The Economist: Lulismo vs. Chavismo

Com direito a chamada de capa, a semanal britânica The Economist que foi às bancas este fim de semana compara a política levada a cabo pelo Brasil e pela Venezuela. Sobram elogios para um lado e críticas para o outro. No confronto “lulismo vs. chavismo”, o barbudo ganha de goleada.

O artigo, intitulado “Lulismo vs. chavismo” tem menos de uma página, mas vem logo no início da edição e recebe destaque. Diz que o regime chavista já estava em “declínio terminal” ainda antes do câncer que Hugo Chávez está tratando em Cuba e sobre o qual ninguém sabe detalhes. Com ironia, a revista compara este ”segredo de Estado” com o Kremlin e a Coréia do Norte.

The Economist é extremamente crítica, chamando a Revolução Bolivariana de uma “mistura gasosa de socialismo autoritário e populismo”, projetada como uma força continental em seu apogeu, que teria sido há cinco anos, quando teria instigado o presidente brasileiro a nacionalizar os ativos brasileiros na Bolívia e no Equador. Chama a atenção que a revista critica a atitude – que eu venho aqui defender, como um exemplo da política externa solidária implementada por Lula –, mas isenta o Brasil de responsabilidade; quem responde por ela é Chávez, por tê-lo incitado. E mais, na comparação, ambos são tratados como esquerdistas (não de forma negativa), mas Lula se diferencia por ser “democrático”.

Não sobra espaço para nenhum aspecto positivo na República Bolivariana de Chávez. A economia, segundo a revista, é vítima de péssima administração, que levou a Venezuela a uma grave recessão enquanto o resto da América do Sul crescia. Inflação excessiva, cortes, queda na produção de petróleo, entre outros fatores, teriam transformado o país no carrasco do continente.

A fórmula “fashionable” de Lula inspira o Peru

Por outro lado, Lula é visto como o criador de uma fórmula moderna, que une estabilidade econômica, investimento privado e programas sociais e é agora seguida por Ollanta Humala no Peru. O triunfo eleitoral do peruano é atribuído a esta ligação com Lula, já que cinco anos atrás ele fracassara se comparando a Chávez. A revista destaca como um elemento crucial do sucesso brasileiro, que Humala adotou, o respeito aos contratos com investidores privados.

Cadê a Dilma nesta história?

O Brasil é retratado como uma social-democracia moderna que casa uma economia capitalista globalizada com vigorosas ações governamentais contra a desigualdade, em contraste com o “caminho cego e primitivo” do chavismo para a América Latina.

Se a Venezuela só tem pontos negativos, por outro lado não é só de flores que vive o lulismo, na visão da revista. Ela diz que a escala e a extensão com que cresce a presença do governo no Brasil não necessariamente beneficia as pessoas pobres. A culpa, dessa vez, também é de Lula, responsável pelo superaquecimento causado pelos incentivos fiscais concedidos no final de seu governo.

Dilma Rousseff não parece ser muito importante. Ela é “a pragmática sucessora de Lula”, a continuação do lulismo, e todos os méritos vão para o antecessor. O único comentário a respeito de seu governo vai para a privatização da operação de aeroportos, portos e estradas.

Economia destruída

No final, as críticas à Venezuela voltam contundentes. The Economist diz que o chavismo pode sobreviver, com ou sem Chávez. Afinal, “uma dúzia de anos espalhando dinheiro do petróleo entre os pobres” pode, segundo a revista, comprar a lealdade de muita gente, mesmo tendo destruído a economia do país. Mas, enfática, termina afirmando que a maré da América Latina voltou-se contra Chávez.

The Economist: Lulismo vs. Chavismo

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