PSB, a nova força política nacional

Aliás, o PSB é que sai com pouca representatividade no Executivo gaúcho diante do resultado conquistado nas urnas. No Rio Grande do Sul, o partido aumentou o número de deputados, fez uma quantidade grande de votos e se fortaleceu, elegendo inclusive o vice-governador, um inexpressivo mas leal Beto Grill. Mas no Brasil, o PSB se multiplicou e agora é uma sigla que não pode ser esquecida em nenhuma hipótese ao se discutir o cenário político brasileiro.

Força nacional

O PSB é o segundo partido com mais governadores. São seis, com sua força concentrada em um Nordeste agora alvo de muito preconceito por parte da elite conservadora, mas que mostrou votar com autonomia e inteligência, alçando aos principais cargos eletivos representantes de partidos que fazem mais pelo povo.

Logo depois de PT, PMDB e PSDB, o partido de Ciro Gomes encabeça a lista dos partidos médios mas com grande representatividade, que tende a aumentar cada vez mais. A esquerda e o lulismo se fortalecem e levam junto as siglas que fazem parte desse movimento. Enquanto a direita vive sua pior crise nos últimos tempos, a esquerda moderada sai com cada vez mais força. Há não muito tempo, o principal partido dessa categoria agora representada pelo PSB era o DEM, que vez se esvaindo nos seus próprios erros.

Uma terceira via com Ciro e Aécio?

O PSB é uma força moderna, com nomes jovens, propensos a se tornarem lideranças importantes. Partidos mais antigos, mesmo os que ainda mantêm força importante, como o PSDB, amargam a ausência de nomes para substituir suas antigas e ultrapassadas referências, que vão sofrendo derrotas sucessivas nas urnas, por conta de um jeito velho de fazer política, entre outros fatores.

Por isso, parece inevitável a saída de Aécio Neves do partido, o único a mostrar vigor e disposição para agir de forma diferente e renovar a política, não apenas nas lideranças, mas nas suas práticas. Por conta desse perfil, ele não parece mais se encaixar com o conservador PSDB. Especula-se sua ida para um moderado PSB, em articulação com Ciro Gomes, um homem extremamente inteligente e disposto a mudar de espectro político de acordo com as conveniências do momento, para formarem juntos uma força de centro. Para constituir uma força alternativa, uma “terceira via”, seria bem capaz de se aliar a Aécio. Resta saber se a força seria de situação ou de oposição.

PSB no Rio Grande do Sul

Na disputa de cargos do governo Tarso, no RS, entra na negociação também o Ministério de Dilma. Beto Albuquerque foi indicado para a Secretaria estadual de Infraestrutura, mas pode virar ministro. Se aqui o PSB não teve o mesmo boom que no Nordeste, o PC do B também não. Aliás, esse não cresceu de forma tão significativa em lugar nenhum do país. Ressalvo o mérito dos quase 500 mil votos da deputada federal Manuela. Mas mesmo sem ter crescido tanto, o PC do B aparece como a principal sigla para representar a coalizão na disputa à Prefeitura de Porto Alegre daqui a dois anos. Qual a contrapartida para o PSB?

PSB, a nova força política nacional

Candidato a vice-governador foi anunciado pelo Twitter

Hoje o cenário da política gaúcha tomou definitivamente o seu rumo. PSB e PC do B aderiram à campanha de Tarso Genro (PT), e definiu-se Beto Grill (PSB) como vice na chapa.

Mas não quero falar das consequências políticas. Quero falar da relação com o eleitor. O anúncio do nome de Beto Grill foi feito pelo colega de partido Beto Albuquerque. Pelo twitter.

Antes dos jornalistas, antes da imprensa tradicional poder pensar em divulgar em primeira mão, um político o fez. Talvez por uma certa ansiedade, um pouco de pressa. Mas vejo como uma coisa positiva. Diminuindo os intermediários entre a notícia e a sociedade, me parece que a relação fica mais democrática. As chances de a mensagem se deturpar no meio do caminho diminuem. É como um boato, que vai aumentando à medida que vai passando de boca a boca. Quanto menos gente houver entre a fofoca inicial e o destinatário final, mais fiel ela vai ser.

O jornalista passa a repensar seu papel. A Rosane de Oliveira, por exemplo, apenas retwittou o que disse Beto. Um pouco depois, o deputado Elvino Bohn Gass comentava através do serviço de microblogs, sem intermediários. A Zero Hora deu uma nota curta, informando que o vice tinha sido anunciado pelo Twitter. Só.

Como lidar com a notícia daqui para a frente? O leitor está opinando pelas redes sociais o tempo todo, está mais próximo da notícia. Tanto da notícia em si, que perde sua aura de inantingível quanto da transmissão do fato, através de envio de vídeos, fotos, sugestões, pautas. Um pouco parte da notícia, um pouco repórter, um pouco leitor. A transformação transforma cada parte do processo em um híbrido, com uma mistura de funções. As definições de quem faz o quê estão mais difusas.

O desafio é lidar com isso. Mas, se vem pro bem, que venha logo. A gente que se vire.

Para ler mais:

A nota de Zero Hora.

