Visita de Obama é um reconhecimento da força brasileira na geopolítica mundial

Uma diferença sensível marca esse começo de governo Dilma na comparação com o começo do governo Lula. Criticado por uns, elogiado por outros, Lula foi rapidinho conversar com o então presidente americano George W. Bush em sua casa. Washington recebeu muito bem o operário brasileiro – melhor, aliás, que a nossa imprensa, e olha que quem estava no governo era um republicano imperialista. Mas foi o Brasil que foi aos Estados Unidos.

Agora, os Estados Unidos vêm ao Brasil. Obama reconhece o status internacional alcançado pelo Brasil. Dilma mostra a força da soberania brasileira. A altivez da mulher que é uma das pessoas mais poderosas do mundo.

Mas engana-se quem tenta reduzir a diferença a um simples elogio a Dilma enquanto sopram críticas ao Lula. Como qualquer comparação, especialmente na política, é fundamental contextualizar, colocar cada momento em sua devida conjuntura.

Se Dilma hoje pode se dar ao luxo de recusar um convite para ir aos Estados Unidos é porque ela sabe que o país norte-americano vem ao Brasil. Por dois motivos cruciais: 1) os Estados Unidos não estão mais com essa bola toda; 2) o Brasil, ah sim, o Brasil é que encheu bem sua bolinha.

Não é mais necessário que o gigante latino-americano se esforce para manter boas relações com Washington, que deixou de lado aquele status de capital da única grande potência mundial. No nosso mundo cada vez mais multipolar, quem agora passa por um bom momento e causa inveja é a gente. E quem quer manter as relações numa boa com Dilma é Obama.

Mérito de Dilma por manter a cabeça erguida, claro. Mas mérito principalmente de Lula e sua política externa e interna. Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia têm dedo nisso. É a política de Lula que levou seu sucessor – no caso, Dilma – a navegar nesse mar de ventos a favor. Lula ajeitou as velas, acertou o prumo e definiu o rumo certo. O resultado é que, continuando com um bom capitão, o navio Brasil pode até passar por algumas turbulências, mas não tem mais que ceder a pressões de navios piratas.

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Mas, para a imprensa brasileira, vale mais o silêncio do discurso de Obama do que a força de seus atos. Para nossos comentaristas, aliás, o que os Estados Unidos pensam ainda é parâmetro para definir se nossa política anda no caminho certo. A opinião do presidente americano vale mais do que a constatação de que o Brasil hoje vai melhor – considerado o atraso histórico – do que eles. Que o Brasil cresce, se desenvolve e distribui renda enquanto os EUA ainda estão atolados na crise. Miopia, com um tanto de astigmatismo, que turva a visão. A causa? Uma profunda e irreparável vontade de que o governo petista não dê certo, mesmo que isso, evidentemente, fosse ruim pro Brasil.

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