Tarso Genro homenageia as mulheres e reforça posição de esquerda

Cansada e meio indignada com coisas que ando vendo e sentindo, acabei não escrevendo ontem a respeito, mas acho que merece um registro o dia em que Tarso e Sandra Genro convidaram mulheres gaúchas para almoçar no Galpão Crioulo do Palácio Piratini.

Merece por alguns momentos mais marcantes. Os discursos foram poucos e rápidos, mas significativos. Já foi bem divulgado por aí, mas não custa repetir a frase em que Tarso Genro garantiu que o Rio Grande do Sul tem “um governo radicalmente democrático, socialista e feminista”. Ele havia dito logo antes que era um governo de esquerda – só poderia, se tiver mesmo as características citadas – com um governador socialista.

Discurso não quer necessariamente dizer muita coisa, pode enganar, mas é significativo, indica caminhos. O típico discurso falacioso é aquele que promete ações concretas. No caso, Tarso defende ideias políticas. Não teria porque fazê-lo se não acreditasse nelas.

Tarso focou na questão da mulher, por motivos mais que óbvios. Mas falou no assunto ressaltando o aspecto cultural da discriminação, o que pressupõe um enfrentamento educativo ao problema, e citou: “A tradição de todas as gerações mortas oprime o cérebro dos vivos”. É diferente de apenas implementar necessárias punições, reformular leis. É buscar a raiz do problema, muito mais complicada de arrancar.

Ao citar Karl Marx, Tarso demonstra que realmente está interessado em fazer um governo de esquerda. Que a coalisão que defende e busca implementar é para favorecer o diálogo e a pluralidade, não para abandonar ideias caras.

Durante o almoço, o governador assinou a criação de um Comitê Gestor de Políticas de Gênero para as Mulheres, logo depois de citar uma pesquisa da Fundação Perseu Abramo que reforça a origem cultural da violência e assusta pela contundência dos números: a cada dois minutos, cinco mulheres são agredidas. Mais de 7 milhões de mulheres já sofreram algum tipo de agressão. Reforço ainda que esse tipo de informação é sempre a ponta do iceberg, já que o problema envolve um aspecto psicológico muito forte, o que leva à vergonha de denunciar. Segundo o governador, existe, no Brasil, a ideia de que a violência deve fazer parte da vida familiar. É preciso enfrentar essa concepção. O governo pelo menos parece disposto, não apenas pela criação do comitê gestor, mas pela própria criação da Secretaria de Políticas para as Mulheres, que é ainda mais significativa.

Participaram do almoço representantes de diversos setores sociais. Eu estava como blogueira. Todas as secretarias de governo – independente do gênero d@ secretári@ – foram convidados ter representação feminina. Estavam, pois, as secretárias de Estado, representantes de secretarias e órgãos públicos, deputadas dos diversos partidos – de governo e oposição -, representantes de movimentos sociais e entidades – cito como exemplo as mulheres camponesas -, jornalistas.

No fim, cada uma ganhou um vaso de violeta. Não sou muito fã dessa tradição de distribuir flores para as mulheres – evidencia a cultural diferença entre os gêneros -, mas não deixa de ser uma delicadeza.

Foto: Caroline Bicocchi / Palácio Piratini

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