓLICOS QUE PRECONCEITUARAM A DILMA SOB O MANTO DESSA HIPOCRISIA. O Brasil não merece isso, Chega de mentira, chega de hipocrisia. Como disse a ex-aluna de Mônica, a esposa de Serra deveria ser presa?

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  2. Ana disse:

    Já Fiz um aborto e me arrependo amargamente todos os dias de minha vida. Poderia hj ter uma filha ou filho com 14 anos. Mas foi uma decisão q tomei sozinha. Hoje, quando presencio casos de amigas ou amigas de amigas ou filhas de amigas, procurando indicação de medico, clínica, etc me posiciono prontamente. Não de forma a sensurar. Mas de orientar. Conviver com essa decisão é pesado. Em algum momento da vida o questionamento aparece. E digo que uma ação dessas aos olhos do universo não passa impune, um dia a conta chega. Ser a favor da vida, em qq circunstancia, sob qualquer ameaça é a postura mais nobre e de galhardia que resta ao ser humano. Depois dessa outras honrarias podem vir. Mas a valorização da Vida é a essência de tudo.

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    1. Dai disse:

      Ana, assim como vc, muitas mulheres se arrependem. Mente aquela pessoa que diz que só se arrepende do por mais que pareçam sensatas e apropriadas num dado momento, podem acarrentar consequências imprevisíveis. Um amor que deixamos no passado, um casamento terminado, uma profissão abandonada, uma carreira interrompida, podem vir a ser lamentadas, em funçao do curso da vida.
      No entanto, não sei se vc sabe, mas se surpreenderia com o enorme contingente de mulheres que sente nada mais que alívio quanto interrompe uma gravidez. Por razões que não nos compete julgar, não alcançamos, mas que são relevantes para aquela mulher. Imagine uma mulher estuprada ou a mãe de um bebê anencéfalo, o que ela pode vivenciar ao longo de 9 meses de gestação? Como podemos saber?
      Que bom que vc sobreviveu ao aborto que escolheu fazer, lamento pela dor que carrega, e não me cabe julgar por qual motivo, mas só posso desejar que não se sentisse tão culpada ou tão solitária. Mesmo assim, sobreviver à escolha do aborto não é o caso de milhares de mulheres que o fazem no SUS – em sua maioria negras e pobres.
      Acho que o caso da Mônica Serra, por controverso e tortuoso que seja, nos permite tratar do tema sem a enfadonha hipocrisia dos falsos moralistas. Eu lamento pela dor dela, por tudo o que ela passou. E não gostaria que fosse julgada por esse aborto. Mas acredito que essa constatação tão óbvia – mulheres da campanha do Serra, da Dilma e de qlqr outra certamente fazem aborto, a maioria de nós faz, assim indicam as estatísticas – nos leva a questionar essa falsa defesa da vida em questão – que ignora a morte de milhares de mulheres em consequência da clandestinidade e da hipocrisia.

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    2. minha cara, leia o livro Freakonomic e entenda porque as mães tomaram essa decisão nos EUA.
      Sou favorável a vida acima de tudo porém acredito que o nascimento de fato ocorra no momento de dar a luz.
      Pior acredito é uma mãe ser forçada a colocar uma criança no mundo com dificuldades de sustentá-la.
      A gravidez planejada deve ser incentivada a toda a população.
      Os ricos sempre tiveram acesso ao aborto porém o pobre não. Legalização do aborto diminui o número de crianças desamparadas no país, o número de abandonadas, sem contar que os orfanatos não ficarão tão lotados.
      Por que para se adotar há tantas exigências mas para ter um filho qualquer casal pode fazer? Quem que paga a conta quando o casal não tem condições. O pior, quando existe casal. Existem muitas mães solteiras envergonhadas de abortar porque a sociedade hipócrita diz que você não pode fazer.

      Leia o livro Freakonomics e veja quais foram os resultados da diminuição de nascimentos indesejados nos EUA na década de 70 com reflexo em 90.

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  3. Wal disse:

