ONU: 187 a 2 pelo fim do bloqueio a Cuba

Hoje a Assembleia Geral da ONU votou mais uma vez o fim do bloqueio a Cuba. Mais uma vez, vitória esmagadora de votos para que essa punição há tantos anos aplicada ao país de Fidel seja levantada. Foram 187 votos contra 2 em prol da resolução em que a ONU pede que os Estados Unidos levantem o bloqueio econômico e comercial que mantêm à ilha de Fidel há quase meio século. Em 2009, o placar foi de 187 a 3, com duas abstenções. É o 19º ano consecutivo que a ONU pede o fim do bloqueio.

A Associação José Martí e a Frente Parlamentar Gaúcha em Solidariedade ao Povo Cubano, coordenada pelo deputado Raul Carrion, realizaram ontem na Assembleia gaúcha um ato de solidariedade pelo fim do bloqueio econômico a Cuba. Imposto pelos Estados Unidos em 1962, ainda nos tempos de Guerra Fria, quando o mundo se dividia entre capitalismo e comunismo, rendeu, até o ano passado, 780 bilhões de dólares de prejuízo à ilha caribenha.

Muito mais que uma simples cifra, o valor tem consequências no dia a dia da população. Cuba é seguidamente apresentada como exemplo de pobreza, como um país que enfrenta enormes dificuldades econômicas. Ainda assim, ostenta índices invejáveis de saúde e educação para países como o Brasil, por exemplo. Imagina se não sofresse todas essas restrições.

A hegemonia norte-americana ao longo de boa parte do século XX fez com que dominasse muito do desenvolvimento tecnológico mundial. Com a globalização e a influência dos EUA nos mercados internacionais, grande parte das indústrias multinacionais tem sócios americanos, sede lá ou faz produtos que têm componentes americanos.

O vice-chefe da Embaixada de Cuba no Brasil, Alexis Bandrich Vega, presente no ato de ontem, citou o exemplo de aviões da Embraer, que têm sua manutenção encarecida em 40% a 60% porque suas peças têm algum componente feito nos EUA. Cuba também não pode obter crédito em bancos americanos, no FMI, no Banco Mundial.

Há casos bem graves. Vega citou o caso de quatro crianças, uma de três anos, duas de cinco e uma de oito, que têm um problema no coração que seria facilmente resolvido se um simples cateterismo introduzisse um pequeno aparelho em seu peito. Acontece que ele é vendido só pelos EUA e, por conta do embargo, as crianças agora vão ter que fazer uma operação maior e mais complicado, com riscos maiores, para tentar resolver o problema.

Ou seja, o bloqueio econômico a Cuba não é só uma sacanagem com um governo que tem posições ideológicas diferentes. É uma crueldade, que sacrifica milhões de pessoas em nome de um conservadorismo que ainda domina entre os americanos e que impede que o governo Obama tome providências que seriam impopulares. É um bloqueio que não faz mais sentido há muitos anos. Que persiste porque falta a iniciativa de levantá-lo. Se algum sentido lógico houvesse, os Estados Unidos deveriam manter embargo semelhante com diversas outras nações cujos governos mantêm posições ideológicas e políticas de Estado conflitantes com as do país de Obama.

O vice-embaixador cubano ressaltou que o bloqueio é unilateral. Quer dizer, não faz sentido exigir contrapartidas de Cuba, porque Cuba não agride os EUA. São os americanos que agridem Cuba, e só cabe a eles decidir parar de fazê-lo.

“O bloqueio é moralmente insistentável”, finalizou Vega, e completou: “os EUA devem levantá-lo imediatamente, porque é injusto e cruel”.

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