Paulo Bernardo deixa jornais impressos fora do marco regulatório

Começou manca a discussão do marco regulatório proposta pelo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. Depois de admitir derrota antes mesmo de encaminhar o projeto, ao afirmar que há poucas chances de aprovar restrições a TVs e rádios de políticos, agora decidiu deixar de fora da discussão os jornais impressos, como se eles não cometessem vários deslizes e não sofressem as transformações tecnológicas que em boa parte justificam a existência do marco regulatório.

Mesmo não fazendo mais por merecer, o jornal impresso ainda é referência de credibilidade e pauta os outros veículos. Pode não chegar a tantas pessoas, mas influencia a informação das emissoras de TV e rádio e dos grandes portais de internet. Precisa, portanto, trazer uma informação séria, confiável e de interesse público.

Os jornais impressos de maior circulação no Brasil são controlados por muito poucos grupos, assim como as redes de televisão. O agravante dessa situação é que muitas vezes a TV e o jornal – além de rádio e portais na internet – pertencem a um mesmo grupo. Em diferentes estados, estão todos nas mãos de uma mesma família, como no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Nesses casos, o que não interessa a esses meios acaba ficando fora da pauta ou sendo tratado de forma parcial e distorcida.

É preciso, pois, que o ministro Paulo Bernardo tenha firmeza frente às poderosas pressões da mídia e leve em frente o projeto que regulamenta TVs, rádios e jornais, diminuindo sua concentração, aumpliando a diversidade informativa e proporcionando a democratização da comunicação.

Paulo Bernardo deixa jornais impressos fora do marco regulatório

7 comentários sobre “Paulo Bernardo deixa jornais impressos fora do marco regulatório

  1. Prezada,
    Excelente trabalho e boa crítica.
    Segundo meus conhecimentos, pode haver mais de um projeto de lei. E nisso residem várias possibilidades táticas.
    Acho que a pressão dos internautas etc é essencial e o radicalismo (no bom sentido) tende a ser fundamental para que a idéia da regulação não morra.
    Assim, sem querer dizer que seu artigo vai nesta linha, acho que uma coisa é confrontar as opções táticas do Ministro. Outra é desmoralizar um aliado, como em http://is.gd/IY2we2

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  2. Continuando comentário anterior e especulando um pouco.
    Supondo que podem ser vários projetos, aprovados em momentos distintos, vejamos que temos vários objetivos e “adversários”:
    a) Propriedade cruzada de TV;
    b) Controle por parlamentares de rádio e TV;
    c) Responsabilização por divulgação de informações falsas;
    d) Acúmulo de poder sobre vários meios (acho que se pode chamar isso de “propriedade cruzada” também).
    e) etc.
    Modestamente, pois não sou da área, acho que é melhor não provocar uma coesão formal dos “adversários”.
    Por outro lado, contrariando a minha tese, focar em um único tema pode facilitar a acusação do “revanchismo”.
    Bom. Espero ter contribuído para que você traga mais opiniões e esclarecimentos. Bom trabalho.

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  3. luizmullerpt disse:

    Desconstituir as oligarquias midiáticas não é papel fácil. Mas o ministro, pelo seu papel, poderia ajudar um pouco mais. No entanto, entendendo que a Reforma Política deveria preceder todas as demais reformas profundas que tem que ser feitas no país. Uma Constituinte Exclusiva poderia se debruçar sobre temas como este, ou no mínimo, impedir que os políticos de plantão, e a serviço do PIG, so votem leis que favoreçem os tubarões.

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  4. SERGIO RICARDO disse:

    Os jornais não “funcionam” como as rádios e TVs pelo fato de não serem concessões públicas, sou contra os que mentem e usam seu poder para manipular, porém os Jornais já são as maiores “vítimas” dos Blogs e das redes sociais e tem sua vida abreviada se não enquadrarem-se nas novas mídias e serem plurais em suas opiniões.

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    1. Desculpa, mas eu li que os jornais são vítimas dos blogs?

      Sergio, os jornais impressoas não são concessões públicas, mas o jornalismo, seja no meio que for, tem uma função social, à qual o jornalista deve atentar. Como nas demais profissionais regulamentadas e com conselhos de avaliação – e que não são concessões públicas – o jornalismo deve servir para melhorar a sociedade. Tem uma ética, deve sempre se pautar pela verdade factual e ser honesto. Quanto mais democrático, melhor. Para isso serve a regulamentação.

      Para controlar concessões públicas e limitar seus abusos já existem leis – a própria Constituição -, que não são cumpridas.

      O fato de TVs e rádios serem concessões públicas apenas agrava a necessidade de serem constantemente avaliadas para averiguar se estão fazendo seu trabalho em prol do povo, da maioria da população. Mas isso não exclui os jornais de uma necessária regulamentação.

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      1. Thiago Beleza disse:

        Acho que ele quis dizer no sentido de que eles estão se fodendo por causa da dimensão que os blogs vem ganhando (e tendem a aumentar com o PNBL),não? Tanto que ele até falou que eles devem se enquadrar e tals.. Acho (apenas acho) ele tenha dito nesse sentido…

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