Twitter:

@BetoAlbuquerque
@rosaneoliveira
@Beto_Grill
@BohnGass

Candidato a vice-governador foi anunciado pelo Twitter

Por vias tortas, coerência está voltando à política gaúcha

Sempre achei esquisita a decisão do PSB de sair sozinho na corrida ao Piratini de 2010, e a posição do PCdoB de apoiá-lo. Não acho errado querer buscar seu espaço, tornar-se mais conhecido, angariar votos. Defendo o direito de partidos pequenos de existirem, de se consolidarem por si mesmos. Assim, afinal, nasceu o PT.

O problema foi a política de alianças que se tentou estabelecer. Se o partido vai correr sozinho em nome de um projeto – e principalmente por não concordar com outro projeto, no caso o do PT -, então que seja coerente do início ao fim. Se acha que o PT caiu pra direita, segue na luta sem o PT, mas não tenta alianças com o PP. Isso maltrata minha inteligência.

É parecido com o que fez o PC do B nas eleições municipais, lançando Manuela D’Ávila como candidata e o asqueroso Berfran Rosado, de um PPS cada vez mais à direita, como vice.

A atitude se mostra claramente uma briga de interesses. O PSB quer mais espaço, simplesmente, e tentou jogar dessa forma para conseguir força, do jeito que fosse. Se não ia se eleger – e no RS tudo é possível, até um fenômeno Yeda, infelizmente -, pelo menos ganhava moedas para trocar na brincadeira das alianças e dos cargos que vêm depois das eleições. Partidos que eu considerava sérios se mostraram interesseiros.

Não coloco todos os partidos no mesmo nível, porque acho que há, sim, graus diferentes de lidar com esses interesses. Alguns não têm escrúpulo nenhum, fazem do jeito que trouxer mais vantagem. Acho que não é o caso do PSB nem do PC do B, mas em grau menor são orientados por uma política suja de interesses, sim.

Outro dia eu disse que aqui que o Beto Albuquerque tinha perdido meu respeito por tentar coligar com o PP. Eu estava chateada de ver um político que eu admirava se rebaixando, fazendo o jogo da vala comum, e meio que desabafei. Não vou tão longe, acho que ele está jogando o jogo com as cartas que estão colocadas. Podia fazer diferente, de um jeito mais digno, mas fez assim, paciência. Ainda acho o Beto um cara de valor, mas com uma certa decepção.

Agora que o PSB desistiu da candidatura de Beto, a tendência é que apoie Tarso (se for para o lado de Fogaça ou do Lara, aí sim, perde meu respeito). O PPS deve sair com Fogaça, o PP com Yeda. As coisas voltam para seus eixos, e alinhavam-se alianças um pouco mais coerentes. De direita ou de esquerda, consolidam-se coligações em que há maior identificação entre as partes. Ainda que seja por falta de entendimento, pelo menos eles ainda não conseguem falar a mesma língua. Resta um pouco de esperança de que os partidos sejam realmente orientados por ideias, pelo menos alguns.

Por vias tortas, coerência está voltando à política gaúcha

Beto Albuquerque perde meu respeito

A Página 10 da Zero Hora de hoje deu que, se por acaso o PP não fechar com o PSDB, está oscilando entre coligar com o PTB ou com o PSB para a disputa do governo do Rio Grande do Sul. O candidato do PTB é Luís Augusto Lara, que, no que depender de mim, pode ficar atrás apenas de Yeda Crusius no pleito de outubro. Mas Beto Albuquerque, do PSB, apesar de não receber meu voto, tinha meu respeito. Se aceitar essa coligação com o PP, partido extremamente conservador, direitoso, perde completamente minha consideração. Não que isso seja grande coisa, não muda nada nas eleições nem em nada na política gaúcha. Mas preciso registrar que perde meu respeito apenas por cogitar essa aliança.

O PSB, assim como o PTB, oferece vice, senador e coligação na proporcional.

Beto Albuquerque perde meu respeito

O passado e o futuro da política gaúcha – Parte II

Voltemos, pois, a Tarso. Embora eu seja muito mais fã de Olívio, Tarso é um nome mais facilmente digerível pelos gaúchos – não pelos petistas, que urram de alegria e veneração ao ver o bigodudo. Tarso é aparentemente mais maleável, menos radical, mais burguês. Mas penou com essa coisa de ter deixado a prefeitura no meio do mandato. Agora, o principal rival de Tarso é José Fogaça (ex-PPS, atual PMDB), prefeito de Porto Alegre até o dia 30, quando deixa o posto para o vice, o ex-petista, agora pedetista José Fortunatti. (Essa muvuca de siglas, especialmente na direita, é fogo.)

Fogaça não vai poder usar a mesma arma contra Tarso. Afinal, o telhado é de vidro. Mas Tarso, igualmente, fica engessado. Se chover pedra, ambos quebram. O grande problema é que Fogaça, apesar de não ter feito absolutamente nada de relevante (ah, perdão, tem aquela história de levantar a mão pra atravessar a rua na faixa – um projeto ridículo forte e consistente para transformar a cidade, o único em seis anos), tem uma imagem positiva. Vai entender por quê. Acho que é justamente por aquela carinha de bebê chorão, que escreve músicas bacanas, que não tem raiva. Não tem raiva, mas não tem proposta. Vale lembrar que se elegeu prefeito com a única plataforma de “manter o que está bom, mudar o que está ruim”. Grande proposta, ahn.

