Fica, vai ter Boulos

Meu povo querido, numa boa, parem de bater no Boulos que isso não faz o menor sentido. Tenho visto uma galera reclamando que tem é que defender o direito de Lula ser candidato. Óbvio que sim, defender esse direito é hoje a grande pauta de resistência ao golpe e às arbitrariedades, e o Boulos tem feito isso, como qualquer pessoa lúcida.

Bom, a gente vive um período não democrático e não vamos ter eleições livres e limpas. E junto com tudo isso a esquerda tem que conseguir se reconstruir. Porque tá abalada, abatida, quebrada. Tem que enfrentar o golpe enquanto se levanta. E pra isso, acho, a gente precisa ao mesmo tempo lutar pelo direito de Lula ser candidato e olhar para as nossas pautas e recuperá-las.

Imagina o cenário de eleições. Com Lula, ter Boulos e Manuela do lado fortalecendo o debate de esquerda seria lindo. Acho pouco provável, porque não vão deixar Lula concorrer, como já deixaram claro. Sem Lula, sobra o quê? Ok, a gente podia fazer revolução. Mas olhei pro lado aqui e não vi ninguém fazendo. Todo mundo continua focado (demais, inclusive) nas eleições e ao mesmo tempo tira a importância delas. A mim me parece que, do ponto de vista estritamente eleitoral, essa eleição realmente não vai ter importância. Porque, como já se sabe, não é livre. Ela pode importar como espaço de disputa política. Disputa pelo direito de Lula ser candidato e disputa por um debate de esquerda.

E aí, pra mim, nesse momento de avanço do fascismo e do conservadorismo, está muito claro que está mais do que na hora de a gente puxar esse debate, de olhar pra ele. De lembrar por que a gente é de esquerda. Eu falei quando o PCdoB lançou a pré-candidatura da Manuela e continuo achando que tem mais é que ter um monte de gente falando ao mesmo tempo. Que só uma voz não dá conta de trazer o debate minimamente pro nosso campo.

A gente o debate contra as arbitrariedades em torno do direito de Lula ser candidato e agora a gente tem o lançamento da candidatura de um cara que é líder de um grande movimento popular e que traz o debate da reforma urbana, que nunca foi colocado como central, em um país que tem cada vez mais gente vivendo em situação de rua, mas que tem mais imóveis vazios do que o número de famílias que precisa deles. Debater essa desigualdade não é importante? Escancarar essas contradições não tem espaço? Sem falar que o Boulos ainda tem como vice uma liderança indígena, que traz outra pauta tão esquecida. Talvez falte a gente lembrar que a luta contra o golpe não é só nossa. Que os mais atingidos por ele não somos nós.

Bora parar de se bater e construir mais que a gente melhora, viu.

Fica, vai ter Boulos

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