Clima, arquitetura, transporte, cultura: as primeiras impressões na terra da rainha

Londres é não é exatamente uma cidade boa de viver. Às vezes não consigo entender como foi possível que gente se estabelecesse aqui e ainda construísse as bases de um lugar que teve tanto poder ao longo da história. É estranho que pessoas queiram viver em uma cidade tão instável. Não dá vontade de se estabelecer em um lugar em que chove quase todo dia, em que a gente nunca sabe se vai sentir calor ou frio, se tem que levar casacão ou pôr manga curta, além da capa de chuva, claro (o céu azul da foto é exceção absoluta).

Mas pra passar um tempo é um lugar interessante. Depois de estabelecida a civilização aqui, até dá pra entender por que o povo vem pra cá. A arquitetura é realmente muito bonita, muito diferente do nosso padrão. As ruas são organizadas, o transporte é organizado (mais adiante, um post específico sobre isso), e o povo, em geral, é muito educado e demonstra muito respeito.

Dá pra aprender quase qualquer idioma em Londres, pelas línguas que a gente ouve nas ruas. Praticamente mais que inglês. Mesmo no bairro em que eu moro, que não é turístico. Se um perdido qualquer cai por acaso no Centro de Londres (e olha que não estou morando no Centro), acho que não consegue identificar, pela língua falada pelas pessoas ao redor, onde está. E aquele acento britânico então…

(É engraçado como a cultura é importante na definição de como são as pessoas, do que importa pra elas e de como elas agem. Hoje passei por uma família que falava inglês. Eu mal conseguia ouvir o que diziam, quanto mais discernir o sotaque. Mas tive certeza, pelas roupas que usavam e pelo jeito que gesticulavam, que eram americanos. Talvez australianos até, não conheço tanto assim. Mas definitivamente não eram britânicos. Quando sentaram, nos bancos do metrô, puxaram direto um mapa e passaram a decidir que lugar visitar. Ou seja, turistas.)

Rudolph Murdoch é capa de todos os jornais, e o escândalo das escutas envolvendo seus veículos na Grã-Bretanha está em todos os telejornais. A coisa está feia, mas não é exatamente inesperado. Algumas pessoas demonstram surpresa justamente por não ter acontecido nada assim antes, nenhuma descoberta de algo ilegal ou imoral, nenhum escândalo por ação antiética. Porque todos sabem que acontece.

As pessoas são, de um modo geral, bem informadas. Não só pela famosa BBC e as notícias da TV, mídia que estamos acostumados a ter como a que chega a todos, de “massa”. O metrô é o meio de transporte mais fácil e muito usado, não só por gente pobre ou estudantes, mas por grande parte da população (é inclusive muito comum vermos iPhones – que o pessoal do resto da Europa também tem – e gente lendo livros no seu Kindle – um francês me disse que viu um pela primeira vez em Londres). E no metrô, todos os dias, dois jornais são distribuídos gratuita e massivamente. Em todas as estações há pilhas deles, que as pessoas pegam quando entram e largam dentro do vagão ou na saída, ou levam consigo. E é impressionante o número de pessoas lendo enquanto vai de um lugar a outro.

Como qualquer lugar do mundo, Londres tem suas coisas boas e suas coisas ruins. Algumas vemos logo de cara, outras vamos descobrindo com o passar do tempo. Talvez algumas eu nem chegue a saber. O tempo pode ser demais para algumas coisas, mas seis meses não são suficientes para absorver uma cultura de tantos séculos.

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