Impostômetro: arrecadação aumentou porque o país cresceu

Os jornais sempre tratam os impostos como o bicho-papão dos brasileiros. De fato, ninguém gosta de dar um tanto de sua renda seja lá para o que for. O problema, na verdade, é que “impostos” é um termo um tanto abstrato, que não deixa claro o que acontece com o dinheiro. Às vezes fica difícil de perceber que aquela parte da renda que é “comida” a cada mês (ou a cada dia, a cada compra) é na verdade um investimento para a sociedade, para cada cidadão, ou seja, para si próprio.

Esta semana (dia 26) o impostômetro, letreiro eletrônico exposto em São Paulo, chegou à marca de R$ 1 trilhão arrecadados neste ano de 2010. O que se viu a seguir foram todos os jornais bravateando que batemos recordes de arrecadação, que no ano passado a cifra só foi atingida em dezembro.

Mas não explicam por quê. Daí fica a impressão de que a carga tributária aumentou e que o governo é malvado. O fato é que arrecadamos mais impostos porque melhoramos de vida. Mais gente trabalhando e com melhores salários, mais imposto de renda. Mais gente comprando, aumenta a arrecadação de CPMF. Mais carros circulando e novas casas abrigando novos donos, maior a quantidade de IPVA e IPTU cobrados. Com o Brasil respeitado e valorizado internacionalmente e com empresas fortes, aumenta o comércio exterior e, com ele, os impostos sobre importação e exportação. E assim segue.

A imprensa e o Estado-mínimo

O problema não é a imprensa fiscalizar. É ótimo ir atrás para ver como os impostos estão sendo investidos, mostrar para onde vai o dinheiro dos brasileiros, qual o destino de cada centavo que deixamos para os governos administrarem, ver se não estão sendo desviados para outros fins. Mas não é isso que a imprensa faz. Ela reclama sem contextualizar, na maioria das vezes. Faz o jogo de quem defende a menor intervenção do Estado na economia. Que quer que cada um se vire sozinho, pague por todos os serviços.

Está errado que tenhamos um serviço de saúde de baixa qualidade, escolas deterioradas com professores ganhando mal, estradas pedagiadas. Não é justo que paguemos duas vezes pelo mesmo serviço. É esse Brasil que construímos nos últimos 500 anos e que precisamos mudar. Mas temos que mudar investindo mais nos serviços públicos, não simplesmente cortando a arrecadação e deixando que cada serviço seja pago pelo cidadão.

Fica mais fácil reclamar quando se pagam impostos e ao mesmo tempo se paga escola particular e plano de saúde. Então, quem mais pode pagar é normalmente quem mais reclama. Alguns com certa razão, a classe média se aperta para garantir serviços melhores para suas famílias, mas é preciso entender que a possibilidade de pagar esses recursos particulares já é um privilégio frente a maioria da sociedade e que o ideal seria que todos tivéssemos as mesmas condições, com bons serviços públicos.

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A foto mostra quando a marca foi atingida em 2009.

Vale lembrar que Dilma garante que fará uma reforma tributária, para que os impostos sejam cobrados e aplicados de forma mais justa.

Impostômetro: arrecadação aumentou porque o país cresceu

2 comentários sobre “Impostômetro: arrecadação aumentou porque o país cresceu

  1. Equilíbrio é a cessação da luta pela hegemonia. Estado e Mercado eficazes. Qualquer desequilíbrio prejudica o povo, porem o do Mercado caotico o tal de fim da historia do Fukuyama ou o TINA o there is no alternative da Thatcher e Reagan e mais prejudicial por basear-se na competição. Esta é um valor do mercado porem se desacompanhada dos outros valores da igualdade de informações (adotada p.e no mercado de capitais) e de oportunidades (caso do acesso á educação) se torna por interesses escusos o que causa a nossa vergonhosa desigualdade de renda das famílias com tudo que Lula fez e Dilma fará. Temos o bônus de sermos o pais mais rico do planeta. Não deveria haver o medo psicopatológico da perda nem dos falsos privilégios.
    Resolve-se em muitas ações entre elas a educação holística, cientifica e filosófica, longo e seguro caminho. Também meios de comunicação democráticos. Neste já estamos andando. Após a eleição de Dilma uma grande tarefa mais árdua do que a disputa eleitoral. Entretanto intuo um certa inexorabilidade de um novo ciclo. Uma corrente de pensamento fortalecendo um indestrutível inconsciente coletivo. Pe o caso do aborto com o depoimento das alunas. Vc vai ver ainda o do Papa. O novo ciclo “cobra”. Alias esse mito de cobrança. A das falsas elites para ser contundente tinha que vir por um “chão de fabrica” um artesão respondendo ás Maria Antonietas modernas “cheiro de cavalo” “É impossível a inclusão de todos” “MERCOSUL é uma farsa”. Tinha que ser feito por um “simples de coração”

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