O preconceito está na TV

A Globo até é mais profissional que a ainda e sempre provinciana RBS e não usar o mesmo palavreado, mas o conteúdo ideológico de mãe e filha é rigorosamente o mesmo.

Quando Luiz Carlos Prates dividiu no ar as pessoas em classes e decidiu que uma pode e a outra não pode – naquele infeliz comentário sobre os pobres e os carros -, não fez diferente do Jornal da Globo de ontem (disponível na íntegra para assinantes). Ambos representam o pensamento da elite preconceituosa e conservadora.

Christiane Pelajo chegou a mudar o tom de voz ao fazer a escalada do jornal – aquele início em que o apresentador lê os destaques do dia. Quando falou no aumento da venda de material de construção, o nojo transparecia no comentário de cunho pejorativo: “Brasil, o país do puxadinho”. Isso porque as classes que mais compraram material de construção foram as que antes não tinham acesso a ele, as classes C, D… É o pequeno consumidor, o que faz “puxadinho”.

Os do nível de Pelajo constroem, mas pobre faz “puxadinho”. As classes A e B fazem reforma, nunca aumentam a laje. A diferença na expressão utilizada demonstra o preconceito. Por que usar palavras diferentes para dizer a mesma coisa?

Qualquer melhoria na vida das classes “inferiores” é tratada com desprezo, como se elas estivessem tomando conta de algo que não lhes pertence.

A imprensa brasileira, neste caso representada pelo Jornal da Globo, tenta a todo custo manter as diferenças de classe, o status. Por isso o ódio do governo Lula, que subtraiu essa diferença, além de ele próprio ser um “pobre” de origem. Afinal, para a mídia, pobre não é condição financeira, é característica intrínseca, que por si só desmerece o cidadão, taxando-o.

Como pode depois querer condenar o preconceito da sociedade, tão exacerbado na última campanha eleitoral, se é ela a principal incentivadora?

O preconceito está na TV

5 comentários sobre “O preconceito está na TV

  1. Não só neste caso foi decadente o jornalão global. Na mesma noite ainda iria ao ar a reportagem sobre Lula de férias às custas do Brasil. A questão é: “Um ex-presidente pode ficar hospedado lá pelo Exército?”

    http://tinyurl.com/2b4zga2

    Para mim é demais. Dá asco assistir a um jornalismo deste, ainda mais sabendo que ele ainda fica impune destes crimes que cometem contra nosso país.

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  2. Juliana disse:

    Esse infeliz comentário do somos andando é típico de analfabetos funcionais, incapazes de enteder o teor do discurso, bem como a situação de discurso de um breve comentário sobre a economia brazuca. Aqui a expressão “O país do puxadinho” tem em verdade a conotação de uma crítica a ausência de políticas públicas coerentes e efetivas por parte do governo nacional aptas a solucionar com dignidade o problema habitacional do país. Nós não queremos um país do puxadinho, mas sim, um país que promova de forma eficaz a habitação digna a todos os seus cidadãos. Taxar esse comentário de preconceituoso em relação às classes C e D só pode vir de quem no lugar de ler perdeu seu tempo precioso vendo o Caco Antibes dizer que odeia pobre e seus “cocretes” e “risolis”. Tristes, tristes trópicos.

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  3. CristinaDracco disse:

    Vindo de quem vem nem me impressiono. Outro dia, essa mesma cidadã, Christiane Pelajo, referiu-se a condição homossexual como “homossexualismo”. Acho que ninguém disse pra ela que, desde a década de 80, o correto é “homossexualidade”, ou seja, condição sexual e não “doença”. Mas fazer esse tipo de pessoas entenderem as diferenças é difícil. Deixe-a viver no mundinho dela fazendo “reformas” invés de “puxadinhos”.

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