O Rio, os jornalistas e as opiniões

De cá de longe, dos pampas gaúchos, aprovo a operação da Polícia no Rio. Aprovo porque vejo o apoio da população, acho que pela primeira vez. E porque vi que ela não chegou atirando em qualquer um. Porque acho que não dá pra ignorar que esse é um momento de crise, embora o ideal seja levar o Estado para o morro no dia a dia, em serviços básicos de que a população precisa. Se fazer presente, para que o tráfico não ocupe esse papel.

Mas quem sou eu para saber alguma coisa? Não entendo de segurança pública, leio, mas não tenho conhecimento para falar de políticas públicas para a população. Dou aqui meus pitacos, sobre tudo um pouco. Mas sei que não tenho a razão, tenho apenas uma opinião, e quem disse que certa?

Por isso tento ouvir, tento ler, sempre. Para que os outros, os que sabem mais sobre cada assunto, me forneçam subsídios para que eu entenda um pouquinho melhor e formule minha opinião. Nesse caso do Rio mesmo, só formei a minha depois de alguns dias. E ainda assim duvido dela.

Sou jornalista, convivo com jornalistas e leio jornais. Por isso sei que é muito comum jornalista se achar dono da verdade, opinando sobre tudo sem considerar que pode estar errado. Mas ei, não é, viu. (e essa afirmação pode igualmente não ser verdadeira…)

Eu, particularmente, me policio diariamente pra não cair em tentação.

Claro que todos podem ter sua opinião, normal. Só é importante entender que nem sempre está certo. Até porque ainda não descobri um método infalível de determinar a posse da razão. Vale também sempre tentar construir a opinião com base em muita informação diversificada. Então, deixo alguns poucos links de alguns textos que li sobre os eventos desta semana no Rio de Janeiro – outros já não achei mais. E com a deferência aos que mantêm a cabeça aberta para construir suas opiniões a cada dia, pois me surpreendi com alguns, em blogs ou Twitter, que eu imaginava opinariam diferente, com base em discursos previamente construídos.

Rio de Janeiro, tragédia anunciada? – Blog do Tsavkko

A crise no Rio e o pastiche midiático – Luiz Eduardo Soares

Para além das UPPs, cidadania plena aos pobres do Rio de Janeiro – Maria Frô

A reportagem do New York Times sobre as UPPs – Viomundo

O Rio, os jornalistas e as opiniões

5 comentários sobre “O Rio, os jornalistas e as opiniões

  1. luizmullerpt disse:

    Não sou Jornalista. Mas expresso minha opinião. Achei muito estranha a cara tranquila do tal “Zeu” para quem foi pego “resistindo”, “um pouco”, como disse um policial. As milicias são forças mafiosas organizadas dentro da polícia militar e da polícia civil do Rio. Como é que uma polícia até a poucos dias extremamente recheada de corruptos, vira este show midiático de ação contra a bandidagem? Tem caroço neste angú!! Só espero que na conta do Lula, do Jobim e do Cabral esteja tbm desmontar a estrutura dos milicianos. Senão, terão trocado bandidos civís por bandidos fardados. Espero que não.

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  2. Jacy Júnior disse:

    luizmullerpt. Sabe o que é milícia? É uma organização, formada por ex-militares armados (seja de qualquer área), que fazem uso da concussão. Então antes de você falar, procure saber do que se trata. Corrupção é diferente de milícia.

    Creio que você fala isso porque não mora aqui no RJ. Não sabe a quanto tempo as favelas do RJ estão no domínio da bandidagem. O grande Leonel Brizola, que construiu todas essa bandidagem que aqui existe. Foi no seu governo que bandidos eram tratados como “pessoas normais”, pessoas que roubam, que matavam. E todos que vieram depois dele, apoiaram suas ideias. 30 anos nas mãos da bandidagem.

    Não concordo com muitas coisas que o Cabral fala e faz, mas é o governador junto com o Secretário de Segurança Pública, do estado, que tomam essas decisões.

    E só para contextualizar, em outubro de 2006, o Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE) invadiu o Complexo do Alemão, mas em 12 dias de operação ostensiva, 12 dias de operação ostensiva, um número ainda não conhecido de moradores foram assassinados, feridos, extorquidos, roubados e tiveram suas casas e estabelecimentos comerciais depredados por policiais. Sob a justificativa de procurar por dois traficantes, a polícia instaurou o terror em 21 comunidades compõem o Complexo.

    Depois de alguns pequenos protestos no interior das comunidades, a população do Complexo do Alemão se organizou para denunciar os fatos ocorridos nos últimos dias ao restante da população do Rio e do país. Em uma reunião realizada com integrantes de várias entidades de direitos humanos, os primeiros relatos foram registrados para a composição de um dossiê sobre o caso.

    E como Cris citou: “De cá de longe, dos pampas gaúchos, aprovo a operação da Polícia no Rio. Aprovo porque vejo o apoio da população, acho que pela primeira vez. E porque vi que ela não chegou atirando em qualquer um”. Isto por quê? Devido a falha em 2006, consertaram para que agora não desse errado. Como todos viram na TV, o BOPE junto com as forças armadas, o CORE, Civil, Federal, Ministro da Defesa, Presidente do país, entre outros, conseguiram retomar o que pertence ao Estado.

    Falar sem viver a realidade, é fácil. Já que não é jornalista, procura saber o que realmente acontece!

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  3. Marco Nascimento disse:

    Oi, Cris. Conversei com você e com o Lúcio Uberdan sobre a diferença na percepção que se tem do Brizola nos dois Rios, o gaúcho e o de Janeiro, no almoço do encontro nacional de blogueiros, será que você se lembra? Pois meu conterrâneo deixou-a bem evidente.

    Caro Jacy, como é possível fazer essa bela defesa dos moradores de comunidades contra abusos da polícia e condenar o Brizola por submeter a polícia ao regimento dos Direitos Humanos no mesmo texto?

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  4. Jacy Júnior disse:

    Caro Marco, se reparar, na primeira parte do texto digo como a cidade pós-brizola; não condenei, só apontei o seu posicionamento frente aos bandidos da época.

    A política de Segurança dos Governos de Leonel Brizola no Estado do Rio de Janeiro, é apontada como um dos fatores preponderantes para a situação caótica em que se encontra a ocupação e a segurança pública carioca atualmente. Sua política de “respeito e valorização dos trabalhadores” acabou por favorer o aumento de construções irregulares do espaço urbano (favelização), causando uma proliferação geral das favelas por todos os locais. O governo de Brizola também proibiu qualquer tipo de incursão policial nas favelas, o que multiplicou a violência: tornando as favelas locais “imunes” à qualquer tipo de vigilância do Poder Público, favoreceu a criação de organizações criminosas que existem até hoje, como o Comando Vermelho, especializado em tráfico de drogas.

    Não sei como governou o RS, mas no RJ, tiveram os pontos positivos como: área da Educação, com a criação do Brizolão (escola padrão da época), que acabou não vingando.

    E na questão da invasão do BOPE ao Complexo, em 2006, citei só para contextualizar e responder o enunciado da matéria, feito pela Cris, dizendo que os policiais não entraram atirando em qualquer um, pois já tinham feito de forma errada no ano de 2006.

    Obs: Assista ao filme Quase dois irmãos. Verá como foi cunhado o Comando Vermelho (CV).

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