Quais as intenções de Arnaldo Jabor ao comparar 2010 a 1963?

Como não posso entrar na cabeça de Arnaldo Jabor para saber exatamente o que ele pensava quando tuitava na tarde deste 31 de outubro que elegeu Dilma presidente, não tenho como afirmar suas intenções com suas palavras.

Mas posso me basear nas suas falas recentes, nas suas demonstrações de ódio, em cada vez que esbravejou asneiras por escrito ou na tela da TV, e afirmar que o jornalista e cineasta Arnaldo Jabor chama um golpe de Estado contra Dilma. Pode não se caracterizar por um movimento nesse sentido, mas é pelo menos a expressão de uma vontade.

Deixo para cada um interpretar como quiser o tweet de Jabor, mas para mim é o nosso jornalismo de ponta, um profissional que trabalha para a emissora de maior audiência do Brasil, clamando contra a democracia.

Do Twitter @realjabor no dia 31 de outubro de 2010, às 18h50min.

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Quais as intenções de Arnaldo Jabor ao comparar 2010 a 1963?

O desespero raivoso de Arnaldo Jabor o faz delirar

A Globo e suas congêneres estão ficando desesperadas. Na falta de argumentos concretos e de resultados de suas incisivas críticas, decidiram partir para a apelação. O que Arnaldo Jabor fez ontem – e que não foge de sua prática habitual – foi distorcer fatos para dar a eles a conotação que interessa ao jornalista, mesmo que não corresponda à verdade. E, de quebra, servir ao seu showzinho de interpretação, utilizando palavras que nem sempre são adequadas, mas que causam mais impacto.

O objetivo era reclamar dos aeroportos, em função da Copa do Mundo de 2014. Tudo bem, críticas ao governo são aceitas, pelo menos por mim, que também as tenho. Mas Jabor conseguiu, em pouco mais de um minuto, fugir do tema dos aeroportos, que seria a questão central, e criticar o pré-sal, aliança com o PMDB, defender as privatizações e ridicularizar toda a política externa do governo Lula (reconhecida e valorizada internacionalmente e que para mim é uma das áreas em que Lula se saiu melhor, de tão bem feita), criticando-o por visitar países africanos de governos ditatoriais. O discurso bem próprio da direita, que sempre foi servil aos Estados Unidos, dialogando apenas com países do Norte, sempre em posição inferior e ignorando o resto do mundo.

O homem-show da Globo chegou ao cúmulo de dizer que essas viagens de Lula servem apenas a sua promoção pessoal, um exibicionismo barato, resumindo. Justo quem falando!

Agora, pasmem. Leitor, está sentado? Jabor diz que Lula deveria aprender com o “grande homem” que é Obama, que “luta para consertar o mal que Bush deixou”. Luta aumentando as tropas no Afeganistão, mantendo Guantánamo, continuando a Guerra no Iraque. Mas isso Jabor não fala. Interessa mais dizer que Lula “se dava tão bem” com Bush. Sua retórica leva o espectador a crer que Lula é co-responsável por toda a maldade de Bush. Pelas guerras, pelas mortes. Talvez Lula devesse agir da mesma forma que os Estados Unidos fazem há tantos anos: promovendo guerras em vez de diálogo. Seria isso, Jabor?

O jornalista defendeu a aliança com os Estados Unidos. Claro, na sua visão continuar subserviente é muito melhor do que ampliar relações no pobre Terceiro Mundo, podendo, inclusive, melhorar as condições de vida de seus moradores. Um pouco que seja, em função de toda a influência que Lula adquiriu, seria excelente. Qualquer avanço é bem-vindo nessas ocasiões. Não para a Globo. Solidariedade é palavra que essa direita raivosa e desesperada não entende.

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A Globo não disponibiliza o vídeo para que eu o poste aqui, mas ele está no site da rede, nesse link.

O desespero raivoso de Arnaldo Jabor o faz delirar

A elite se regozija com o Jornal da Globo, que a trata a pão de ló

O Jornal da Globo tem um público bem definido, claro até demais. É o jornal mais requintado da emissora, com mais cuidado nos acabamentos, nos detalhes técnicos. É extremamente bem feito. Porque é todo voltado para a elite conservadora. Ou seja, absurdamente reacionário em suas posições políticas. Criticar a esquerda latino-americana e os movimentos sociais são o exemplo mais corrente e inflamado dessas posições

Pois hoje não só a ideologia política o demonstrou, mas a composição do jornal. Chamou a atenção o bloco comentado por Arnaldo Jabor, acho que o terceiro ou quarto. Boa parte dele dedicado a Cuba. A malhar Cuba, a denegrir Cuba. E, de quebra, a achincalhar Lula, que está em Cuba. Arnaldo Jabor não poupou veneno, foi bastante acintoso, dizendo que o presidente omite os fatos e os transforma com palavras. Ou seja, que mente, em bom português. Não é pouco chamar o presidente da República – aquele bem popular – de mentiroso.

Quando acabou o comentário de Arnaldo Jabor, apareceu William Waack em sua bancada, com o já tradicional sorrisinho sarcástico. E disse, introduzindo a matéria seguinte: “E para os apaixonados por carrões…”. Quer coisa mais elitista? Xingar Cuba, Fidel e Lula e coroar com uma matéria sobre carrões. A burguesia se delicia…

A elite se regozija com o Jornal da Globo, que a trata a pão de ló