Os tais valores da Zero Hora

A Zero Hora publicou hoje o seu “Balanço social” 2010. Vou segurar meus instintos e deixar a avaliação geral do caderno para os leitores críticos do jornal. Concentro agora apenas dos valores (sic) da empresa, na página 4 do caderno que veio encartado na edição ordinária de quinta-feira (16).

São seis os valores listados:

“Uma empresa ética e que se orgulha do que faz.” – Minha mãe costuma dizer que tem gosto pra tudo. Parâmetro e concepção de ética parece que também. Se a Zero Hora se orgulha do que faz, quem sou eu pra falar contra?

“Gente com brilho nos olhos. Relação de confiança e respeito recíproco.” – Não esqueço do dia em que um amigo meu, que recém assinara sua demissão da empresa e começara num emprego novo, disse, surpreso, como se fosse algo impossível de acontecer e muito diferente do que estava habituado: “estou trabalhando em um lugar em que as pessoas me dão bom dia”.

Respeito no jornalismo, pra mim, tem a ver com verdade e pluralidade. Bastou uma breve caminhada pelo Brique num domingo pra ver como os portoalegrenses confiam na Zero Hora. Os olhos dos Sirotsky devem brilhar mesmo. Tipo os do Tio Patinhas.

“Um ambiente vibrante e ousado. Busca de excelência, com disciplina, agilidade e simplicidade.” – A excelência em jornalismo é aquilo que a Zero Hora faz? Ai, meu jesuis.

“Temos compromisso com nossos públicos, anunciantes e usuários. Toda a organização é dedicada a gerar as melhores soluções para os clientes.” – Não discordo que seja assim. Só que o jornalismo de verdade tem que ter compromisso com toda a sociedade, não com quem paga as contas do jornal.

“Paixão por fazer mais e melhor. Compromisso com resultados consistentes no curto e longo prazos.” – Melhor que quem, cara pálida? Que resultados?

“Orgulho da nossa contribuição para o país e para a sociedade, com forte senso de responsabilidade e de pertencimento às comunidades.” – Faltou só dizer quem é a comunidade a que Zero Hora pertence. Não é a minha. E poxa, que conceito do que seja contribuir para a sociedade, hein! No meu caderninho, seria fazer o possível para ampliar a participação de todos os setores. O caderninho de Zero Hora – que não foi encontrado no lixo – diz outra coisa, pelo jeito.

Os tais valores da Zero Hora

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