O tamanho do retrocesso de Serra

Não é por causa da derrota política que amargaria que me preocupo de PT perder as eleições. Os motivos para defender a candidatura Dilma vão muito além. Preocupa-me a derrota do projeto do PT pelo que ele significa para o Brasil. Tenho medo não do resultado das urnas abalar as bases do partido, mas das consequências que um governo Serra traria para a população brasileira.

Uma eventual vitória do PSDB significaria um retrocesso. De tão repetida na campanha, a palavra chega a perder o seu significado. Resgato o retrocesso como algo concreto, que chegaria no dia a dia dos brasileiros. No dia a dia de quem agora compra iogurte, de quem trocou de casa, de quem vive na periferia está tendo acesso a mais recursos. De quem ganhou emprego, conseguiu uma vaga na universidade.

Qual o objetivo?

Brizola Neto vem insistindo que os ataques a Dilma têm como alvo, na verdade, o presidente Lula. O objetivo é enfraquecer uma força política muito grande que enfraquece qualquer tentativa da oposição de competir contra. Não há um candidato no Brasil hoje capaz de derrotar Lula nas urnas. Sabendo disso, o PSDB precisa, para sobreviver, chegar ao Palácio do Planalto no início de 2011.

Com isso, o projeto político adotado para governar o Brasil se inverteria. Se até agora Lula lida com a disputa de forças das elites contra os movimentos sociais – representando a maioria da população -, em um governo de Serra esses movimentos perderiam muito da sua influência. O espaço seria aberto aos grandes grupos hegemônicos, como o país estava acostumado nos 500 anos que o antecederam.

O caminho para a democratização da comunicação seria fechado

Vemos agora uma imprensa baixa, suja, que usa de artimanhas para conseguir o que quer. Mas vemos um movimento contrário ganhando força. Tivemos uma Conferência Nacional de Comunicação, a primeira da história, temos um crescimento do número de blogs e do acesso a eles, vemos um espaço dentro do PT disposto a discutir a comunicação com vistas a democratizá-la, ainda que o governo Lula tenha feito muito pouco nesse sentido (leia aqui, aqui e aqui). Uma mentira na imprensa não dura mais muito tempo. A disputa ainda é muito difícil, mas, com Serra, seria incrivelmente pior.

Em um suposto governo Serra, a grande mídia navegaria em águas mansas. Fortalecer-se-ia. Hoje estamos em um cabo de guerra duríssimo, em que as chances de vitória são reduzidas, mas em que é possível ganhar alguns centímetros pouco a pouco, com muito esforço. Vai-se ganhando espaço a cada ato, a cada palavra. A cada dia, mais um se junta para ajudar a puxar a corda. Com o PSDB no Planalto, o lado mais forte da corda seria preso a um trator, que passaria por cima dos interesses de todos os que dia a dia se juntam ao outro lado, historicamente mais fraco. Nossas ambições de discutir a comunicação com a sociedade, com a participação de todos, iriam por água abaixo.

É isso que me preocupa. As consequências que isso poderia trazer. Uma grande mídia como a que temos ainda mais fortalecida prejudicaria o debate democrático. Sem pluralidade, ficamos com o discurso de uma só voz, uma só ideia. Quando uma só ideia chega à maioria da população, ela fica sem opção de escolha. Não lhe é dada a possibilidade da crítica. Reduz-se a democracia no país. Quando poucos têm acesso aos meios para transmitir conteúdo, a pluralidade vai por água abaixo. Um país não se vê representado se todos os grupos de comunicação são coordenados por pessoas que pensem da mesma maneira, oriundos da mesma classe social, com a mesma cor e a mesma religião.

Longe de respeitar credos, raças, regiões, um governo Serra fortalecendo a mídia corporativa favoreceria a desigualdade. Não queremos isso.

O tamanho do retrocesso de Serra

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