A disputa vai ser ferrenha. Nada está definido, muito antes pelo contrário. Não arrisco um palpite, por menor que seja, por mais incosequente que eu me permita ser. Não consigo vislumbrar quem leva essa eleição. Torso por Tarso (bonito trocadilho, hein), apesar de tudo. Mas levo medo. PMDB de novo no governo? Bom, é menos pior que PSDB, mas não podemos pensar em eleger simplesmente algo menos pior – aliás, depois de Yeda, nada pode ser considerado tão efetivamente ruim, qualquer coisa passa no quesito do menos pior.

Mas o PMDB ganhar força não é bom, especialmente porque no RS ele é mais de direita do que em outras partes do país. Conta ainda com o apoio do PDT, que ganhou a prefeitura de Porto Alegre e o vice na chapa de Fogaça e pode ser importante na decisão, mas que não fecha totalmente em ideias com o PMDB, já que apoia Lula, o que Fogaça decidiu não fazer (aliás, consigo ver Brizolla se remexendo no túmulo ao tomar conhecimento da aliança de seu partido com a direita).

Por outro lado, não consigo imaginar quem correria por fora dessa vez. Yeda, além de sofrer do problema de ser a última governadora, fez realmente um governo muito ruim, e seus índices de popularidade são baixíssimos. O PSOL não tem força suficiente para eleger Pedro Ruas. Se fosse para eleger uma terceira via, pelo menos que fosse o Beto Albuquerque, do PSB, mas duvido. Tem ainda o PTB, que decidiu bancar a candidatura de Lara, mas não deve ir longe (espero não ter que bater na boca). O DEM, bom, o DEM ainda existe?

É, parece que só há uma alternativa. Ou é Tarso ou é Tarso.

O passado e o futuro da política gaúcha – Parte II

O povo no poder

Alguns depoimentos no twitter confirmam: a vitória de Pepe Mujica, da Frente Ampla, é o povo no poder.

@BetoAlbuquerque: chegando em Montevideu.Impossível chegar ao Hotel.Nas ruas festa da Frente Ampla.Vitória de Mujica Presidente!Bandeiras e militantes.

@DrRosinha: Frase final do discurso de Mujica: ‘Ai daqueles q pensam q o poder está em cima. O poder está no coração das grandes massas’

@DrRosinha: Chove forte e venta muito em Montevidéu. Mujica termina o discurso. Centenas de bandeiras. Uma bela imagem aqui de onde estou.

@DrRosinha: A vitória de Jose ‘Pepe’ Mujica é, definitivamente, a vitória da esquerda e da integração do Mercosul.

O povo no poder

Falando nisso…

Saiu nova pesquisa do Ibope de intenções de voto para o governo do Estado. Eu gostaria de comentar três coisas:

1. Até o Beto Albuquerque (PSB) daria uma lavada na Yeda (PSDB) no segundo turno. No primeiro turno, ele não passa dos 8% de intenções de voto em nenhum dos cenários. Yeda tem 60% de rejeição, é impossível o PSDB deixar ela sair candidata.

segundo turno

rejeição

2. Sei que estou sendo extremamente precipitada e que o cenário das eleições gaúchas costuma mudar bastante durante a campanha, mas acho muito pouco provável que o próximo governador não seja o ministro Tarso Genro, do PT. Ele tem quase 40% em todos os cenários, um ano antes das eleições.

pesquisa

3. Sobre o PMDB: a disputa entre o prefeito de Porto Alegre, José Fogaça, e o ex-governador Germano Rigotto está longe de terminar. E seu desfecho é difícil de ser deduzido. Se Fogaça for o candidato, o apoio do PDT é praticamente certo, já que o partido herdaria a prefeitura na figura do vice José Fortunatti. Mas Fogaça se queima ao renunciar à prefeitura.

Se isso acontecer, Rigotto concorre ao Senado, mas a disputa não é fácil. Na pesquisa estimulada, ele fica empatado em segundo lugar com Paulo Paim (PT), sendo o primeiro lugar de Sérgio Zambiasi (PTB). Mas na espontânea Rigotto fica apenas em terceiro. Para ele, politicamente, é bastante arriscado concorrer ao Senado, não se eleger e se queimar. Seria menos feio perder a disputa pelo Piratini. Com essa hipótese, o partido sai menos chamuscado, já que a herança de uma renúncia à prefeitura é bastante negativa, como o PT bem sabe (Tarso renunciou ao cargo para concorrer ao governo do Estado em 2002 e perdeu as eleições).

Tem, pois, que optar entre o apoio do PDT no caso da candidatura de Fogaça, que vem acompanhado por uma queimação política, por um lado, e, por outro, a ficha limpa sem a garantia do apoio se o candidato for Rigotto.

Falando nisso…