    Parabéns pelo post. Essa é a primeira vez que contarei disso “publicamente”.
    Sou mulher, fiz um aborto em 2006. 28 anos, 2º ano da faculdade de direito, morando em outra cidade, trabalhando o dia todo como estagiária. O “pai”? Um affair de cinco dias, plus um preservativo mal colocado. Ele é viajante do mundo. Atraso da menstruação. Exame de sangue. Nunca esquecerei aquela tarde de maio. POSITIVO. Sentei na escada do laboratório. Chorei. Merda. Em momento algum me senti mãe. Em momento algum desenvolvi qualquer vínculo afetivo por aquele amontoado de “células pretensiosas” que se multiplicavam dentro de mim, e que estavam causando os primeiro sintomas: muito sono, inchaço nos seios, leves enjôos. Naquele momento não havia esse vínculo, essa construção sócio-cultural e emocional que entendo essencial para configurar uma relação de maternidade. Eu queria um futuro diferente. Viagens. Estudos. Escrever livros. E aquilo dentro de mim, naquele momento, não era um filho. Era um problema a resolver. MEU PROBLEMA, porque o co-participe nos 50% restante já havia se evadido. Os argumentos dele? Todos dentro da normalidade machista: não era possível que fosse pai naquela idade – e nem era tão velho, e ainda ouvi a pergunta “natural” será que era dele mesmo. Pedi o dinheiro. Ele mandou e disse que seria a primeira e última vez que mandaria dinheiro. Esqueça-me, disse ele. Santa internet. Por incrível que pareça, naquele tempo era bem mais fácil comprar misoprostol pela internet. Comprei. Depositei o valor na conta. Os comprimidos chegaram. Avisei meus 2 melhores amigos, que me hospedaram, abraçaram e ficaram comigo durante todo o processo. Sinceramente? Nem foi esse terror que se pinta. Desagradável, sem dúvida. Tanto quanto uma cólica menstrual. Sangra igual à menstruação. Nada de dores dilacerantes que se dizem. Não pensei que ia morrer. Talvez porque eu estivesse de apenas 5 semanas incompletas. Tudo foi simples. Fui para minha casa. Ao descer do ônibus, senti algo deslizando dentro de mim, como se fosse um coágulo menstrual. Ao chegar ao banheiro, lá estavam as células, envoltas num mínimo saco gestacional. Peguei na mão, olhei, e despejei no vaso sanitário. Com o fluxo da descarga, naquelas águas rápidas, experimentei um dos maiores sentimentos de alívio nessa vida. Os dias passaram. Tomei a medicação certa para limpeza uterina. Fiz uma ecografia. Tudo em ordem. E a vida seguiu. Hoje, viajo meio mundo. Escrevo livros. Luto por direitos. Faço a diferença. Durmo tranqüila. Não tenho remorso algum. Culpa zero. Não faço drama. Sou serena com MINHA decisão à época. E hoje, por viver outro momento, mais completo e mais pleno, de cumplicidade total em outros braços, tomaria outra escolha caso o Beta HCG venha a apresentar valores acima de 100 (mUI/ ml). Porque hoje o DESEJO pelo filho existe.
    Minha LUTA é por todas as mulheres, para que não sejam criminalizadas. Para que não se sintam como criminosas por fazerem uma escolha. Não quero que nenhuma outra mulher tenha que abdicar de seus sonhos em prol de imposições culturalmente construídas. Maternidade? Apenas aquela DESEJADA. O desejo pelo filho prescinde o planejamento. Quando não houver desejo, não deve haver maternidade compulsória. E não há nada de errado em se querer ser mãe em outro momento. E cabe à MULHER escolher esse momento.
    Já disse bem um certo alguém numa canção “Para a mulher que aborta: Repouso”.

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  4. Cleberson Silva disse:

    O fato de a esposa do Serra ter feito um aborto no passado, por si só, não torna a defesa pela manutenção da proibição do aborto ‘hipocrisia’. Pelo contrário, serve para fortalecer sua posição contrária ao aborto. A quem perguntar, provavelmente ela dirá que fez o aborto, se arrependeu e que luta para que nenhuma mulher passe pelo que ela passou.
    Provavelmente não é sincero, mas, afinal, o que há de sincero vindo do Serra, da Dilma e daqueles em seu entorno?

    Eu, pessoalmente, sou favorável ao aborto em qualquer caso em que um dos país não deseje o nascimento do filho.
    A mãe não quer ter o filho? Aborto.
    O pai não quer ter o filho? Aborto.
    Se o pai não quiser o filho mas a mãe não abortá-lo, ele deveria ficar livre de qualquer obrigação financeira para com o filho, já que a mãe resolveu criá-lo por conta própria.
    Simples assim.

    Infelizmente a eleição derivou para esse lado fundamentalista. A grande ironia é que tudo levava a crer que a Dilma venceria sustentada pelo voto dos eleitores com pouco ou nenhum discernimento, majoritariamente situados no Norte e no Nordeste, e talvez, por conta da questão religiosa, justamente esses eleitores sem discernimento é que façam ela perder a eleição.

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  5. Odete disse:

    Todas as qualidades e competencia que a Dilma possa ter como candidata a presidente se perde na posição de TESTA DE FERRO a que ela se sujeitou.
    Lamento não ter um candidato por quem realmente valha a pena se envolver.

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  6. Jacy Júnior disse:

    Todos os debates convergem para o Fundamentalismo Religioso. Essa é a “frase resumo”, que fiz, sobre todos os debates que assisti e li. Ouvi uma pessoa dizer que concorda com os casos previstos na lei, mas não é a favor da legalização do aborto… Como assim? Quanta contradição. rs

    O que está acontecendo com a Dilma, foi o mesmo que aconteceu com a Jandira Feghali, no ano de 2006, aqui no RJ. Posicionou-se a favor do direto ao aborto e foi hostilizada.

    Creio que foi o maior erro da Dilma dar depoimentos contraditórios sobre o assunto.

    Julgá-la, sem conhecer suas propostas, é a mesma coisa que votar no Serra acreditando na hipocrisia tucana.

    Aborto, diz respeito a saúde pública e, não vai ser nenhuma opinião contrária ou favorável à legalização do aborto, que mudará o futuro da nação, será o seu voto no dia 31 de outubro. Vote consciente, escolha o seu candidato e veja se é compatível aos seus princípios.

    Debates rasos, nos tiram de coisas mais importantes que poderíamos estar fazendo!

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  7. Paula Mariana disse:

    Parabéns pelo artigo…
    Quanta hipocrisia, hein????
    É como vc diz, é problema deles se já fizeram ou não aborto, mas sentar sobre o próprio rabo e olhar o do vizinho!!!!! É muito feio
    O Zé Pedágio judiou muito de nós professores e ainda fica fazendo discurso de moralista, com mentiras tipo: 2 professores por sala, salário, plano de carreira, melhoria de qualidade de ensino, etc e tal. Na prática temos uma “aprovação automática” onde o aluno só precisa ter presença e nada mais, temos salários defasados, database desrespeitada, plano de carreira inexistente, mérito injusto e além de tudo, porrada, PM, gás lacrimogênio, cacetetes, bala de borracha… em nossas manifestações.
    Este homem é um ditador, perseguidor, mentiroso, não cumpre o que promete.
    Pena que moramos num estado tão conservador onde o PSDB ainda tem poder, eleger o Alkimin!!!!!! Ninguém merece…
    Continue nesta caminhada, mostrando verdades que a maioria da imprensa esconde.
    Parabéns

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