Tarso Genro: Estado atuante baseado no diálogo e na participação

Na abertura do Encontro Brasileiro de Legislativos, na manhã desta quarta-feira (19), o governador Tarso Genro defendeu o papel do Estado na realização de políticas para a sociedade, valorizou o diálogo e questionou a atuação da mídia. A conferência, realizada no auditório Dante Barone da Assembleia Legislativa, teve como tema “O Rio Grande que saiu das urnas”.

“Através do Estado, os cidadãos podem promover a igualdade, buscar os seus direitos e também fazer a crítica às ações do Estado”, disse. Tarso garantiu que irá incentivar a participação, para que os cidadãos se apropriem dos dados e façam sua própria avaliação das questões políticas, além da leitura da mídia.

“A mídia também é uma instituição política”

Com isso, trouxe um questionamento ao papel da imprensa, com quem pretende estabelecer uma relação de transparência para que os jornalistas tenham acesso aos dados e possam tratar dos temas com conhecimento de causa, evitando simplificações.

Afirmou que nem tudo que é pautado pela imprensa é fundamental para o Estado e para a democracia. “A mídia é uma instituição política, e assim deve ser tratada e respeitada, e não como uma instituição neutra”, disse.

O diálogo como construção de alternativas

Por diversas vezes em sua fala, o governador valorizou a concertação no lugar do enfrentamento como uma alternativa para se buscar soluções coletivas. Essa perspectiva é favorecida, segundo ele, pelo momento positivo que o estado vive, que permite “um diálogo muito mais aberto com a comunidade política da mídia, do Estado e da sociedade civil”.

O “palco da concertação” será o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), que atuará no controle das situações de conflito, evitando a radicalização do enfrentamento e encontrando pontos comuns que levem a um consenso. Mas o governador ressaltou também a importância de toda a comunidade política, inclusive a mídia, adotar uma postura favorável ao diálogo.

Tarso valoriza o Estado democrático

Para embasar a defesa do Estado, Tarso citou a queda do muro de Berlim, em 1989, e a crise do sistema financeiro global, em 2008, que teriam mostrado que o Estado é necessário dentro de um contexto de democracia. Para o governador, tanto a ditadura estatal do socialismo soviético quanto o Estado mínimo do neoliberalismo impedem o diálogo e a construção de soluções.

“Eu sou um apaixonado pelo Estado”, finalizou, argumentando que a estrutura estatal na democracia fornece alternativas para a execução das políticas públicas. Aos moldes do que foi feito entre as instituições federais, Tarso defendeu um pacto entre os poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, no qual o governo está trabalhando “para fundamentar um futuro melhor para todos”.

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